Jantar fora é quase sempre prenúncio de uma refeição que não olha a calorias. E é assim que deve ser. Gastar dinheiro para sentir uma boa dose de frustração é um desperdício.

Mas tudo seria diferente se, discretamente, fôssemos aliciados a tomar boas decisões. Por exemplo: se lhe dessem a escolher entre um prato com arroz e batatas fritas e um prato com uma destas guarnições, mas com salada? A consciência não ia deixar tomar a decisão errada, queremos acreditar nisso.

De acordo com os investigadores de marketing Pierre Chandon, da INSEAD — Sorbonne Université Behavioural Lab, e Romain Cadario, da Boston University, autores de um estudo em que foi analisado como é que as pessoas poderiam comer melhor em restaurantes, esta é uma das medidas (ou empurrão, como lhe chamam) que os espaços poderiam implementar, de forma a que os clientes fizessem escolhas mais equilibradas. Para cada empurrão, calcularam quantas calorias a menos é que se poderiam consumir, usando como referência cubos de açúcar.

Trata-se de um método, que utiliza incentivos positivos, face a restrições, que têm quase sempre efeitos negativos. “Um empurrão, gentilmente, leva a pessoa em direção a uma melhor escolha. Taxar refrigerantes ou banir medidas energéticas não é”, escreveram.

Os dois investigadores selecionaram sete “empurrões”, partilhados pelo “The Conversation“, que os restaurantes podem dar aos clientes, de forma a que estes façam escolhas mais saudáveis — lutando, assim, contra o problema da obesidade. São de três tipos: empurrões que fazem pensar, empurrões que fazem sentir, empurrões que fazem fazer.

1. Usar rótulos descritivos

A informação pura e dura parece não resultar, na opinião dos investigadores. Ou seja, por mais que os rótulos tenham informação relativa a um produto, estas não passam de pequenas letras, que facilmente se ignoram. Mas e se houvesse um código de cores (como já existe nos supermercados do Reino Unido) ou um símbolo, que ajude as pessoas a interpretarem os números?

Segundo os investigadores, esta medida poderia equivaler a uma redução de calorias esperada igual a cinco cubos de açúcar.

2. Colocar alimentos saudáveis no local mais visível

Se o produto saudável estiver colocado no local mais visível da carta, os nossos olhos captam logo aquela informação — ou seja  não é tão fácil ignorar e ainda não fomos bombardeados por ideias calóricas. É como acontece com as prateleiras: aquilo que fica a meio, ao nível dos olhos, é onde focamos a nossa atenção.

A redução esperada de calorias, neste caso, iria equivaler a sete cubos de açúcar.

Lillian Barros. “Estamos em 2019 e continuam a dar Cerelac ao lanche nas creches”

3. Embalagens inteligentes

A mente funciona assim: somos facilmente impactados por sinais. Se estiver perante um alimento assinalado com a cor vermelha e outro com a cor amarela, qual é que escolhe? Possivelmente a mais clara. “Nós percebemos que a cor vermelha significa ‘parar’”, dizem. E isto aplica-se a todos os sítios: numa loja, num café, num restaurante, num supermercado. Esta medida, conhecida como dos semáforos, já foi aplicada em supermercados do Reino Unido.

Redução de calorias expectável? Corresponde a nove cubos de açúcar.

4. Perguntar: “Quer acompanhar com salada?”

Por menos vontade que se tenha, ninguém consegue negar salada. Precisamos é de se confrontados com a hipótese. Aqui, entrega-se o poder ao empregado de mesa, que, indiretamente, estará a encorajar-nos a fazer uma escolha saudável. De acordo com os investigadores, este tipo de “empurrão” é positivo, uma vez que as pessoas respondem afirmativamente.

E a redução de calorias? Aqui a expectativa chega a quase ao equivalente a 13 cubos de açúcar.

5. Descrever o sabor dos vegetais

No momento de escolher, interessa-lhe mais o sabor dos alimentos ou as suas composições nutricionias? Exato. A descrição do sabor, do tempero ou da textura cenouras, será mais relevante do que a sua percentagem de antioxidantes. E se soar bem, mais fácil será tomar a decisão certa.

A expectativa de redução de calorias, com este empurrão, corresponde a cerca de 17 cubos de açúcar.

6. Colocar as comidas mais gordurosas no final de um bufete

Com os alimentos saudáveis a meio de um buffet e com os pouco saudáveis no final, altera-se a ordem de seleção. É que, à partida, chegando à última etapa, já vai ter o prato cheio e não sentirá tanta necessidade de enchê-lo com coisas que fazem mal à saúde.

E a forma como as frutas e os vegetais são apresentados também conta. “É muito mais fácil querer comer um ananás já cortado e descascado do que um inteiro”, dizem.

Expectativa de redução de calorias? É de cerca de 20 cubos de açúcar.

7. Usar pratos mais pequenos

“Os empurrões mais eficazes são aqueles que mudam diretamente a quantidade de comida que se põe no prato ou copo, de modo a reduzir as quantidades que se ingerem.”

É aqui que está a maior redução calórica: é equivalente a cerca de 32 cubos de açúcar.