Foi através de uma publicação no Instagram, a 21 de maio, que Sara Carbonero anunciou publicamente ter sido operada a um tumor maligno nos ovários. A apresentadora e jornalista espanhola, que reside em Portugal com o marido Iker Casillas, jogador do Futebol Clube do Porto, contou que o tumor foi detetado durante uma consulta de rotina.

“Tudo correu muito bem. Felizmente foi detetado a tempo, mas ainda me faltam alguns meses de luta enquanto sigo o tratamento correspondente”, revelou Sara Carbonero, que ainda acrescentou estar com “confiança de que vai correr tudo bem” e “tranquila”.

Mas apesar de o cancro nos ovários da jornalista ter sido descoberto numa rotineira ida ao médico, nem sempre é assim. “É um cancro muito escondido. Não dá muitos sinais até estar num estado avançado, e esse é um dos problemas”, explica à MAGG Alcides Pereira, médico ginecologista e especialista em doenças oncológicas.

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O médico realça  que, “embora as consultas ginecológicas anuais sejam recomendadas às mulheres, não é garantido que este tipo de cancro se descubra no decorrer das mesmas”.

Para além desta falta de garantias, Alcides Pereira revela que a grande maioria dos casos só são descobertos e diagnosticados num estado mais avançado: “Não temos capacidade de deteção do cancro antes de ele ter mais do que um centímetro, os meios de diagnóstico existentes só o fazem nesta fase. E um centímetro num tumor já significam biliões de células cancerígenas. Um tumor com dois centímetros, por exemplo, já é considerado um grande tumor”.

De acordo com o médico ginecologista, os sinais de alarme são praticamente inexistentes, e surgem apenas quando a doença já se encontra num estado avançado. No entanto, a barriga inchada, as pernas também inchadas e as dores pélvicas, entre outros sintomas, podem ser sinal da patologia.

A pílula é a melhor prevenção contra o cancro nos ovários

Quando falamos de um cancro escondido, difícil de detetar e praticamente assintomático nos estados iniciais, o que é possível fazer em termos de prevenção? Alcides Pereira garante que “a melhor coisa para prevenir o cancro do ovário é a pílula”. Tal como explica o especialista, a toma deste método anticoncecional inibe a ovulação, o que é meio caminho andado para proteger os ovários de um cancro.

Alcides Pereira é médico ginecologista e especialista em doenças oncológicas no Hospital Lusíadas Lisboa

“Quando as mulheres estão na ovulação, os ovários ficam com cicatrizes: o processo de exclusão do óvulo faz uma espécie de uma ferida que tem de ser reparada. Esses processos de reparação são feitos com a substituição das células mortas por outras células filhas, para conseguirem reparar a superfície dos ovários. O problema é que nesse processo produzem-se erros genéticos no código das células, que fazem com que estas não se consigam parar de reproduzir. E as células cancerígenas são exatamente essas células, que não sabem parar de se multiplicar”, explica o especialista.

Assim sendo, dado que a pílula bloqueia a ovulação, acaba por ser o melhor método de prevenção existente contra o cancro nos ovários. “Sendo uma forma de evitar tantas ovulações, ganha importância na luta contra o surgimento desta patologia”, diz Alcides Pereira.

Os números da doença

O cancro nos ovários é, de acordo com Alcides Pereira, “um dos cancros mais mortíferos e difíceis de controlar”. E embora tenha uma maior incidência nas mulheres com mais de 60 anos, também pode atingir as mais jovens — tal como é o caso de Sara Carbonero, com 35 anos.

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De acordo com dados cedidos pelo especialista, esta doença causa, a nível mundial, “5% das mortes das pessoas com cancro”, e a idade também é um fator: as mulheres diagnosticadas com esta patologia com menos de 45 anos têm uma probabilidade de 77% de sobreviver, enquanto as com mais de 75 anos têm apenas 20% de hipóteses de vencer a doença.

Anualmente, surgem 238.700 novos casos de cancro nos ovários. “Desses casos diagnosticados com a doença, 151.900 mulheres morrem”, afirma Alcides Pereira.