Certamente que já aconteceu sair de casa e esquecer-se de levar o almoço. Por ser mais rápido e mais barato, passa pelo supermercado para comprar uma daquelas refeições rápidas, que já vêm pré-feitas e basta aquecer no micro-ondas para ficar pronta. Só para desenrascar.

Qual a diferença entre comida processada e ultraprocessada?

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Comida processada: os alimentos são feitos em casa ou numa indústria e levam produtos culinários, como o sal ou o açúcar, de modo a durarem mais tempo.

Comida ultraprocessada: essencialmente, são alimentos que estão prontos a ser consumidos. São produtos industriais feitos maioritariamente com substâncias extraídas de alimentos, como óleos, gorduras ou açúcar, derivados de constituintes de alimentos, como gorduras hidrogenadas, ou sintetizadas em laboratório com base em matérias orgânicas como petróleo e carvão, os conhecidos corantes, aromatizantes, entre outros.

Uma vez muito de vez em quando não é prejudicial. Só que o caso muda de figura quando ocasional se torna frequente. De acordo com o jornal “The Guardian“, foram publicados dois estudos que indicam que quem come comida ultraprocessada tem um maior risco de ter um ataque cardíaco — ou até mesmo cancro.

Então e o que é comida ultraprocessada? Refeições instantâneas, enlatados, congelados, fritos, doces, gelatinas industrializadas, refrigerantes, temperos prontos, margarinas, massas instantâneas, bolachas, salgados. Há mais: sopas instantâneas, nuggets, panados de aves e peixes, barras de chocolate e doces, petiscos e salgados embalados.

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Estes são apenas alguns exemplos de alimentos ultraprocessados. De um modo geral, passaram por técnicas e processamentos que envolveram elevadas quantidades de sal, açúcar, gorduras, óleos, entre outros.

No primeiro estudo, realizado por uma equipa de investigadores da Universidade de Paris, foram analisadas, durante mais de cinco anos, as dietas e o estado de saúde de mais de 105 mil pessoas. Segundo esse estudo, as pessoas que consumiram alimentos mais ultraprocessados corriam um risco maior de AVC, ataque cardíaco ou outros problemas cardiovasculares.

No entanto, o estudo não prova que esses alimentos são os causadores das doenças, mas Mathilde Touvier, um dos membros da equipa de investigação, disse que há evidências suficientes para que as autoridades de saúde pública aconselhem as pessoas a reduzirem a ingestão desses alimentos.

“O público deve evitar esses alimentos tanto quanto podem. Precisamos de voltar às dietas mais básicas”, afirmou.

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Já no segundo estudo, realizado na Universidade de Navarra, em Pamplona (Espanha), foram analisadas as dietas e a saúde de 20 mil pessoas entre 1999 e 2014. Ao longo da investigação, morreram 335 pessoas.

De acordo com esse estudo, citado pelo “The Guardian”, as pessoas que comiam alimentos ultraprocessados cerca de quatro vezes por dia tinham 62% de mais hipóteses de morrer. A líder da investigação, Maria Bes-Rastrollo, afirmou que o aumento da taxa de mortalidade deve-se ao aumento do consumo de alimentos ultraprocessados.

“Os alimentos ultraprocessados ​​são, predominantemente ou totalmente, feitos de substâncias industriais e contêm pouco ou nenhum alimento integral. Eles estão prontos para aquecer, beber ou comer”, revelou.

Em declarações ao “The Guardian”, a diretora de política alimentar da City University London, Corinna Hawkes afirmou que está na altura de os governos atuarem sobre esta questão dos alimentos processados.

“Os governos devem fazer mais para reduzir de forma abrangente a disponibilidade, acessibilidade e apelo de alimentos processados, gorduras, açúcares e sal”.