No tempo em que viviam os mamutes ou os tigres de dentes-de-sabre, a Terra encontrava-se coberta de glaciares. Aquilo que ditou o fim da Idade do Gelo foi, precisamente, o derretimento da água, que passou do estado sólido para o líquido. Com o nível das águas a subir, enormes rios e deltas — ou seja, água fresca — ficaram presas em sedimentos abaixo do mar.

Esta espécie de bolsas isoladas foram descobertas por investigadores, no processo de perfuração para encontrar petróleo no mar, em 1970. Nesta altura colocou-se, pela primeira vez, a hipótese de estas serem a mais recente fonte de água doce do mundo.

Agora, segundo avança um artigo publicado a 18 de junho, na revista cientifica “Scientific Reports”, investigadores da Universidade da Columbia e da Woods Hole Oceanographic Institution, que passaram dez dias num navio com sensores eletromagnéticos, mapearam, pela primeira vez, parte destes reservatórios de água doce, numa área entre Nova Jersey e Massachusetts, nos Estados Unidos.

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Resultados: as piscinas subterrâneas estendem-se por, pelo menos, 80 quilómetros, na costa atlântica dos Estados Unidos, contendo enormes reservas de água de baixa salinidade, com o dobro do volume do Lago Ontário. Os depósitos começam a cerca de 600 pés (183 metros) abaixo do fundo do mar, tendo uma extensão de centenas de quilómetros.

“Sabíamos que havia água fresca em lugares isolados, mas não sabíamos a extensão ou a geometria”, disse à Phys.org Chloe Gustafon, candidata a PhD no Lamont-Doherty Earth Observatory, da Universidade da Columbia. “Pode vir a ser um importante recurso noutras partes do Planeta.”

A água destes reservatórios subterrâneos não é absolutamente doce, tendo pequenas concentrações de sal de menos de uma parte por mil. No entanto, mais perto da Terra, a concentração é quase nula, o que significa que o processo para a dessalinização para a transformação em água potável poderá ser fácil.