Em 2040, maior parte da “carne” não virá de animais abatidos, sugere relatório

O documento aponta para que, nesse ano, 35% da carne seja cultivada em cubas e que 25% conte com substitutos veganos.

Há cada vez mais marcas que adotam técnicas diferentes para criarem soluções sustentáveis para o consumo de carne

A previsão aponta para que em 2040 a maior parte do consumo de carne não tenha origem em animais abatidos, estimando-se que 60% desta parte da alimentação seja cultivada em cubas ou substituídas por produtos de base vegetal. A aparência e sabor serão semelhantes ao produto de origem animal, de acordo com o relatório publicado pela consultora global AT Kearney.

Mais pormenorizadamente, o documento aponta para que, nesse ano, 35% da carne seja cultivada em laboratório (sem ser necessário sacrificar e criar o animal) e que 25% conte com substitutos veganos.

A indústria pecuária em larga escala é vista por muitos como um mal desnecessário. Com as vantagens de novos substitutos de carne vegan e carne cultivada em relação à carne produzida convencionalmente, é apenas uma questão de tempo até que eles conquistem uma fatia substancial do mercado”, diz o relatório, que, para chegar a conclusões, se baseou em várias entrevistas com especialistas, que sublinharam também os impactos ambientais da produção de carne.

Apesar dos biliões que rendem à industria da carne anualmente, muitos estudos já vieram confirmar que este mercado tem um papel predominante na destruição do Planeta, seja pela quantidade de gases emitidos para a atmosfera, seja pela poluição de rios ou habitats destruídos.

A consciência e alarme ambiental serão capazes de alterar o paradigma. Exemplo disso são empresas, citadas pelo “The Guardian“, como a BeyondMeat ou a Impossible Foods que adotam técnicas de produção para conseguirem criar o equivalente à carne, sem prejudicar o ambiente, disponibilizando soluções sustentáveis para o consumo de hambúrgueres ou ovos mexidos, por exemplo.

De acordo com a consultora global, estima-se que já tenham sido investidos milhares de milhões em produtos vegan, inclusivamente por empresas que dominam o mercado convencional da carne.

Mas há quem esteja a recorrer a técnicas mais complexas. Segundo o jornal inglês, há empresas a trabalhar no cultivo de células de carne, de forma a produzir o produto original, sem ser necessário criar e matar animais. Apesar desta solução ainda não ter chegado ao consumidor, a consultora prevê que este seja um produto dominante no mercado, uma vez que nos traz o alimento mais próximo do original, contrariamente aos que são produzidos com bases vegetais — que serão, no entanto, fundamentais numa fase de transição.

“A mudança para estilos de vida flexitarianos, vegetarianos e vegan é inegável, com muitos consumidores a reduzirem o seu consumo de carne, como resultado de se estarem a tornar mais conscientes em relação ao meio ambiente e ao bem-estar animal”, disse Carsten Gerhardt, sócio da AT Kearney, citado pelo “The Guardian”.

“Para comedores de carne apaixonados, o aumento previsto de produtos de carne cultivada significa que eles ainda vão conseguir desfrutar da mesma dieta que sempre tiveram, mas sem o custo ambiental e animal associado.”

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