Os políticos podem dar as piruetas que quiserem, as caravanas podem andar rua abaixo rua acima, os candidatos podem espalhar as suas caras em outdoors pelo País inteiro, mas há uma coisa que não conseguem: que os portugueses queiram saber das Eleições Europeias. Não querem. Estão-se nas tintas. Não entendem sequer para o que é que estão a votar. Acham que as Europeias são umas eleições para levar uns rapazes lá para Bruxelas, onde recebem uns belos tachos e não fazem nada durante os mandatos. Isto porque a regra na política não é muito diferente da regra das verdades em televisão: não interessa o que é, interessa o que parece que é. E como ninguém se preocupa em explicar às pessoas o que são as Europeias, para que servem as Europeias, a importância das Europeias, o papel dos eurodeputados, o que o Parlamento Europeu faz por Portugal e pela vida dos portugueses, então, a generalidade das pessoas vai continuar a achar que estas eleições são uma inutilidade. E por isso não votam. E por isso não se preocupam sequer em saber quem são os candidatos, até mesmo dos principais partidos.

O que é que os portugueses sabem sobre as Europeias? Infelizmente, muito pouco

É uma generalização, claro que é, há quem se interesse muito pelas Europeias e entenda exatamente o que estas eleições trazem de bom para nós, é evidente que sim, mas é quando sentimos o pulso das pessoas que por aí andam que entendemos melhor o mundo, é ouvindo as pessoas a falar nos cafés, nos transportes, nas conversas de amigo que percebemos que Portugal não é Lisboa, Lisboa não é o nosso ciclo de amizades e que o nosso bairro não é a nossa casa. A desinformação em relação a estas eleições europeias é gritante, e o mais grave é que não se sente por parte de nenhum dos partidos qualquer vontade em mudar isso, em investir na literacia política dos portugueses, em explicar, de forma simples e objetiva o que fazem os eurodeputados, e porque é tão importante eleger os melhores, porque isso é benéfico para o País. A preocupação em campanha é atacar o vizinho, é dizer mal deste e daquele, é apontar o dedo, é ir buscar o passado para queimar o rival. A campanha das Europeias, talvez por ser aquela em que se poderia falar de temas menos sexy para o eleitorado, é das que trazem mais roupa suja para a lavandaria política, e isso é só triste e lamentável.

Editorial. O bullying, o jornalismo e a eterna discussão sobre os números

Precisamente por sentirmos que as pessoas não querem saber minimamente deste ato eleitoral é que a jornalista Ana Luísa Bernardino e o editor de vídeo Samuel Costa decidiram ir para a rua fazer perguntas tão simples quando: sabe o que quer dizer CDS? Sabe quem é o cabeça de lista do PSD? E do PS? O resultado foi exatamente aquele que estávamos à espera. A esmagadora maioria dos entrevistados errou as perguntas. Nem cabeças de lista dos partidos maiores, nem nomes dos partidos mais relevantes as pessoas conhecem. E a culpa é de quem? É de quem tem interesse que as coisas continuem assim, é de quem insiste em andar na política para servir interesses partidários, interesses próprios, em vez de querer servir o País. É muito mais importante ser-se eleito do que explicar-se às pessoas porque é que é importante as pessoas votarem. O dinheiro que se gasta em campanhas eleitorais é na maior parte dos casos dinheiro deitado à rua, que deveria ser, em parte, canalizado, investido, em conteúdos informativos, e não propagandistas, para que tenhamos uma população mais informada, e por isso mais ativa, mais sensível, mais interventiva.

A queda dos grandes partidos já começou. E vai continuar com o passar do tempo. As pessoas estão fartas dos políticos e da política, dos partidos de sempre, porque este é um mundo podre, onde hoje se diz uma coisa, porque interessa dizer essa coisa, e amanhã se defende exatamente o contrário, porque já interessa defender o contrário. Os que acham que as pessoas são estúpidas por não saberem o que quer dizer CDS ou MRPP, são provavelmente as primeiras a cair, porque estão a olhar para o lado errado do problema. O problema não são os nomes, a forma ou o conceito, é o conteúdo, e esse conteúdo está cada vez mais contaminado e podre. E por muito estúpidas que as pessoas possam ser, sabem bem o que é o cheiro a podre, e afastam-se.

Por isso, o que podemos esperar destas Europeias? Nada de novo, nada de bom. Abstenção alta, claro, com níveis ali a roçar o recorde (se estiver um dia de praia, então, preparem-se), e um profundo desinteresse relativamente ao resultado final e aos vencedores e aos vencidos. A festa vai começar e terminar com os de sempre: os políticos, os candidatos a políticos, os jotinhas que sonham ser políticos e os jornalistas, claro, a tentar mostrar que esta forma de fazer política é muito importante, interessante e excitante. Para os jornalistas talvez seja, para as pessoas não o é, certamente.

Esta semana, a jornalista Inês Ribeiro entrevistou uma fotógrafa que se dedica a tirar retratos de idosos em lares. “A fotografar meninos rentabilizava mais porque os pais compram tudo e com os velhotes não é assim”, disse à MAGG, acrescentando que há mesmo quem se recuse a deixar os velhinhos, como lhes chama carinhosamente, tirar uma foto — dizem que não vale a pena. “também há quem diga coisas como: “Ok, ele até pode tirar uma fotografia. Assim, já dá para a campa”. “Isto acontece e é uma pena que a nossa cultura veja os velhos como inúteis e que não valem a pena”.

Saltando para um tema mais leve, a jornalista Marta Cerqueira cumpriu o seu sonho de infância e entrevistou a eterna dupla “Caco e Magda”, em Portugal para promover o filme que teve origem na série “Sai de Baixo”. Vale a pena ler. Já Catarina Ballestero entrevistou um médico para saber mais sobre o cancro nos ovários, uma doença que apanhou desprevenida Sara Carbonero.

Mas há mais. Contamos-lhe a história de Nuno, um homem que ficou tetraplégico e redescobriu a força de viver na pintura, sugerimos-lhe 6 coisas para ver e fazer em São Tomé depois de uma semana a explorar a ilha e contamos-lhe coisas surpreendentes que a Feira do Livro vai ter este ano — e que não têm nada que ver com livros.