“Perderam-se” 17 mil carteiras em 40 países. Sabe quantas foram devolvidas?

Um grupo de investigadores quis testar a honestidade das pessoas. Os resultados foram surpreendentes.

355 cidades foram testadas para este estudo social

Se encontrasse uma carteira com dinheiro e documentos, o que é que fazia? Ignore a resposta politicamente correta, aquela que todos se precipitam a dar. A sério. O que é que fazia?

Um grupo de investigadores realizou um estudo social para perceber como agem as pessoas perante uma carteira perdida com documentos, dinheiro e até uma lista de compras. Conforme cita a rádio norte-americana NPR, foram lançadas 17 mil carteiras em 355 cidades e 40 países para ver a reação das pessoas.

Uma das questões levantadas durante o estudo foi se realmente a quantidade de dinheiro dentro da carteira influenciaria a atitude das pessoas em devolvê-la ou não. A investigação começou na Finlândia, com um assistente do estudo a “perder” carteiras em bancos, correios e até cinemas.

A hipótese lançada pelos investigadores foi de que colocar dinheiro na carteira diminuiria a probabilidade de devolução do bem perdido. Mas o resultado foi uma surpresa, porque aconteceu exatamente o oposto.

“As pessoas eram mais propensas a devolver a carteira quando tinha uma quantia maior”, disse o principal autor deste estudo, Alain Cohn, da Universidade de Michigan.

Depois de 17 mil carteiras perdidas, cada uma com diferentes quantias de dinheiro (ou sem nada), os resultados foram os seguintes: 72% das carteiras que tinham 89€ foram devolvidas, enquanto que aquelas que tinham apenas 12€ ficaram-se pelos 61%. Mais um dado importante: 46% das carteiras sem dinheiro foram declaradas como perdidas.

Os resultados deste estudo foram publicados na revista “Science” a 5 de julho e os números não deixaram margem para dúvidas: quanto mais dinheiro envolvido, maior a probabilidade de as pessoas se sentirem mal por ficarem com algo que não lhes pertencia.

Os investigadores apontam duas explicações para isto. A primeira está relacionada com a empatia com o estranho que supostamente perdeu a carteira. Já a segunda prende-se com a necessidade que cada um de nós tem de manter a sua imagem positiva.

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