Foi no início deste ano que Britney Spears cancelou uma série de concertos marcados em Las Vegas. Na altura os fãs foram informados de que a cantora de 37 anos estava focada na doença do pai, que sofreu uma rutura no cólon no final do ano passado. A situação pareceu piorar a 3 de abril, quando o mundo descobriu que a estrela pop tinha dado entrada numa clínica psiquiátrica.

Britney Spears nunca escondeu a sua dificuldade em lidar com a fama. No documentário “I Am Britney Jean”, por exemplo, falou abertamente sobre os seus vários problemas psicológicos, como ansiedade, preocupação extrema, nervosismo e até auto-mutilação. O ano de 2007 foi particularmente difícil para a norte-americana: foi nessa altura que rapou o cabelo, tentou bater nos paparazzi com um guarda-chuva e sofreu de uma overdose de anfetaminas.

Britney Spears e o pai, Jamie

Parecia fazer sentido, portanto, que Britney Spears tivesse procurado ajuda novamente. “Britney Spears precisava de se focar nela própria. Com o pai doente, tem ficado tudo em cima dela. Ele quase morreu e ainda há umas semanas teve que ser novamente operado. Ele não está nada bem. Eles são muito próximos e, por isso, tem sido muito difícil”, disse na altura uma fonte anónima à revista “People”, conforme citou o “The Cut“.

No dia em que se tornou pública a informação de que ia dar entrada numa clínica, Britney Spears partilhou no Instagram uma imagem com a frase “Apaixona-te por cuidar de ti, mente, corpo e espírito”. Na legenda, escreveu: “Todos precisamos de tirar um tempo para nós.”

Um mês antes do internamento, algo tinha acontecido

Jamie Spears é o tutor legal de Britney há cerca de 12 anos. O advogado Andrew Wallet era o co-tutor. A 4 de março, porém, um mês e um dia antes de a cantora dar entrada na instituição psiquiátrica, Andrew demitiu-se da sua posição, deixando o pai como o único responsável de Brtiney.

Nos documentos oficiais, pediu que a renúncia fosse aceite “imediatamente e sem demora”, de modo a não atrapalhar qualquer atividade comercial em andamento.

A 16 de abril, 13 dias depois de Britney dar entrada na clínica, uma fonte anónima da firma de Andrew Wallet contou à jornalista Tess Barker, do jornal “The Guardian“, que a questão da tutela da cantora se tinha complicado nos últimos anos. Britney estava cada vez mais determinada em acabar com a intervenção judicial, revelou, e tinha deixado de tomar a medicação.

De acordo ainda com a mesma fonte, Jamie, o pai de Britney, tinha duas regras que a filha nunca poderia deixar de cumprir: tomar a medicação e nunca guiar. Em dezembro do ano passado, porém, descobriu que a cantora tinha deixado de tomar os medicamentos. Quando o médico sugeriu uma nova medicação, ela rejeitou.

Foi assim que começaram os desentendimentos. Em janeiro Britney foi apanhada a conduzir, o que agravou ainda mais a situação. Jamie convocou uma reunião com a família, advogados e os membros mais próximos da equipa de Britney. Ao que parece, foi aqui que surgiu pela primeira vez a possibilidade de a estrela pop ser internada. Britney não quis.

Andrew Wallet foi sempre contra a ideia de força Britney a fazer alguma coisa. Com medo de perder a sua licença profissional, entrou na justiça para pedir que fosse retirado da tutela.

E assim nasceu a hashtag #FreeBritney

Os fãs não tiveram dúvidas: Britney Spears estava internada contra a sua vontade. Gerou-se o caos nas redes sociais, com a hashtag #FreeBritney a tornar-se viral. À porta da clínica iniciaram-se protestos, a exigir a libertação da cantora.

7 fotos

Foi por essa altura que Britney voltou ao Instagram. Num vídeo publicado nesta rede social, a estrela pop admitiu que a sua situação era “única”, mas que queria assegurar toda a gente de que estava tudo bem.

