Numa altura em que se fala do aumento do consumo da canábis e que se concluiu que quase meio milhão de portugueses consomem esta droga regularmente, descobriu-se que esta pode ser uma prática mais antiga do que se imaginava.

Depois de uma escavação a antigos túmulos chineses, cientistas da Chinese Academy of Sciences e a Max Planck Institute encontraram vestígios de THC — tetrahidrocanabiol, a substância psicoativa da canábis — em dez queimadores de incenso de madeira, no cemitério de Jirzankal, perto dos Himalaias.

Isto leva a crer que o canábis já era consumido há 2500 anos, e que durante os funerais, as pessoas ficavam alteradas como forma de ajudar a comunicar com os mortos ou o divino.

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Nesta descoberta percebeu-se ainda que os níveis de THC eram bastante mais altos do que da planta de canábis selvagem, o que leva os cientistas a acreditar que as pessoas queimavam vários tipos de canábis com diferentes níveis desta substância.

Ainda que não se saiba exatamente quando se começou a cultivar esta planta pelas suas propriedades psicoativas, sabe-se que a canábis começou por ser cultivada na Ásia pelas raízes e fibras pelos menos em 4000 AC.

“As perspetivas modernas sobre a canábis variam imenso de cultura para cultura, mas é óbvio que esta planta tem uma longa história de consumo humano, quer seja para fins médicos, recreativos ou de rituais, há vários milénios”, explica Robert Spengler, um dos responsáveis do estudo, ao “The Independent“.