Em 1986, no norte da Ucrânia, deu-se uma grande explosão no quarto reator de uma central nuclear perto da cidade de Pripyat. Na altura ninguém percebeu bem o que se estava a passar, nem sequer os homens e mulheres que trabalhavam no local. Hoje, o que aconteceu em Chernobyl é reconhecido como um dos maiores desastres nucleares de sempre.

Este ano a HBO estreou uma minissérie, “Chernobyl“, que retrata em jeito documental o que aconteceu na altura. A série tem conquistado o público e críticos — já é uma das séries mais bem cotadas no IMDb —, e contribuído para um aumento do turismo. A reserva de viagens para Chernobyl aumentou 50%, de acordo com os dados de uma agência de viagens, citada pela agência Reuters.

Cartas de Anne Frank escritas para a avó vão ser publicadas pela primeira vez

Se estiver interessado em visitar o local onde tudo aconteceu, existem empresas, como a Chernobyl Tour ou a Get Your Guide, que organizam expedições às zonas abandonadas e contaminadas.

Há várias modalidades, desde visitas que duram uma cinco dias a visitas que duram apenas um. Até existe uma com base na série da HBO. Os preços variam de acordo com a duração da visita — se for de cinco dias, pode custar até 720€ por pessoa.

Segundo a plataforma TripAdvisor, estas visitas percorrem vários pontos importantes da zona. Passagens pela cidade de Pripyat, pela central nuclear que explodiu, hospitais abandonados, florestas e até pelo parque de diversões.

Que personagens de “Chernobyl” são inspiradas em pessoas reais

As excursões, que podem ser feitas em grupo, partem todas de Kiev e incluem ainda estadia num hotel daquela zona, transporte e refeições na cantina de Chernobyl, por exemplo. Quanto mais dias demorar, mais locais vai visitar. No que diz respeito à visita mais curta, de um dia, os preços podem variar entre os 79€ e os 103€ por pessoa. O programa leva-o apenas aos locais chave da região.

As deformações dos animais que vivem na zona de exclusão de Chernobyl

Seja qual for a modalidade escolhida, há regras que todos os operadores turísticos impõem aos visitantes. Reunimos oito.

1. Não pode ter nenhum pedaço de pele à mostra

Ainda existe radiação em algumas zonas afetadas pelo desastre nuclear. Por isso, os visitantes devem estar cobertos da cabeça aos pés. Ou seja, devem usar roupas e calçado que protejam o máximo do corpo. Saias, calções, leggins ou calças com rasgões são expressamente proibidos.

2. Todas as informações sobre o visitante devem bater certo

De acordo com informações disponibilizadas pela TripAdvisor, é obrigatório que os visitantes andem sempre com o passaporte. Toda a informação referente à reserva tem que ser confirmada. Se as informações não baterem certo e se for identificado algum erro no passaporte, pode acabar por não realizar a visita.

A queda do helicóptero em “Chernobyl” aconteceu mesmo

3. Ao ar livre não se come

As marmitas volantes são uma característica das visitas de estudo. Na escola, por exemplo, os miúdos costumam pedir aos pais que se esmerem nas refeições que levam sempre que vão passear. Por vezes, durante as visitas é normal parar para comer, noutras tem que se comer enquanto se anda.

Em Chernobyl, a situação é diferente — não fosse o local estar cheio de radiação no ar. Durante a visita é expressamente proibido comer ao ar livre, bem como fumar. Também não são permitidas drogas ou bebidas alcoólicas.

4. Não mexa em tudo o que vê

Como já foi mencionado várias vezes, ainda existe radiação a contaminar o ar das zonas afetadas pela explosão. Mas não é só o ar que está contaminado. Plantas, edifícios e cogumelos, são outros exemplos que ainda podem conter radiação.

Desta forma, os visitantes estão proibidos de tocar em edifícios, árvores, plantas, bem como apanhar e/ou comer produtos que foram cultivados naquela zona, como cogumelos, bagas ou frutos. A não ser que seja um cientista que pretende analisar alguma amostra, não pode tocar em nada. Também não se podem sentar no chão.

Outra coisa que não pode tocar no chão são as máquinas fotográficas ou as câmaras de vídeo.

Em que é que “Chernobyl” acertou e errou sobre o desastre nuclear?

5. Nem pense em levar qualquer tipo de recordação

Da mesma forma que não pode tocar em nada que esteja no local, também não pode levar nada para casa.

6. Nem toda a água pode ser bebida

De acordo com a SoloEast, os visitantes estão proibidos de beber água diretamente dos poços, rios ou de outras fontes presentes ao ar livre. Assim, só podem beber a água que trazem de casa e, se por acaso não levaram nenhuma garrafa de água, podem beber a do sistema de abastecimento de Chernobyl ou comprar uma garrafa numa das lojas.

50 fotos que mostram como era Pripyat antes do desastre de Chernobyl

7. Peça um radiómetro

Segundo a Chernobyl Tour, é aconselhado levar um radiómetro ao longo do passeio. Porquê? Porque assim poderá ver os níveis de radiação que existem nos locais por onde passa. O assessor científico da empresa, Sergii Mirnyi, explica que “ir à zona de Chernobyl sem um desses aparelhos é como ir a um passeio normal com os olhos vendados.”

De acordo com site, alugar um radiómetro custa pouco mais de 8€.

8. Cumpra todas as regras e não se afaste

Para que tudo corra bem ao longo da visita, os visitantes só têm que cumprir estas regras já mencionadas, bem como cumprir as regras de segurança de radiação, os regulamentos de saúde e os de segurança. Também é aconselhado que cumpram todas as instruções dadas pelo guia da visita e que nunca se afastem das rotas traçadas. Nem do guia, claro.