BE THE KO. O ginásio de fitboxing português que mais parece uma discoteca

Aqui junta-se boxe, kickboxing e muay thai, com rounds de cardio e força. Há sons, luzes e um sistema de pontos para saber quem é o melhor.

A sala está escura e os pequenos flashes de luzes coloridas dão vida às silhuetas das pessoas que por lá se encontram. Estão inquietas e, apesar de a música estar alta e animada, aquilo que mais se ouve é o barulho dos murros e pontapés. À exceção deste último pormenor, podia ser mais uma noite num qualquer bar do Cais do Sodré, em Lisboa. Mas não. Já passa das 11 horas e a MAGG está no ginásio BE THE KO, inserido no Clube VII do Parque Eduardo VII.

Mas recuemos uns minutos. O coach Mauro Frota chega e indica-nos os balneários para que nos equipemos à vontade. Uns calções, uma T-shirt e uma garrafa de água servem perfeitamente para alguém que, como nós, não faz exercício há algum tempo.

É a nossa estreia na modalidade de fitboxing e, para que não nos sintamos perdidos, está marcado um briefing que explica aquilo que está prestes a acontecer: um treino que reúne várias artes marciais (boxe, kickboxing e muay thai), onde se juntam e alternam quatro rounds de cardio e quatro rounds de força, que fazem uso de sacos equipados com um sistema de gaming que permite aos fighters conhecerem a intensidade dos seus golpes.

Ficha técnica

Morada: Clube VII, Parque Eduardo VII, Lisboa
Horário: 7h15-21h15 e 9h15-20h15 aos sábados. Fecha ao domingo
Preços: 14€-200€ (packs) e 36€-780€ (mensalidades)

Há mais particularidades: o sistema de iluminação que vai alterando consoante a intensidade dos exercícios e o sistema de som que também varia de acordo com aquilo que se está a fazer.

Feita a explicação, recebemos um par de luvas para que nos tornemos em verdadeiros lutadores. A sala está vazia, mas a música e as luzes já dão a entender aquilo que nos espera. Está na hora de enfrentar os sacos de boxe. Tudo a postos, música maestro e que comece a pancadaria.

Despertei o Rocky Balboa que há em mim

Não podemos começar a bater nos sacos sem prepararmos devidamente o corpo. Na etapa inicial desta sessão, o som é mais calmo e acompanhado de luzes frias, como azul, para que ninguém se entusiasme demasiado. Estamos no aquecimento e aqui utilizamos apenas os halteres e os fitness dummies (vamos tratá-los por amigo, porque é mesmo uma espécie de companheiro que está ali para levar porrada).

Para começar, temos então o nosso amigo no chão, fazemos step em cima dele, para, depois, passarmos a dar-lhe joelhadas. De seguida, com os halteres, fazemos agachamentos e treinamos os uppercuts (movimento de um soco de forma ascendente). Sim, isto foi só o aquecimento.

Aquecimento feito, é hora de passarmos à “ação”. O primeiro round de cardio — demora cerca de quatro minutos, com um minuto de recuperação — é dedicado ao boxe. Parece pouco tempo, mas já estamos cansados. Aqui desatamos a bater no saco como verdadeiros Rockys Balboas.

Começamos com uma sequência de dois murros, a que se acrescentam os movimentos que o coach vai indicando. Só paramos quando soa o sino. A música já está mais acelerada e o som das luvas a bater no saco funciona como uma espécie de orquestra orientada por Mauro Frota, que nos está sempre a dar indicações.

O treino é individual, mas é realizado em grupo. Para fomentar o espírito de equipa e de união, ao som do último sino, cumprimentamos quem está ao nosso lado, como quem diz, “bom trabalho, deste cabo do saco”.

O massacre do fitnessdummie

Foi um primeiro round renhido, mas estamos contentes com o nosso desempenho. Para descansar o coração e os pulmões, a música e as luzes voltam a acalmar e os movimentos são mais direcionados para o trabalho dos músculos. É hora de round de força e, para isso, precisamos novamente dos fitness dummies — sobre os quais nos deitamos, para depois agarrar em halteres e trabalhar a musculatura superior do corpo. Três segundos para baixo, um segundo para cima.

Já sentimos o ardor, mas o pior vem a seguir: temos de levantar o nosso amigo, que pesa uns modestos 11 quilos. De costas direitas, pernas afastadas e joelhos ligeiramente fletidos, lá o erguemos uma série de vezes.

