Como o reggaeton está a contribuir para a integração social e a juntar classes

Era associado a classes baixas e grupos violentos. Hoje toca nas discotecas mais elitistas. Um psicólogo explica os benefícios.

Madrid, Barcelona e Valência são as cidades onde mais se ouve este estilo musical

Uma saída à noite em Espanha dificilmente não terá reggaeton como banda sonora. O estilo musical com origem porto-riquenha tem atualmente uma importância que vai muito além de uns passos de dança.

As discotecas mais elitistas do país passaram a incluir este género musical que até há bem pouco tempo era mal visto, associado a uma classe mais baixa e até a grupos violentos. Uma mudança social e cultural que se tornou um caso de estudo.

Carles Feixa, professor de Antropologia Social da Universidade Pompeu Fabra de Barcelona, acredita que o reggaeton já fez mais pela integração social em Espanha do que muitos políticos. “Esperança musical” é como este professor caracteriza o estilo, que conecta pessoas que à partida nada têm a ver através da música e da dança, independentemente da cor de pele ou orientação sexual.

“A minha filha de 17 anos gosta de reggaeton, entre os seus amigos é algo normal. Os que agora são adolescentes ou jovens adultos em Espanha já cresceram com outros jovens de origem latina e absorveram a sua música como algo natural”, explicou ao “El Mundo“.

Sofía Conti saiu aos 11 anos da Argentina rumo a San Sebastián, no País Basco e garante ter sofrido racismo entre os jovens os espanhóis. Aos 21 anos criou a festa Dimelow e rapidamente conseguiu levar o reggaeton a todo o tipo de pessoas. Hoje, com 23 anos, acredita que o reggaton teve um papel muito importante para favorecer a integração entre os jovens.

Depois de um boom de latinos a migrarem para Espanha que acabou por acalmar com a crise imobiliária de 2007, há novamente uma grande vaga a chegar ao país. Colombianos, venezuelanos, dominicanos, equatorianos, são várias as nacionalidades que se juntam neste país.

As cidades espanholas que receberam maiores fluxos migratórios da América Latina, são onde se consolidou melhor o reggaeton no circuito juvenil“, Barcelona, Madrid, Valência, Murcia, Galicia, Andalucía e Canárias são as principais, explica Carles Feixa.

Beyoncé também se rendeu ao reggaeton quando convidou J Balvin, o músico colombiano, para o dueto “Mi gente”, em espanhol. O cantor que fez também duetos com a cantora brasileira Anitta e a americana Selena Gomez.

E até festivais conhecidos por serem mais alternativos já contam com reggaeton no cartaz. Como é o caso do Primavera Sound, em Barcelona, que tem J Balvin como cabeça de cartaz. “O reggaeton é hoje uma música transversal, um sinal dos nossos tempos”, explica JoanPons, chef do gabinete de imprensa do festival. Além de J Balvin, o festival contará também com outra estrela deste estilo musical, Ivy Queen.

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