Mariyka Sovenko. Como está a única pessoa que nasceu na zona de exclusão de Chernobyl?

Viveu até aos 7 anos na zona contaminada pela radiação. Hoje tem 19 anos, é estudante de turismo e está saudável.

Os pais da jovem atualmente com 19 anos não sairam da zona de exclusão porque a União Soviética não lhes atribuiu uma nova morada

Mariyka Sovenko não faz parte das personagens que integram a série “Chernobyl”. No entanto, é uma figura importante na história do desastre nuclear da União Soviética que aconteceu em 1986, na cidade junto a Pripyat, na Ucrânia. Foi a única pessoa que nasceu nesta zona, mesmo após os seus habitantes terem sido evacuados, pelos riscos de saúde a que estavam expostos devido à contaminação radioativa.

Filha de Lydia e de Mikhail, um dos bombeiros chamados ao reator 4 da central na noite da explosão, cresceu numa área contaminada e que, até hoje, não é habitada, com exceção dos pais, que se recusaram a deixar a cidade, uma vez que a União Soviética não lhes deu uma nova morada, ou seja, uma casa onde pudessem viver.

Foi só no momento do nascimento da filha que Lydia percebeu que estava grávida, tendo dado à luz com a ajuda do marido. Assim que a notícia do nascimento de um bebé em Chernobyl se tornou pública, Lydia foi tratada como “uma criminosa” porque teve um bebé naquela zona, tendo-se recusado a abandonar a sua casa, diz o “Daily Mail

Ignorado os avisos emitidos pelo governo, relativos aos perigos para a saúde do contacto com aquela radiação, Lydia educou Mariyaka naquela cidade. A menina bebeu leite de vacas que pastavam em terras, potencialmente contaminadas pela radiação, assim como mergulhou em águas também infetadas.

Mariyka Sovenko e a mãe Lydia, na zona de exclusão

“Se elas [as pessoas] acham que ela é uma mutante ou tem duas cabeças, estão completamente enganadas”, disse Lydia, pela altura em que Mariyaka já tinha 5 anos. “Ela é uma criança adorável, absolutamente saudável, tanto quanto podemos ver.”

Numa entrevista que deu em 2006, a criança disse: “Eu gostava que houvesse apenas outra criança aqui. Eu podia mostrar-lhe a minha casa e a aldeia — podíamos divertir-nos muito”

Apesar da pressão para mudarem de cidade por parte das autoridades, os pais de Mariyaka não cederam. Preferiram continuar naquela casa. No entanto, aos 7 anos, mudaram-se, de modo a que a filha pudesse ir para a escola.

No sequência do sucesso da série, disponível na plataforma de streaming da HBO, que trouxe a história do desastre nuclear novamente para cima da mesa, Mariyaka, agora com 19 anos, deu uma entrevista ao “Sunday Express”. Não querendo falar sobre o seu passado, avançou que está saudável, que é estudante de turismo e que trabalha num bar.  “Estou bem. Estou a trabalhar.”

Ainda que viva e trabalhe fora da zona de exclusão onde cresceu (está em Kiev), a estudante — que frequenta numa instituição reputada — ainda consegue autorização para lá entrar, uma vez que a mãe, hoje com 66 anos, ainda vive lá.

A saúde e sucesso da jovem é encarado como um sinal, juntamente com o renascimento da vida animal e vegetal, hoje com mais alces, javalis, lobos, pássaros ou flores selvagens.

“As pessoas daqui acreditam que Mariyka é um símbolo do renascimento de Chernobyl, um sinal de Deus que eles interpretam como uma bênção para viver aqui, de que a vida está a voltar para este lugar arruinado.”

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. [email protected]