O maior arrependimento de Howard Stern? Nunca ter pedido desculpa a Robin Williams

O locutor mais famoso e cáustico da América lançou um livro de memórias em que conta histórias da fase “louca” dos anos 90.

Robin Williams suicidou-se em agosto de 2014, com 63 anos

Getty Images

Howard Stern, a mais famosa e bem paga celebridade de rádio americana, revelou em “Howard Stern Comes Again”, o seu novo livro de memórias, publicado na terça-feira, 14 de maio, que um dos seus maiores arrependimentos está relacionado com uma entrevista que fez a Robin Williams, na década de 90.

Conhecido por fazer perguntas polémicas e inconvenientes, muitas vezes de teor sexual, a questão que dirigiu ao humorista que se veio a suicidar em 2014 relacionava-se com o facto de este ter deixado a mulher, Valerie Velardi. O ator tinha uma relação de dez anos quando deixou Valerie para ficar com Marsha Garces, a ama do filho Zach — e com quem veio a ter um filho, um ano após o divórcio, em 1989. Stern atormentou-o com esta questão na entrevista em que os dois conversaram.

Hoje, a estrela de rádio considera que, naquela altura, no início da sua carreira, se comportava como um louco na forma como se dirigia aos convidados. “O meu narcisismo era tão grande que eu era incapaz de ser sensível face ao que os outros estavam a sentir”, escreve no novo livro. “Tenho tantos arrependimentos com os meus convidados. Talvez o maior seja a minha entrevista com o Robin Williams.”

“Eu estava a atacá-lo e ele estava justificadamente furioso comigo”, escreve o locutor de 65 anos.”Demorei 20 anos a ter coragem. Estava em vias de descobrir o número de telefone dele e no dia seguinte ele morreu”, revela, numa alusão ao suicídio do ator de “Patch Adams”.

Cheio de “remorsos” e de “tristeza”, por ter falhado no pedido de desculpa, Stern revela também que, caso pudesse voltar atrás, diria ao ator: “Desculpa. Eu sou um fã enorme e tu nem sequer pudeste saber isso. Eu próprio não me deixei ser teu fã, e não deixei que entretivesses o meu público e, na entrevista que te fiz, não aprendi nada sobre ti. Eu era só um doido a atacar e queria dizer-te que este é um dos maiores arrependimentos da minha vida, porque eu guardo-te perto do meu coração, mas eu estava num sítio tão mau que não me permitia ser fã de alguém.”

Mas esta está longe de ter sido a única entrevista em que Stern provocou e aborreceu um dos seus entrevistados. George Michael, Eminem ou Will Ferrel são também três personalidades incluídas no livro.

“Toda a gente me disse: independentemente do que faças, nunca lhes perguntes se eles são gays”, disseram-lhe no dia em que entrevistou os Wham!, a banda de George Michael. “Em 20 segundos, perguntei-lhes se eles eram gays”, revela

No livro de memórias, Howard Stern conta que foi só depois de começar a fazer terapia, no final dos anos 90, que foi capaz de reavaliar o caminho por onde estava a levar a sua carreira. Começou com duas sessões semanais, passando depois para quatro. “Demorei cinco anos para ligar ao meu psiquiatra. Não queria admitir a ninguém que precisava daquilo. Achei aquilo muito intimidante”, diz. Um dos motivos que o fez avançar relaciona-se com uma coisa que o ator Bill Murray lhe disse: “Quando olhas verdadeiramente para ti, por vezes, não gostas daquilo que encontras.”

Estas sessões foram fundamentais para mudar a postura dos seus programas e este é também um dos pontos que aborda no seu livro. “No início foi difícil. Tive de aprender a dizer não a mim próprio. A parar de falar. A começar a ouvir. A deixar a outra pessoa brilhar. E a confiar que a audiência se iria manter fiel.”

Em “Howard Stern Comes Again”, o locutor, que também já admitiu que tem um transtorno obsessivo-compulsivo, relata a forma como tentou pedir desculpa àqueles que magoou. No caso de Williams, não chegou a tempo.

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