Ding, ding, ding. Hora de regressar ao ringue de combate. O segundo round é dedicado a outra modalidade: o kickboxing. Música a tocar, luzes quentes a atravessarem a sala, voltamos a ter sequências de movimentos com vários murros, mas agora intercalados com uma série de pontapés. Mas a amplitude é gradual: começamos com grandes biqueiradas no saco (front kicks) e, já no final do round, evoluímos para pontapés à meia volta (ou round kicks).

Voltamos ao descanso, enquanto duvidamos das nossas capacidades, mas sem desistir. Nem pensar. Com os elásticos e com bolas medicinais de nove quilos, é a vez dos agachamentos.

O vale tudo e o descanso do guerreiro

Ao terceiro round, até o saco já dá sinais de cansaço. Mas nós estamos firmes, com os olhos na vitória e num belo banho. Esta fase do treino é dedicada ao muay thai, uma arte marcial tailandesa. Aqui vale tudo: murros, pontapés e até cotoveladas. Os sinos terminam o massacre. Sorte a do saco, porque nós estamos prontos para acabar com ele.

Começa mais um round de força, desta vez com elásticos e com direito a alguns minutos deitados no chão. Foi bom enquanto durou, mas ainda temos contas a ajustar com o saco de boxe, na sequência mais explosiva de todo o treino. É conhecida como speed and power shot e realiza-se sob música extremamente alta e enérgica para que não tenhamos vontade de parar. Velocidade e intensidade descrevem bem o cenário desta última etapa.

Durante 45 minutos, fomos autênticos lutadores. Foram quatro rounds intensos, cansativos e dolorosos — principalmente para o saco — mas no final, todo o esforço foi recompensado com o merecido descanso do guerreiro. Ou como o coach Mauro lhe chama: round de relaxamento.

Nesta fase, deitamo-nos no chão de olhos fechados e colocamos os pés suspensos numa barra. Com a música agora calma e com a ajuda das palavras do coach — que repentinamente tem a voz de um apresentador da “Oceano Pacífico” da RFM — conseguimos descomprimir, depois de uma boa luta.

Assim que o treino termina, a turma reúne-se para comentar os exercícios, para debater o cansaço e, claro, para ver a pontuação final de cada um. Ficámos em sétimo lugar com 21.134 pontos, enquanto o primeiro lugar fez 78.777 pontos.

O coach Mauro Frota explica como tudo funciona

O coach Mauro Frota é o criador do BE THE KO

O BE THE KO surgiu no final de 2018, pela mão do profissional de fitness Mauro Frota e é o primeiro ginásio português especializado em fitboxing. De acordo com o treinador, é “também um dos primeiros a juntar e a alternar rounds de cardio no saco, com rounds de força”, numa modalidade de treino conhecida como KO COMBAT.

Outra modalidade de treino é o KO SKILLS que se realiza de forma gratuita aos sábados. “Queremos que as pessoas venham, aprendam a técnica, especialmente a técnica para golpear o saco, para que não criem lesões e para que se sintam mais competentes”, explica o coach, que revela ainda que vai lançar o KO Personal, “um treino personalizado que, basicamente, prepara as pessoas para serem melhores lutadoras e para estarem preparadas para tudo.”

Este ginásio marca a diferença, não só pelos treinos, mas também pelos materiais que utiliza. O BE THE KO está equipado com um sistema de gaming da Impact Wrap que permite aos fighters conhecerem a intensidade dos seus golpe. Através de uma aplicação para o telemóvel, o utilizador tem acesso a esses dados e à sua pontuação. Está ainda equipado com um sistema de música e de luzes que vão mudando consoante a intensidade do treino.

O BE THE KO é para qualquer pessoa a partir dos 16 anos. A inscrição é feita através do site do ginásio, sem fidelização, o que significa que os sócios podem desistir quando quiserem. “O engraçado é que, dando esse poder às pessoas, tivemos uma taxa de retenção de 94% no primeiro semestre. Ou seja, as pessoas não cancelam porque estão satisfeitas”, diz Mauro Frota.

De acordo com o coach “fazer exercício, é o novo sair à noite” e realmente, há de tudo o que se possa encontrar num bar ou numa discoteca. “Um sistema de luzes profissional, uma música que passaria nas melhores discotecas do mundo, só falta mesmo a happy hour”.

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