Lágrimas, emoção e despedidas. Assim foi o documentário de “A Guerra dos Tronos”

Kit Harington chorou na leitura do último guião, enquanto a ideia de ser Arya a matar o Night King arrancou palmas e gritos de euforia.

Kit Harington ficou chocado quando percebeu que seria a sua personagem a matar Daenerys, interpretada por Emilia Clarke

HBO

Se houvesse dúvidas quanto à dimensão da série da HBO, o mais recente documentário sobre “A Guerra dos Tronos” procurou desfazê-las durante quase duas horas. Com imagens inéditas das gravações e bastidores, “A Guerra dos Tronos: A Última Patrulha” mostra como foi criar a última e mais complicada temporada da história que começou a ser contada em televisão em 2011.

A diferença é que, ao contrário do que aconteceu nas temporadas anteriores, a última série de episódios chegou a custar cerca de 13 milhões de euros por hora. A pressão estava do lado de toda a equipa de produção, que fez questão de dar corpo à visão de David Benioff e Dan Weiss — os criadores da adaptação dos livros de George R.R. Martin.

Deborah Riley, responsável por todo o design da série, explicou que as temporadas anteriores serviram como uma espécie de teste para aquilo que viria a ser a oitava.

“Tudo o que fizemos nas temporadas quatro, cinco, seis e sete foi treinar e preparar tudo o que víramos a fazer nesta última”, ouve-se no documentário.

A ideia de que estamos perante uma produção de larga escala semelhante às de Hollywood pode parecer descabida apenas aos mais desatentos. Na verdade, é um dos produtores que diz que a produção de “A Guerra dos Tronos” se assemelha em tudo à de um filme, mas com duas únicas diferenças: o orçamento disponível e o tempo necessário.

“A produção desta série é tal como a de uma longa metragem em termos de conteúdo. Isso obriga-nos a fazer as coisas de forma mais rápida e por menos dinheiro”, explica outro dos produtores.

E a verdade é que a última temporada da série da HBO foi a mais curta de todas, com apenas seis episódios. Além das consequências narrativas que isso trouxe (e que os críticos fizeram questão de apontar), teve também impacto na vida das pessoas que trabalhavam diariamente para que a última temporada correspondesse às expectativas dos fãs e dos criadores.

Sarah e Barrie Gower, responsáveis pelo departamento de maquilhagem e próteses utilizadas pelos extras, foram obrigados a viajar pela Europa durante todo o processo de filmagens. Isso implicou deixarem a filha sozinha em casa com o resto da família.

Durante o documentário, Sarah fala com a filha através de uma videochamada e emociona-se por não estar com ela há vários meses.

“Esta última temporada obrigou-nos a estar fora e a deixar a nossa filha em casa. Não é a situação ideal”, lamenta Sarah enquanto tenta combater as lágrimas.

Mas a dimensão do projeto é comprovada não só através da quantidade de extras que são utilizados, mas também na forma como os cenários são montados para todas as cenas. A neve em Winterfell, a região pertencente à casa Stark, não é real embora pareça.

Na verdade, há um técnico responsável por pintar todo o cenário através de uma mistura de água e papel cortado em pedaços muito pequenos. O objetivo é espalhar o papel pelos terrenos para que fiquem totalmente cobertos de branco para as gravações — que podem ser mais ou menos exigentes consoante a cena em questão.

Mas seja ela qual for, há quase sempre uma certeza: a existir extras (que podem chegar aos 350) todos eles têm de experimentar a roupa que vão utilizar, mesmo que façam parte da série desde o início. É o caso de Andrew McClay, que aparece no documentário como um soldado da casa Stark há vários anos.

“É um dos fãs da série desde o início e todos os anos temo-lo aqui a experimentar a roupa que vai usar nas gravações. E vem sempre com o mesmo entusiasmo. É um obcecado pela série”, explica um dos responsáveis pelo guarda-roupa.

E a verdade é que fazer parte de “A Guerra dos Tronos” sempre foi um sonho de Andrew, que cresceu com a influência dos livros originais. “É interessante porque entre as gravações vamos falando entre nós para tentar perceber o que vai acontecer no final. É incrível”, revela.

O choque de Kit Harington na leitura do último guião

Já as gravações são muito intensas e obrigam a todo um role de prova de roupa, maquilhagem e leitura dos argumentos — que são destruídos depois de cada sessão para impedir que sejam expostos na internet antes da estreia oficial dos episódios.

Foi numa destas sessões que Kit Harington (Jon), Emilia Clarke (Daenerys) e Maisie Williams (Arya) souberam pela primeira vez do desfecho das suas personagens. E se a ideia de ser Arya a destruir o Night King e os White Walkers arrancou palmas e gritos de euforia, os momentos finais entre Jon e Daenerys levaram os atores às lágrimas.

Durante a leitura do argumento, Kit Harington fica chocado assim que a interação final entre os dois começa a ser lida. Na cena, o conforto do abraço entre Jon e Daenerys dá lugar ao choque e à surpresa assim que é revelado que Jon acaba a assassinar a mulher que ama depois de esta ter destruído King’s Landing.

Incrédulo, Kit Harington chora e Emilia Clarke não fica indiferente à despedida, ainda que por enquanto apenas em papel, da história e do convívio diário com aquela que deixou de ser apenas uma equipa e passou a ser família.

Mas o ambiente de despedida manteve-se com as últimas cenas de Iain Glen (Jorah), Conleth Hill (Varys). Enquanto Conleth fica a saber que a personagem de Emilia o condena à morte por traição, Iain percebe que vai a sua história acaba no quarto episódio — a defender a rainha numa batalha que demorou semanas a ser gravada.

Além das lágrimas e da emoção de ver uma série com oito anos a chegar ao fim, o documentário (que parece série uma espécie de agradecimento a toda a equipa responsável pela adaptação) revela ainda algumas curiosidades sobre a produção. Contamos-lhe tudo de seguida.

  1. Em primeiro lugar, ficamos a saber que os lobos gigantes usados na série só podem correr até 30 quilómetros por hora. E são um dos extras mais difíceis de implementar nas cenas.
  2. Por não ser possível destruir Dubrovnik, na Croácia, a equipa da HBO teve de construir King’s Landing de raiz em Belfast para que Daenerys e o dragão destruíssem a cidade no penúltimo episódio. O cenário demorou sete meses a ser montado.
  3. O elenco recebeu os argumentos da temporada apenas três dias antes da primeira leitura em conjunto.
  4. Por baixo da peruca usada por Emilia Clarke havia ainda uma outra camada para esconder as raízes mais negras do cabelo da atriz.
  5. A carrinha de comida junto aos estúdios chamava-se “Carrinha do Ataque Cardíaco”. A produção quis implementar opções saudáveis, mas os atores procuravam bacon, Coca-Cola e outros produtos que os fizessem manter “acordados” e com a adrenalina necessária.
  6. Personagens como The Waif, Jaqen ou o Night King estavam sempre nos estúdios mesmo que não tivessem nada para gravar. O objetivo era confundir aqueles que procurassem revelar fosse o que fosse da nova temporada.
  7. Da mesma forma, Kit Harington esteve em Espanha quando todas as suas cenas já tinham sido gravadas.

“A Guerra dos Tronos: A Última Patrulha” estreou esta segunda-feira, 27 de maio, em exclusivo na HBO Portugal.

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