Da inovação tecnológica à pressão sobre os empregados, 6 coisas a saber sobre a Mercadona

Em caso de doença, os funcionários não devem recorrer a médicos externos e quem pedir baixa médica arrisca-se a ser dispensado. Há mais.

As queixas de ex-funcionários raramente chegam aos meios de comunicação devido aos termos de confidencialidade que são obrigados a assinar

Mercadona

Em Portugal, tal como em Espanha, os clientes da Mercadona são tratados como “jefes” ou chefes. A ideia é que qualquer cliente que a visite saiba, de imediato, que vai encontrar produtos e atendimento de qualidade — prova disso são as mais de 1.600 lojas espalhadas por Espanha onde esse controlo existe e é reforçado.

Esta terça-feira, 2 de julho, marcou o primeiro passo na internacionalização da marca ao abrir a primeira loja em Portugal — e estão previstas mais dez no País até ao final de 2019. Tudo começou em 1977 quando os pais de Juan Roig, o atual CEO da marca, transformaram oito talhos em supermercados. Em 1981, Roig e a mulher, Hortensia Herrero, compraram as lojas e as ações da empresa que os irmãos detinham.

Em apenas quatro anos, Juan Roig tinha controlo total da empresa e o resto é História — a Mercadona tornava-se, assim, numa das cadeias de distribuição espanholas mais importantes e rentáveis do país. Segundo vários especialistas, o sucesso explica-se facilmente através da aposta na inovação.

Mas já lá vamos. Dos preços baixos à ausência de marcas brancas, sem esquecer a pressão sobre os empregados, contamo-lhes 6 coisas a saber sobre a Mercadona.

1. A Mercadona quer estar sempre um passo à frente. E aqui quem ganha é a inovação

De acordo com o jornal inglês “The Olive Express”, da região de Andaluzia, a Mercadona não só foi o primeiro supermercado espanhol a usar leitor de códigos de barras, como também foi a primeira marca a oferecer comida sem glúten — e encontram-se já mais de 850 opções.

Fora a expansão internacional para Portugal, só em 2018 a marca anunciou incorporar o serviço de take away imediato em várias lojas do franchisado, e já está a testar um novo serviço online para encomendas e recolhas em Valência, Espanha.

2. Estamos a falar de um supermercado barato

Segundo a mesma publicação, embora a marca continue a apostar num serviço de qualidade para o cliente, a verdade é que em Espanha a Mercadona ocupa o 9.º lugar na lista dos supermercados mais baratos do país.

3. Mas aqui não há promoções ou descontos

Apesar de a cadeia apostar na ideia de preços sempre baixos, não espere ver descontos ou promoções relâmpago. Da mesma forma, também não há marcas brancas nas prateleiras do supermercado e, segundo escreve o jornal “Eco”, a empresa “sustenta essa decisão com um compromisso com a ‘transparência’ face ao ‘chefe’, nome com que trata os clientes.”

4. “Temos de trabalhar à maneira chinesa para podermos viver à maneira espanhola”

Embora a Mercadona crie, em média, cerca de mil postos de trabalho por ano, as práticas impostas pelo seu CEO são tudo menos consensuais. Segundo o “The Olive Express”, Juan Roig incentiva os seus funcionários a pensaram mais nos seus deveres e menos nos seus direitos.

“Temos de trabalhar à maneira chinesa para podermos viver à maneira espanhola”, terá sido uma das posições mantidas pelo CEO ao longo dos anos. E a verdade é que em toda a empresa, estão registadas mais de mil desistências por ano de funcionários.

Em causa está a pressão do trabalho, um ambiente de trabalho tóxico, as longas horas de serviço e oportunidade reduzida de os trabalhadores tirarem folgas.

5. Em caso de doença, os trabalhadores não devem ir a um médico externo

Mas as queixas não se ficam por aqui. Em caso de doença, todo e qualquer trabalhador que recorra a um médico externo à empresa fica automaticamente mal visto.

Segundo a mesma publicação, que cita ex-trabalhadores da empresa em Espanha, aqueles que pedem um período de baixa médica arriscam-se muitas vezes a serem despedidos.

6. As políticas de confidencialidade são rigorosas

O jornal adianta ainda que este tipo de queixas geralmente não são conhecidas já que, devido aos termos de confidencialidade que cada trabalhador tem de assinar, muitos têm receio de expor o ambiente que se vive dentro da empresa. Além disso, todos eles estão impedidos de criticar a marca aos meios de comunicação ou nas redes sociais.

No que diz respeito aos trabalhadores, todas estas características negativas, identificadas pelo jornal com base em testemunhos de antigos funcionários, referem-se à realidade espanhola. Em Portugal, segundo escreve o “Observador”, a ideia vai passar por atribuir um salário confortável a todos os funcionários — prática que já é recorrente da marca em solo espanhol.

O salário base de um operador será de 903,38€ brutos mensais, onde já estão incluídos os duodécimos referentes ao subsídio de férias e Natal. Ainda segundo o “Observador”, “a este valor acresce um subsídio de alimentação de 6€ brutos por cada dia de trabalho” e o horário de trabalho corresponde a 40 horas que são rotativas.

Além disso, fonte oficial da Mercadona explicou ao “Observador” que, durante os primeiros cinco anos e meio todos os trabalhadores terão “um aumento anual de 11%”.

*Artigo atualizado a 3 de julho de 2019, com informação extra que explica a diferença da realidade espanhola e portuguesa, com ênfase nos valores contratuais de cada trabalhador da Mercadona em Portugal.

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