Estudo. Um copo de sumo ou de refrigerante por dia associado ao risco de cancro

A amostra envolveu mais de 100 mil pessoas. A investigação sugere ainda que bebidas 100% de fruta também são um risco para a saúde.

O estudo sugere que o consumo diário destas bebidas aumenta em 18% a probabilidade de desenvolver cancro no geral, aumentando em 22% a hipótese de ter cancro na mama

Não é novidade que sumos de fruta e refrigerantes fazem mal à saúde, mas conforme o tempo passa, mais sólidos são os argumentos que nos mostram que estas bebidas devem mesmo ser postas de parte.

A mais recente investigação foi publicada esta quarta-feira, 10 de julho, na revista BMJ, e diz que um copo destas bebidas por dia aumenta o risco de desenvolver cancro. De acordo com o estudo, uma pequena porção — 100 mililitros, cerca de um terço de uma lata de refrigerante (cada uma contém 350 mililitros) — aumenta em 18% a probabilidade de desenvolver cancro no geral, aumentando em 22% a hipótese de ter cancro na mama.

A investigação, que surge no seguimento de outra que associou este tipo de hábito ao risco de morte prematura, teve uma amostra grande: incluiu 101.257 franceses adultos saudáveis, dos quais 79% eram mulheres e 21% homens, com uma idade média de 42 anos. Todos preencheram, pelo menos, dois questionários e foram seguidos no decorrer de nove anos. Outros fatores de risco para o desenvolvimento desta doença, como tabaco, idade, sexo, histórico familiar ou atividade física, foram tidos em conta no estudo.

“Os resultados indicam uma correlação estatística significativa entre o consumo de bebidas açucaradas com todo o tipo de cancro, e cancro da mama”, disse, citado pela “CNN”, Ian Johnson, um investigador de nutrição, do Quadram Institute Bioscience  envolvido no estudo. O especialista avançou ao Science Media Centre, do Reino Unido, que o risco também foi observado em pessoas que que consomem sumos de fruta pura, ressalvando, no entanto, que este aspeto carece de mais investigação.

“Aquilo que observamos foi que o principal fator que leva a esta associação [com o cancro] é o açúcar presente nestas bebidas”, disse Mathilde Touvier, autora principal do estudo e diretora de investigação da equipa de pesquisa do Nutritional Epidemiology do National Health and Medical Research Institute, na University Paris-XIII, em França.

“O consumo de bebidas com muito açúcar é um risco para a obesidade e ganho de peso”, disse, acrescentando que “obesidade é só por si um fator de risco para o cancro.” Mas há mais ingredientes de risco contidos nestas bebidas, nomeadamente os aditivos, como o 4-metilimidazol, encontrados em sumos que contêm corantes de caramelo.

Naquilo que se refere às bebidas light — ou “diet drinks” — não foi encontrada nenhuma relação entre o seu consumo e o aumento da probabilidade de aparecimento de cancro. No entanto, os autores do estudo alertam: o resultado deverá ser interpretado com “cautela”, uma vez que, na amostra estudada, poucos participantes tomavam regularmente estas bebidas.

Além disso, outras investigações já vieram sugerir que há perigoso associados ao consumo destes produtos: um estudo conduzido pela American Heart Association e pela American Stroke Association, publicado em fevereiro, mostrou que beber duas ou mais bebidas com adoçantes aumenta a probabilidade de ataques cardíacos e de morte prematura em mulheres com mais de 50 anos.

Catherine Collins, do Serviço Nacional de Saúde britânico, diz, no entanto, que o perigo do consumo de adoçantes é um mito: “Todos os adoçantes atuais passaram por rigorosos testes de segurança antes de serem aprovados para consumo humano.”

Voltando à investigação publicada esta quarta-feira: ao longo dos nove anos, foram diagnosticados 2193 casos de cancro, em pessoas com idade média de 59 anos. Destes, 693 eram cancros de próstata e 166 eram colorretais. É aqui que entram as limitações: o estudo é observacional e não consegue mostrar a causa e efeito. Ou seja, é impossível determinar se o motivo está diretamente ligado ao consumo de bebidas ou se estará relacionado com outro problema de saúde, oculto até então.

“Claramente, há mais trabalho a ser feito e medir a ingestão alimentar é um desafio. No entanto, a mensagem da totalidade das evidências sobre o consumo excessivo de açúcar e vários resultados de saúde é claro: reduzir a quantidade de açúcar na nossa dieta é extremamente importante”, diz Amelia Lake, da TeessideUniversity, no Reino Unido.

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