As cervejas sem álcool não são novidade nenhuma no mercado. Várias marcas apostam nelas no seu portfólio de produtos há vários anos, mas praticamente todas tinham um problema.

Para além de possuírem um trago diferente das cervejas comuns, não propriamente agradável, a verdade é que grande parte destes produtos não eram completamente isentos de álcool, estando assinalado no rótulo da composição uma informação sobre a quantidade que aquela cerveja poderia conter (geralmente, até 0,5% de álcool).

Por mais que a quantidade fosse drasticamente reduzida neste tipo de produtos, a presença de algum álcool continuava a ser problemática para quem deve evitar bebidas alcoólicas, como as mulheres grávidas, por exemplo.

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Mas tudo mudou em 2019, quando várias marcas reformularam a sua oferta de cervejas sem álcool e apresentaram no mercado este tipo de bebidas sem qualquer teor alcoólico, para além de um sabor bem mais aproximado ao da cerveja regular — e até há quem use a percentagem 0,0% no rótulo, para ilustrar bem a mudança.

Numa altura do ano em que o calor aperta, e a vontade de consumir uma bebida bem fresquinha toma conta de nós, será que este tipo de bebidas são seguras para as mulheres grávidas? Fernando Cirurgião, médico ginecologista e obstetra, diz que sim.

Fernando Cirurgião é ginecologista e obstetra na Clínica de Santo António

“As cervejas sem álcool, que são uma bebida com bastante expressão nos países mediterrânicos, não trazem qualquer problema durante a gravidez, nem durante a amamentação”, afirma o especialista à MAGG.

Mais: quando comparadas com os refrigerantes, por exemplo, Fernando Cirurgião não tem dúvidas quanto à melhor alternativa. “Podemos facilmente defender que, durante a gravidez, é preferível beber uma cerveja sem álcool a um refrigerante”, afirma o especialista, que também refere que os refrigerantes são prejudicais não só para as grávidas, mas “para toda a gente”.

“Se olharmos para o rótulo de um refrigerante vemos que uma simples lata contém 33 gramas de açúcar, o que equivale a seis pacotes. Falando apenas em termos de açúcar, estamos perante o consumo de uma quantidade absurda”, refere o médico obstetra, que também salienta que os “refrigerantes zero não são tão inofensivos quanto isso”.

Para além do alto teor calórico destas bebidas, os refrigerantes apresentam outro problema relacionado com o cálcio, nutriente importantíssimo no contexto de uma gestação.

“Uma mulher grávida tem necessidades particulares de cálcio, precisando de reservas maiores, tanto para ela, como para o bebé. Os refrigerantes, principalmente quando consumidos a acompanhar uma refeição, afetam a absorção do cálcio existente nos alimentos”, diz Fernando Cirurgião.

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O gás deste tipo de bebidas também as torna indesejáveis para as grávidas, dado que pode aumentar o refluxo gástrico, “algo que as gestantes já se queixam de base”, de acordo com o especialista.

No entanto, e até porque o gás também está presente nas cervejas sem álcool, o médico ginecologista defende que não é o consumo esporádico destas bebidas que irá ser prejudicial: “Há que ter bom senso, e nada é proibitivo desde que não seja assumido como prática rotineira”.