É conhecido pelas letras CBD, mas o seu nome verdadeiro é canabidiol. Se está a pensar em cannabis, não está totalmente errado, uma vez que o canabidiol é um dos mais de 100 canabinóides presentes na planta cannabis. E é aqui que começam os problemas: a Organização Mundial de Saúde já afirmou publicamente que o CBD é seguro e tem elevado potencial terapêutico, no entanto nem todos os países permitem a sua venda.

É o caso dos Estados Unidos. No entanto, isto pode estar prestes a mudar: esta sexta-feira, 31 de maio, a Food and Drug Administration (FDA), a principal agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, vai discutir a proibição de adicionar CBD em produtos.

E é aqui que entra a conhecida marca de gelados Ben and Jerry’s, que já apoiou publicamente a legalização de bebidas e comida com CBD. Mais: nas palavras de Matthew McCarthy, CEO da marca, a empresa desenvolveu um gelado à base de CBD.

A diferença entre CBD e THC

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Muito diferente do canabinóide THC (delta9-tetrahidrocanabinol), que pode ter efeitos psicoativos e é procurado sobretudo para fins recreativos, o CBD não tem efeitos psicoativos, não causa estados de euforia, não causa dependência e pode ter efeitos promissores em diversas doenças, como por exemplo a epilepsia e a ansiedade.

“Ouvimos os nossos consumidores”, disse num comunicado publicado esta quinta-feira, 30. “Nós queremos amar os nossos fãs mais do que eles no amam, e queremos dar-lhes tudo o que eles procuram de uma forma divertida”.

De acordo com a Comissão Europeia, cabe a cada país decidir se o CBD é um medicamento ou um suplemento alimentar. “Se for classificado como medicamento, a legislação da UE [União Europeia] exige que seja emitida uma autorização de introdução no mercado (AIM) pela entidade competente antes da respetiva colocação no mercado”, disse Anca Paduraru, porta-voz para os projetos da UE relativos à Saúde, Segurança Alimentar e Energia.

Ainda no ano passado, a Assembleia da República aprovou a regulamentação da utilização da cannabis medicinal. No entanto, o óleo de CBD, que já era comercializado em Portugal enquanto suplemento alimentar, desapareceu após a aprovação da lei. Neste momento, o impasse mantém-se entre o Infarmed e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).