A Disney continua a apostar em filmes live-action. Primeiro foi “A Bela e o Monstro“, depois o “Dumbo” e agora, a 23 de maio, estreou-se “Aladdin“. O filme bateu recordes de bilheteiras no fim de semana de lançamento em Portugal, com mais de 54 mil espectadores a visitar as salas de cinema um pouco por todo o País. Apesar das críticas negativas — há quem considere o visual de Will Smith como Génio da Lâmpada bizarro, ou defenda que o filme não é capaz de captar a magia do original de 1992 —, “Aladdin” tem conseguido atrair o público.

A história do jovem que sobrevive nas ruas remonta ao século XVII, quando Antoine Galland se tornou no primeiro europeu a traduzir um conjunto de histórias medievais árabes, conhecidas como “As Mil e Uma Noites: Contos Árabes”. O francês publicou sete volumes entre 1704 e 1706. No entanto, escreve a revista “Time“, a história de Aladdin pode ser mais antiga — e inspirada numa pessoa real.

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Galland publicou a história de Aladdin em 1712 e, segundo a mesma publicação, os estudiosos não encontraram nenhum manuscrito antes dessa data. Num diário, o francês afirma que ouviu a história de um sírio chamado Hanna Diyab, em 1709, quando tentava completar as suas traduções.

“Quando Galland ficou sem histórias no seu manuscrito árabe das [Mil e uma] Noites, o seu editor inseriu histórias de uma coleção turca no oitavo volume [em 1709] para atender às necessidades do público. Isso irritou Galland e levou-o a procurar histórias para preencher mais volumes”, explicou o brasileiro Paulo Lemos Horta, autor do livro “Marvellous Thieves“, sobre a história que inspirou o filme da Disney.

Ao conhecer Diyab, um viajante de Alepo, na Síria, Galland perguntou-lhe se conhecia histórias das Mil e Uma Noites. A resposta foi afirmativa. Nessa altura, o sírio contou a história de Aladdin, bem como a de Ali Baba e os 40 Ladrões, que serviu para completar o 12.º volume dos manuscritos de Galland, publicados em 1717.

“Não sabemos se Diyab criou a história juntando elementos que ouviu de outros contadores de histórias, ou se ouviu toda a história e a escreveu num manuscrito, ou se encontrou um manuscrito perdido e o passou a Galland”, diz Paulo Lemos Horta.

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Mas então de onde veio a verdadeira história contada por Hanna Diyab e publicada por Antoine Galland? Segundo a revista “Time“, vários estudiosos acreditam que Aladdin é baseado numa pessoa real, apesar dos elementos fantásticos que conhecemos — como o tapete voador ou o génio da lâmpada.

E a fonte de inspiração pode ser Diyab. Num diário encontrado pelo historiador Jérôme Lentin em 1993, o sírio escreveu que realmente tinha contado a história a Galland. Nesse diário, Diyab descreveu a sua educação e a forma como ficava maravilhado com as joias e riqueza de Versalhes.

Nesse diário, são descritos também alguns detalhes de um palácio luxuoso que acabou por aparecer na história de Galland, bem como a forma como Diyab foi apresentado ao rei Luís XIV pelo seu companheiro de viagem e “ladrão de sepulturas”, Paul Lucas — fazendo lembrar a apresentação de Aladdin ao sultão e pai de Jasmin.

“Lucas insistiu que Diyab se vestisse de acordo como estereótipo oriental — uma túnica comprida, calças pantalonas largas, um lenço de tecido, um cinto, um punhal de prata e uma capa de pele do Cairo. Também foi convidado a carregar uma jaula com duas jerboas [um roedor do deserto] para apresentação ao ‘sultão da França'”, contou Paulo Lemos Horta.

“Essa é uma revisão alucinante da nossa compreensão sobre de onde veio a história — o reconhecimento de que Aladdin não é apenas a fantasia de um estudioso e tradutor francês de 60 anos de idade, mas que nasceu através das habilidades narrativas e da experiência distinta de um viajante de 20 anos de Alepo”, afirmou o autor.