Esta mulher desenvolveu 2.500 personalidades para sobreviver às violações do pai

Jeni foi agredida e violada ao ponto de ter de ser submetida a cirurgias. As múltiplas personalidades ajudaram-na a sobreviver.

Jeni não fazia ideia de que era suposto ter apenas uma personalidade

Jeni Haynes tinha apenas 4 anos quando foi violada pela primeira vez pelo pai. Foi nessa altura que surgiu Symphony, uma das suas primeiras personalidades. “Eu não sabia que era suposto termos apenas uma”, contou este domingo, 26 de maio, ao programa “60 Minutes Australia“. Quanto Symphony já não aguentava mais, nasceu Little Ricky, Muscles e tantos, tantos outros. Num só dia, Jeni é capaz de apresentar 2.500 personalidades diferentes.

Foi um dos casos de abuso sexual mais graves da Austrália. Em fevereiro de 2017, Jeni Haynes conseguiu finalmente que o pai fosse extraditado do Reino Unido para iniciar o julgamento por abuso sexual. As alegações eram de tal forma sérias que o tribunal temia que o júri pudesse ficar psicologicamente traumatizado.

Jeni Haynes foi violada entre os 4 e 14 anos

Compreende-se porquê. Nas imagens divulgadas pela polícia ao “60 Minutes” (a partir dos 23 minutos e 44 segundos), vemos o estado de descontrolo em que Jeni Haynes fica quando regressa à casa em Sydney onde foi violada consecutivamente. “Oh meu Deus, respira fundo, tu consegues fazer isto”, ouve-se dizê-la enquanto leva os polícias à antiga sala de trabalho do pai.

As imagens são chocantes. Jeni reconheceu o banco de madeira onde foi abusada, assim como a cama: “Foi aqui que ele me obrigou a ficar na ponta enquanto me violava”. De seguida visitaram o barracão ao lado da casa, um local que Haynes descreveu como sendo “possivelmente um dos quartos mais aterrorizantes do universo”.

A visita terminou na lavandaria. Jeni apontou para a máquina de levar e disse: “O compartimento para centrifugar a roupa onde ele me violou vezes sem fim”.

Jeni Haynes teve de ser sujeita a múltiplas cirurgias para reconstruir o cóccix, intestinos e ânus devido aos ataques brutais que sofreu durante dez anos.

As múltiplas personalidades de Jeni testemunharam em tribunal

Quase 90% dos casos de perturbação de identidade dissociativa (PID), anteriormente denominada perturbação de personalidade múltipla, envolvem algum tipo de trauma ou abuso. “A Jeni nasceu e o meu pai começou a abusá-la”, contou. Portanto, continua, “foi criado um alter ego para que Jeni já não precisasse de aguentar o abuso sexual do pai”. Nasceu assim Symphony. Quando já nem Symphony aguentava, surgiu outro. E assim consecutivamente.

A infância de Jeni foi um verdadeiro filme de terror

“Não se trata de uma doença mental ou de jogos tontos, em que finges ser outra pessoa”, explicou no “60 Minutes”. “Estás a proteger-te. Estás a proteger a tua alma, e foi isso que eu fiz.”

Todas as 2.500 personalidades de Haynes têm vozes e características próprias. Symphony por exemplo é uma menina com 4 anos, enquanto Little Ricky é um rapaz de 8. Muscles é uma adolescente viciada em bicicletas.

Todas estas personalidades testemunharam em tribunal. Em apenas duas horas, o pai, hoje com 74 anos, voltou atrás e admitiu finalmente de que era culpado pelos crimes. “Ele declarou-se culpado porque estava a morrer de medo de ouvir a Symphony testemunhar sobre tudo o que ele fez com ela”, disse Jeni.

Como vítima de abusos sexuais, Jeni poderia ter mantido o anonimato. Mas isso significaria que o pai também, por isso a mulher de 49 anos decidiu contar a sua história em público.

Richard considerou-se culpado pelos crimes de violação, abusos e agressões na sua cada de Sydney, durante os anos 70 e 80.

O pai declarou-se culpado

“O meu pai infligiu um abuso violento, sádico e grave que era completamente inevitável, inescapável e com risco de vida. E ele escolheu fazer isso todos os dias da minha infância”.

A condenação acontece a 31 de maio. Veja o programa completo do “60 Minutes Australia”.

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. [email protected]