Há quem leve a astrologia tão a sério ao ponto de coordenar os seus compromissos com a posição dos planetas. Depois há quem se diga céptico, mas não resista a ler as previsões do seu signo nas revistas cor de rosa, e ainda aqueles que fogem a sete pés desta área e não lhe reconheçam qualquer valor.

Mas se lhe é difícil acreditar que o dia, hora ou local de nascimento tenha alguma coisa a dizer sobre o futuro, vamos então abrir horizontes e falar apenas da época do ano e perceber se nascer numa época de chuva ou de calor de 40 graus pode ou não influenciar a nossa vida.

Uma investigação de 2010, feita com ratos em laboratório, descobriu que os animais nascidos sob condições para simular o inverno ajustaram-se pior quando as mesmas condições simularam a época de verão, piorando os hábitos alimentares e os níveis de atividade.

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Por outro lado, os ratos que nasceram num verão simulado não tiveram qualquer problema em adaptarem-se às condições invernosas. Um segundo estudo com os mesmos animais concluiu que que o gene do cérebro que controla o ritmo circadiano estava, em média, menos ativo nos ratos nascidos no inverno.

Tal como este estudo, existem dezenas de outros nos últimos seis anos, conduzidos por cientistas, que tentaram alargar estas descobertas aos seres humanos, em busca de padrões de comportamento ligados à época do ano do nascimento — seguem-se algumas das conclusões, publicadas originalmente num artigo da revista “Time”.

Primavera

Pessoas nascidas nos meses de março, abril e maio têm níveis mais altos de hipertimia (excitabilidade emocional excessiva ou emotividade excessiva), o que pode fazer com que sejam pessoas otimistas e com tendência a ver o “copo meio cheio”, mesmo quando o cenário não parece o melhor.

Por outro lado, as pessoas nascidas na primavera também são suscetíveis ao oposto da hipertimia — e aqui falamos da depressão clínica. De acordo com um estudo britânico de 2012, que teve uma amostra de 58 mil indivíduos, a depressão atingia maioritariamente pessoas nascidas no mês de maio, com novembro a ser o mês com a taxa mais reduzida em relação ao surgimento da patologia.

Verão

As pessoas nascidas nos meses de junho, julho e agosto têm algumas das características de hipertimia dos nascidos na primavera, mas tal pode ser ocultado pela ciclotimia (condição psicológica caracterizada por ciclos de excitação e euforia alternados com ciclos de depressão e apatia). No entanto, tal não quer dizer que estas tenham uma tendência para a doença bipolar — aliás, os diagnósticos de bipolaridade são reduzidos em pessoas nascidas em agosto.

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Outono

Se nasceu durante o outono, saiba que as pessoas nascidas entre setembro e novembro apresentam os níveis mais baixos de depressão, bem como uma probabilidade reduzida de desenvolver a doença bipolar. No entanto, são pessoas com mais tendência para se irritarem.

Inverno

Esta é a época do ano menos animadora: os meses de dezembro, janeiro e fevereiro apresentam os níveis mais altos de esquizofrenia, doença bipolar e depressão. No entanto, existe uma compensação — de acordo com um estudo de 2015, embora com uma amostra bastante reduzida de 300 celebridades, os meses de janeiro e fevereiro apresentam uma maior correlação entre os nascimentos e a criatividade, imaginação e facilidade em resolver problemas.