Desde miúda que só me dou com pessoas estranhas,

Vou trocar isto por miúdos: gosto de desmitificar pessoas, descobrir o que lhes vai por detrás da carapaça. No fundo temos todos uma carga de histórias e um passado, e são eles que nos tornam mais ou menos sapientes, gratos e experientes.

E eu gosto de pessoas que não tenham medo de o ser. Que se mostrem vulneráveis, que admitam as suas falhas, fraquezas e fragilidades. Que agradeçam e que saibam que não é por passarem por cima de quem quer que seja, que irão mais rápido para aonde quer que seja. Que precisamos dos nossos para voar e de os apoiar para sermos e estarmos (ainda mais) felizes.

Gosto de pessoas de verdade, que não me cortem as pernas pelo prazer de as ver sangrar.

Gosto de quem saiba respeitar o próximo e de quem entenda a importância do Ser Humano acima de qualquer outra coisa. Dá-me um prazer tremendo viver lado a lado de quem defende os seus projetos, mesmo que para isso tenha de trabalhar de sol a sol.

Gosto de abraços intensos e de beijos também. Gosto de partilhar o sol, o mar, a praia e uma esplanada. Gosto de gostar de dizer que gosto sem medo de me espatifar ao comprido porque devia estar calada e controlar afetos, vontades e alegrias.

Não quero controlar emoções, sabores nem sentimentos. Quem está mal aqui não sou eu. Quem vive mal não será nunca a personagem verdadeira da peça em questão.

É de mim, ou o mundo está a ficar aborrecido e asfixiante?

Gosto de pessoas de carne e osso. Não suporto frases, como “vai-se andando”, “uns dias melhores, outros piores”, Porquê? Em prol de quê? Para quem? É a tua vida. Cabe-te a ti criá-la o melhor possível todos os dias.

E sabes porque é que os meus amigos são todos seres estranhos e lunáticos?

Porque nenhum deles tem medo de viver, de recomeçar, de se reinventar, criar, refazer.

Podem ter de trabalhar dia e noite, viver para explorar, ler, estudar e conhecer, mas vão à luta e nunca em tempo algum deixam de tentar fazer acontecer.

Todos os dias eu lhes agradeço por me inspirarem a não desistir e me ajudarem a amadurecer.

Sabem? Eu sei que, se cair, eles aqui estarão para me dizer “Anda daí Teresinha, ainda há muitos outros caminhos para conhecer”.