A 5 de junho Melania Geymonat, 28 anos, relatou no Facebook o ato de violência do qual ela e a companheira Chris foram vítimas, no autocarro que apanharam rumo a Camden Town, em Londres, Inglaterra.

“Subimos as escadas e sentámo-nos nos lugares da frente. Devemos ter dado um beijo ou qualquer coisa assim e apareceram uns homens. Não me lembro se já estavam lá ou se foram atrás de nós. Eram pelo menos quatro”, contou, na rede social.

A jovem continuou a relatar o episódio, contando que os homens começaram a fazer gestos sexuais e a insistirem para que as duas raparigas se beijassem. Apesar da tentativa de Melania para acalmar os ânimos, Chris levantou-se, indo em direção a eles. A namorada foi atrás. É neste momento que as duas são violentamente agredidas: “Fiquei tonta ao ver o sangue (…) Não me lembro se desmaiei ou não. De repente, o autocarro parou, a polícia estava lá e eu estava a sangrar”.

A fotografia que acompanhou a publicação nas redes sociais

Uma semana depois, as jovens falaram publicamente sobre a agressão, numa entrevista ao Channel 4 News. Geymonat, que é uma médica do Uruguai, a fazer um ano sabático e a trabalhar como assistente de bordo para a Ryanair, disse que aqueles homens apenas as viam como “objetos sexuais”, ali para “entretê-los”.

Questionada sobre se se sentia mais insegura na rua, Chris, americana, respondeu: “Quanto muito, estou mais confiante em mim mesma, porque sei que me vou defender.”

Já Melania Geymonat, que se mudou para o Reino Unido há um ano, em entrevista ao “The Times”, confessa que não sabe se irá sentir-se segura ao dar novamente a mão da companheira num autocarro durante a madrugada, relatando ainda que uma das suas amigas lhe disse para se “pôr a andar do país”, depois daquele incidente.

“Eles vieram para cima de nós porque nos veem como objetos sexuais”, disse ao jornal. “Não é a primeira vez que me acontece estar com uma namorada num encontro e homens a ficarem excitados por estarem a ver.

Descrevendo este facto como “humilhante” e confessando que há dez anos que vê isto a acontecer, Geymonat considera que a pornografia contribui para a visão de que mulheres homossexuais são objetos que existem para satisfazer o olhar masculino.

A médica contou ainda que entre os agressores, um falava espanhol, sendo que os outros tinham sotaque britânico. As duas mulheres foram, depois da agressão, levadas para o hospital, com lesões na cara. Segundo as jovens, as autoridades foram “extremamente” boas a lidar com a situação.

Ao Channel 4, sobre Boris Johnson, apontado como potencial futuro Primeiro-Ministro de Inglaterra — conhecido por fazer comentários homofóbicos, tendo já comparado o casamento homossexual a uma “bestialidade” — Chris considera que este “não é apto a liderar o que quer que seja, muito menos o Reino Unido.”

“Vá, beijem-se para nós vermos”. Casal gay agredido num autocarro em Londres

A vítima do ataque disse ainda que o candidato não é a única pessoa a ascender ao poder, com este tipo de visão e ideologia, considerando que este é só “uma pessoa num clima que está crescer.”

Theresa May, a ex-Primeira-Ministra, falou sobre o incidente, condenando o ataque: “Este foi um ataque doentio e os meus pensamentos estão com o casal afetado”, disse. “Ninguém jamais deverá esconder quem é ou quem ama e devemos trabalhar juntos para erradicar a violência inaceitável contra a comunidade LGBT.”

Jeremy Corbyn, lider do partido trabalhista, também falou publicamente sobre a agressão, descrevendo-a como “absolutamente chocante”, afirmando: “Não devemos e não vamos aceitar essa violência homofóbica e misógina na nossa sociedade.”

Mas houve mais figuras políticas a pronunciarem-se. Sadiq Khan, o Presidente da Câmara de Londres, disse: “Este foi um ataque nojento e misógino. Crimes de ódio contra a comunidade LGBT + não serão tolerados em Londres.”

Também Tulip Siddiq, membro do parlamento, se pronunciou, assim como o secretário de saúde Matt Hancock. Os dois consideram o ato horrendo, falando a favor da luta contra a homofobia.