Dietas sem glúten? A soja faz mesmo mal? Nutricionista desvenda 14 mitos atuais da alimentação

Com a moda do saudável, chegaram novos mitos. Uns com fundamento, outros nem tanto. Nuno Borges, da direcção da APN, desvenda alguns à MAGG.

Dietas sem gluten, ovos todos os dias, cortar de vez com o leite. Mas afinal, o que está certo?

Houve uma altura em que nos privávamos de comer laranjas depois do pôr do sol porque toda a gente sabe que de manhã é de ouro, que à tarde é de prata e que à noite mata. Mas não: pessoas saudáveis sem problemas digestivos podem comer este citrino rico em vitamina C à noite, porque ele não só não é mortal, como é um ótimo amigo da saúde.

A democratização do acesso à informação fez muitos destes antigos mitos caírem, mas a moda do saudável — que fez com que a população esteja muito mais atenta à nutrição e adote uma alimentação mais consciente — criou outros. Há quem diga que o óleo de coco é a melhor gordura de todas, mas há também quem afirme o contrário. Existem cada vez mais pessoas que estão a cortar o leite de vaca da alimentação, mesmo que não tenham nenhuma intolerância ou sintam desconforto com esta bebida. O glúten foi pelo mesmo caminho.

Nuno Borges, membro da direção da Associação Portuguesa de Nutrição, fala com a MAGG e esclarece, de uma vez por todas, se estamos perante mitos ou factos.

1. Devemos adotar uma dieta sem glúten?
Não, de forma nenhuma, apenas se houver um diagnóstico de doença celíaca ou qualquer outro problema relacionado com o consumo do trigo. Estes problemas todos, no seu conjunto, não afetam mais de 1% da população portuguesa. Para os outros 99%, evitar o glúten pode inclusivamente ser prejudicial.

2. Pessoas que seguem um regime vegano são mais saudáveis?
Depende com o que comparamos. Se compararmos com uma dieta rica em produtos processados, com muito açúcar e sal, então, sim. Comparada com uma dieta omnívora saudável, não parece haver qualquer vantagem.

3. O regime vegano pode deixar as pessoas doentes?
Sim, se não forem tomadas algumas precauções, nomeadamente com algumas vitaminas e minerais. Isto é especialmente crítico em crianças.

4. Os hidratos de carbono à noite engordam?
Sim, e de dia também. Existirão algumas situações muito específicas em que a ingestão noturna de hidratos de carbono poderá associar-se a maior ganho de peso, mas é sempre o balanço energético, ou seja, a diferença entre a energia que ingerimos e a que gastamos, que faz a diferença no peso.

5. Podemos comer os ovos que quisermos, todos os dias?
Não, de maneira nenhuma. A ingestão excessiva de ovos (podemos apontar para uma média de um ovo por dia) está relacionada com maior probabilidade de termos algumas doenças, nomeadamente cardiovasculares ou diabetes.

6. Devemos banir o leite de vaca da nossa alimentação?
De modo nenhum. O consumo de leite associa-se a melhores níveis de saúde, no geral.

7. As bebidas vegetais são um substituto do leite?
Apenas a bebida de soja, pelo seu teor proteico semelhante ao leite, pode ser considerada um bom substituto. Todas as outras bebidas vegetais têm um teor proteico baixo, o que associado a níveis de açúcares e outros hidratos de carbono geralmente altos, as tornam inadequadas para substituir o leite.

8. A gordura saturada afinal não faz mal?
É uma pergunta para a qual a resposta não é ainda definitiva, podendo depender mais do alimento onde vamos buscar esse tipo de gordura. Por exemplo, a gordura de leite é bastante inócua para a saúde (pode ser eventualmente protetora em alguns casos) mas o consumo de carne, sobretudo processada, confere mais probabilidade de virmos a ter algumas doenças.

9. A soja pode ser perigosa?
Dentro de um consumo normal, a resposta é não.

10. O azeite é a gordura mais saudável?
Toda a evidência disponível de momento leva-nos a dizer que sim.

11. O óleo de coco é melhor do que o azeite?
Não, de todo.

12. A manteiga faz mesmo mal?
Como sempre, vai depender da quantidade ingerida. Doses moderadas parecem não ter qualquer efeito negativo.

13. É melhor usar adoçante do que açúcar?
É uma pergunta de resposta ainda não totalmente clara. No que diz respeito à gestão do peso, parece que sim. Apenas não conhecemos os efeitos do uso de adoçantes a longo prazo sobre algumas doenças (sempre em comparação com o açúcar). De qualquer forma, é indiscutível que altos consumos de açúcar, nomeadamente através do consumo de refrigerantes, são bastante nocivos para a saúde, algo que não encontramos para os congéneres com adoçantes.

14. O mel engorda menos do que o açúcar?
Não, para o mesmo poder adoçante o efeito é bastante semelhante.

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