8 razões que podem explicar a queda do império de Jamie Oliver

Uma gestão duvidosa, dívidas e más condições de higiene podem estar na origem do colapso da cadeia de restaurantes do chef britânico.

Jamie Oliver ficou conhecido pelo programa "Naked Chef"

Getty Images

Já teve uma fortuna avaliada em mais de 200 milhões de euros, mas, agora, a vida não está fácil para Jamie Oliver. Esta terça-feira, 21 de maio, o jornal “The Guardian” deu conta de que a cadeia de restaurantes do chef britânico vai passar a ser gerida pela consultora KPMG, depois de ter declarado insolvência.

Pode ser o fim do império de Jamie no Reino Unido. De acordo com a mesma publicação, vão fechar 24 restaurantes — um da cadeia Barbecoa, outro da Fifteen e 22 da cadeia Jamie’s Italian. No ano passado, em Portugal, abriu um restaurante do chef, mas não vai sofrer consequências. Para já, só fecham mesmo espaços no Reino Unido.

Numa mensagem partilhada nas redes sociais, Jamie manifestou-se “devastado” e “profundamente triste” pelo que está acontecer. “Estou devastado pelo facto de os nossos muito amados restaurantes britânicos terem entrado na administração. Estou profundamente triste com este resultado e gostaria de agradecer a todas as pessoas que colocaram os seus corações e almas neste negócio ao longo dos anos”, escreveu.

Mas, afinal, o que levou à queda do império de restaurantes deste famoso chef britânico, que ficou conhecido depois de aparecer no programa “Naked Chef“, em 1999? Existem vários fatores que podem ter contribuído para o colapso da cadeia de restaurantes de Jamie Oliver. Dos ratos ao cunhado descrito como um “bully arrogante”, damos-lhe 8 possíveis explicações para a queda do império do chef britânico.

1. Ratos e sujidade

Restaurante Barbecoa de Jamie Oliver

Instagram

Talvez tenha tudo começado em 2014, quando o restaurante Barbecoa de Jamie Oliver, em Londres, encerrou devido às más condições de saúde. De acordo com o jornal “The Guardian“, existia uma “forte presença” de excrementos de ratos, equipamentos sujos, alimentos fora do prazo, entre outros.

No mesmo ano, o chef fechou três restaurantes Union Jacks por não serem suficientemente sustentáveis.

2. Mercado competitivo

A 6 de janeiro de 2017, Jamie Oliver viu-se obrigado a fechar seis restaurantes da sua cadeia Jamie’s Italian. De acordo com o chefe executivo da empresa, Simon Blagden, citado pelo “The Guardian“, as “pressões e incógnitas” do pós-Brexit complicaram ainda mais o mercado.

3. Preços altos

A forte competição na High Street, em Londres, também pode ter sido uma das razões que levou ao colapso de Jamie Oliver. Segundo o “Daily Mail“, vários críticos acreditam que os preços encontrados nos três restaurantes do chef naquela avenida britânica podem ter contribuído para a insolvência.

De acordo com a analista de mercado Fiona Cincotta, da Cityindex, a marca Jamie’s Italian “tem-se debatido ao longo dos anos por manter um modelo de negócio em que os pratos de massa — a principal oferta de Jamie — eram demasiado caros para um jantar de gama média mas demasiado barata para competir com o setor mais caro do mercado”.

4. Pouca procura

De acordo com a revista “Big Hospitality“, no início do ano passado foram encerrados 12 restaurantes Jamie’s Italian. A decisão ocorreu depois de a empresa ter perdido mais de nove milhões de euros, em 2016.

5. O cunhado “bully arrogante”

Da esquerda para a direita: o cunhado Paul Hunt, a irmã Anna-Marie, a mulher Juliette Norton e o chef Jamie Oliver

Daily Mail

Em 1999, segundo o jornal “Daily Mail“, Paul Hunt, marido da irmã do chef, Anna-Marie, foi multado em mais de 60 mil euros por inside trading, isto é, uso indevido de informação privilegiada de uma empresa para obter vantagens no mercado. Apesar de tudo, em 2014 Hunt assumiu o cargo de CEO da empresa.

Mas nem sempre foi bem visto pelos empregados. Segundo a mesma publicação, Paul foi acusado de ser um “bully arrogante” que, de acordo com um ex-funcionário da cadeia de restaurantes, “não percebe nada de restaurantes e, no dia em que se for embora, os funcionários vão fazer uma festa”.

O “Daily Mail” dá conta ainda de que Paul Hunt despediu a assistente, dando-lhe várias cartas de demissão para ela entregar — incluindo a dela.

6. Dívidas e injeção de dinheiro

O negócio estava complicado. Ao longo do tempo, a cadeia de restaurantes de Jamie tem vindo a acumular dívidas. Em 2017, o chef tinha uma dívida de mais de 70 milhões de euros e os seus restaurantes estavam prestes a entrar em falência, antes de o chef ter injetado cerca de 13 milhões de euros (do seu próprio dinheiro) para os salvar.

Ainda nesse ano, e de acordo com o jornal “Daily Mail“, a empresa pediu cerca de 37 milhões de euros em empréstimos à empresa HSBC. No ano seguinte, Jamie foi acusado de não pagar a fornecedores, depois de o seu restaurante Barbecoa ter fechado.

Todas estes fatores podem ter levado ao encerramento dos 22 restaurantes de Jamie Oliver, deixando milhares de pessoas sem emprego.

7. Falta de criatividade

Alguns dos cozinhados do chef britânico

Ella Miller/Facebook Jamie Oliver

Segundo Simon Mydlowski, analista especialista no setor, um dos fatores que afetaram o negócio do chef britânico foi a incapacidade de acompanhar as mudanças constantes no setor. “Para ter sucesso neste mercado, é preciso renovar-se constantemente, desde as opções de menu e bebidas, até à forma como se relaciona com os clientes”, disse à BBC. “Quando é preciso enfrentar o aumento da renda, alimentos mais caros e mais concorrência, os restaurantes precisam de fazer a diferença.”

“Não é uma coincidências que as marcas mais pequenas, com mais liberdade e flexibilidade, sejam as que estão a ter melhores resultados”.

8. Maus conselhos e uma expansão demasiado rápida.

Segundo o “The New Zealand Herald“, fontes anónimas próximas ao chef garantem que Oliver foi “mal aconselhado”, sobretudo com o Jamie’s Italian. “O Jamie’s Italian, a maior marca do grupo, talvez seja culpada de uma expansão excessiva”, disseram, acrescentado que, pelo caminho, se “perdeu a paixão e o zelo do fundador”.

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