Abriu um novo restaurante vegetariano em Lisboa mas, a pedido do chef, não diga a ninguém. “Queremos que quem cá venha apanhe uma surpresa ao perceber que não temos carne nem peixe”, conta à MAGG Vasco Snelling.

É por isso que não vê nada cá fora a indicar que por ali está um paraíso dos verdes e na descrição do restaurante no Instagram, preferem escrever apenas que por ali se serve comida consciente e caseira, num “feast with friends”. Este espaço para um “banquete de amigos” abriu no início de maio em Lisboa, mesmo ao lado do Largo do Intendente.

O Gambuzino

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Morada: Rua dos Anjos, 5a, Lisboa

Horário: 12h-24h (fecha segunda e terça-feira)

Vasco nasceu em Lagos e a cozinha era-lhe familiar desde os tempos em que, ainda adolescente, passava os verões a lavar pratos em restaurantes para ganhar uns trocos. Ainda tentou seguir pelo caminho da Engenharia do Ambiente, já em Lisboa, mas percebeu que era na cozinha que queria continuar, não a lavar pratos, mas, quem sabe, a fazê-los.

Tirou o curso na Escola de Hotelaria e a partir daí, entre restaurantes em Lisboa e uma aventura de mais de três anos na Austrália, passou pelas mais variadas cozinhas.

Monica Graulund tem 27 anos e veio da Austrália para abrir o restaurante com o namorado Vasco, de 29 anos.

Quando a vontade de voltar a Portugal falou mais alto, trouxe consigo a namorada, Monica Graulund, que trocou a área de vendas ligadas à saúde pela gestão d’ O Gambuzino, restaurante que abriram em dupla para receber toda uma Lisboa desejosa de comida feita na hora.

Vasco começa por esclarecer que nem toda a comida é biológica, “mas é toda consciente”. Compram fruta e legumes na Fruta Feia — projeto que aproveita os produtos que não seriam postos à venda por não encaixarem nos padrões exigidos pelos supermercados — e nos mercados. O pão vem de uma padaria do bairro e, de fora do país, assim na loucura, só mesmo os abacates, “e são de Espanha”, garante Vasco.

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Numa carta pensada para ser alterada de três em três meses, consoante aquilo que a terra dá em cada época, Vasco começou por uma lista de pratos mais conservadora para que, a partir daqui, seja a imaginação a mandar.

Abertos do meio dia à meia noite, têm um menu pensado para o dia e outro para o jantar. No primeiro, com opções de almoço e brunch, há tostas de abóbora assada, queijo, nabo em pickle e espinafres (4€), uma de cogumelos assados (4€) e uma outra de espargos, queijo e paté de beterraba e noz (4,5€).

Há ainda shakshuka, uma espécie de tomatada feita com ovo escalfado e especiarias (7€), bolinhos de massa azeda com espargos, paté de beterraba, cogumelos e nozes (8€) ou uma sandes aberta com abacate e ovo escalfado (7€).

Alguns dos pratos mais compostos repetem-se na carta disponível também à noite. É o caso do hambúrguer de beterraba com chips de batata doce (9,5€), o caril de legumes (8€) e o burrito, que pode ser servido num wrap ou numa taça (8,5€).

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Ao jantar, há também opções de petiscos como a cenoura algarvia (2€), batata doce fritta (5€) ou cogumelos salteados com alho, vinho e malagueta (5€). Isto já a pensar que a lista de cervejas artesanais e os vinhos vegan vão precisar de companhia. “E também porque, à noite, queremos ser um espaço onde as pessoas possam vir mesmo só beber um copo”, explica Vasco que, ainda que não seja vegetariano, decidiu que no seu restaurante não entraria carne nem peixe. Mas não quer, no entanto, que O Gambuzino seja conhecido tão e somente como um restaurante vegetariano. “Queremos que quem passe, entre e só depois de ver a carta se aperceba que, afinal, está num vegetariano. Não queremos rótulos”.

O nome do restaurante é a prova máxima desta vontade de ser aquilo que o cliente quiser. “Não há uma imagem que as pessoas associem ao gambuzino e é isso mesmo que eu quero que aconteça com a comida aqui. Não vai ser sempre a mesma e vai fluir consoante a nossa imaginação”.