Depois de muitas teorias no Reddit, contagens decrescente nas redes sociais e lágrimas ao rever os episódios mais dramáticos, “A Guerra dos Tronos” está de volta. O final vai ser contado em apenas seis episódios, e todos eles vão ser transmitidos na HBO Portugal e no canal SyFy.

Da política ao humor, a MAGG pediu a várias personalidades que vibram com a série que analisassem a oitava e última temporada. O quinto episódio ficou a cargo de Safaa Dib, ex-editora da Saída de Emergência e uma das responsáveis por ter trazido os livros de George R.R. Martin a Portugal.

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Opinião. Eventos precipitaram-se a uma velocidade vertiginosa e o que era matéria para temporadas inteiras, resolveu-se em um ou dois episódios. E isso os fãs nunca perdoarão

O fim de “A Guerra dos Tronos” está próximo e com ele veio o Apocalipse. Sangue e fogo é o mote da casa Targaryen e Daenerys, mãe de dragões, esteve à altura do lema.

Incapaz de se fazer amar pelos Sete Reinos, escolheu o caminho do medo e consolidou a sua reconquista do Trono de Ferro com um ato sanguinário que poderíamos descrever friamente como retribuição Targaryen pela usurpação de Robert Baratheon e a chacina da família real que os Lannister ousaram cometer há tantos anos.

Se a viragem para Rainha Louca pareceu brusca para muitos, a verdade é que os sinais estiveram sempre presentes. Dany sempre foi obcecada por um trono que considerava seu por direito divino e cometeu muitos atos questionáveis ao longo da sua jornada, mesmo quando apenas desejava libertar os escravos dos mestres.

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Daenerys castigou tão frequentemente quanto salvou. E finalmente, chegada à terra dos seus antepassados, não hesitou em mostrar a face de uma rainha mais implacável, menos compassiva.

As suas relações pessoais com Jon, Varys e Tyrion começaram a azedar à medida que perdiam a guerra contra a Cersei. Até que decide, pelas suas próprias mãos, e com a ajuda de Drogon, lançar a última guerra.

Benioff e Weiss tomaram uma decisão errada ao encerrar em tão poucas temporadas o final de “A Guerra dos Tronos”, com custos elevados para a narrativa.

Eventos precipitaram-se a uma velocidade vertiginosa e o que era matéria para temporadas inteiras, resolveu-se em um ou dois episódios. E isso os fãs nunca perdoarão. Chegados ao episódio cinco, este não poderia deixar de brilhar no âmbito de uma temporada bastante fraca.

E brilhou, de facto. Tecnicamente irrepreensível, cinematografia extraordinária, com um encadeamento lógico muito mais preciso e menos atabalhoado (como na batalha de Winterfell) e ainda cenas emocionais poderosas.

O episódio será, acima de tudo, recordado pela Rainha Louca em full mode, mas também pela tocante despedida dos irmãos Lannister. Foi difícil não verter lágrimas quando Tyrion diz ao seu irmão mais velho “Foste o único que nunca me tratou como um monstro”.

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Outros dois irmãos que se despediram em grande e de forma memorável foram os Clegane, com Sandor entregando-se ao fogo que tanto temeu ao longo da sua vida. Uma saída espetacular para uma personagem que nunca desiludiu. A execução de Varys foi resolvida de forma demasiado abrupta no início do episódio e o Mestre dos Segredos merecia mais.

Cersei e Jaime tiveram um final demasiado romantizado mas o mais lógico de todos. Os gémeos vieram juntos para este mundo e abandonaram-no juntos. Pena o romance tão fugaz de Jaime com Brienne deixar um travo amargo na boca dos fãs.

E agora o que nos reserva o final? O ar traído de Jon, Davos e Tyrion durante a destruição de Porto Real deixam adivinhar que esta rainha não terá uma vida longa no trono. E mais importante do que isso, o impacto da chacina de Porto Real em Arya não será de subestimar.

Na cena final, cavalga num cavalo branco por entre uma cidade arruinada, qual Cavaleiro da Morte, com o poder de matar e em perseguição da sua presa…

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