“Queria dizer olá porque as coisas que estão a ser ditas começam a fugir de controle”, escreveu na legenda. “Há rumores, ameaças de morte à minha família e à minha equipa, e tantas coisas malucas a serem ditas”.

A cantora continuou, dizendo que está apenas a focar-se em si, no entanto tem sido difícil fazê-lo com tanto alarido à sua volta. “Não acredite em tudo o que lê e ouve. Esses emails falsos que estão a circular por toda a parte foram criados por Sam Lutfi há muitos anos. Eu não os escrevi. Ele estava a passar-se por mim e a comunicar com a minha equipa por um email falso.”

No final, termina com uma mensagem de força: “Vocês podem não saber isto sobre mim, mas eu sou forte e luto por aquilo que eu quero. O vosso amor e dedicação é incrível, mas o que eu preciso neste momento é de um pouco de privacidade para lidar com todas as coisas difíceis que a vida tem posto no meu caminho. Se pudessem fazer isso, ficar-vos-ia eternamente grata. Amo-vos.”

Emails? Sam Lutfi? A história complica-se

Pois é. Foi por esta altura que o portal “The Blast” divulgou emails alegadamente escritos pela cantora em 2007. Num datado de 19 de junho, a cantora pede desculpa ao pai por tê-lo “mandado foder”, mas diz: “Eu sei que és a minha família e tens todo o direito em ficares preocupado com as minhas ações, mas ainda hoje sinto que vocês passaram dos limites quando me mandaram embora num voo de 16 horas e não quiseram saber”.

No email, a cantora alega que os pais inventaram uma conspiração para a mandar email. “Desculpa se sentes que eu sou uma piada e má mãe. Talvez um dia eu possa ser suficientemente boa para ti. Até lá, continua a enviar-me discursos sobre amor”.

Sam Lufti garante que não fala com Britney desde 2009

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São estes emails que Britney garante não ter escrito — e aponta o dedo para o ex-agente, Sam Lutfi. O antigo manager já se pronunciou sobre o assunto, garantindo que é tudo mentira. No Twitter, disse: “Posso afirmar inequivocamente que nunca escrevi nem tive acesso ao email dela. A tentativa desesperada da sua equipa de desviar a atenção negativa para mim (mais uma vez) é uma maneira bastante ineficaz de ofuscar o movimento Free Britney”.

“Além de fazerem com que certas pessoas fiquem mal vistas, os emails em questão mostram uma mulher capaz de comandar a sua própria vida, uma narrativa que aparentemente eles querem esconder.

Ainda por esta altura, a mãe de Britney, Lynne Spears, começa a gostar das publicações lançadas pelo movimento Free Britney. E Miley Cyrus adere ao movimento, gritando “Libertem Britney” durante um concerto em Memphis.

E chega a mãe

Britney deveria passar 30 dias internada na clínica. Assim foi (ou quase): na manhã do dia 25 de abril, saiu das instalações. Uma fonte anónima disse ao “E! News“: “Britney Spears saiu da clínica psiquiátrica esta manhã e foi levada para casa do namorado. Foi decisão sua sair, mas ela vai continuar a ser acompanhada.”

“Ela está a trabalhar com terapeutas e médicos, que estarão a certificar-se de que ela está bem e a seguir um plano saudável para a sua saúde mental”.

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A 6 de maio, Lynne Spears apresentou um pedido para ser informada de todos os assuntos respeitantes com Britney e a sua tutela. Fontes próximas disseram ao “The Blast” que Lynne falou com o ex-marido antes de apresentar esta documentação.

Britney Spears e a mãe, Lynne

WireImage

No dia seguinte a este pedido, a norte-americana apanhou um voo para ir ter com a filha. “Ela quer saber o que é que realmente está a acontecer para poder dormir descansada à noite”, continuou a fonte. “A ansiedade e a preocupação estão a tomar conta de si. Ela quer ver a Britney ficar melhor, saudável e feliz, e isso agora não está a acontecer.”

E, de repente, a reviravolta: na passada sexta-feira, 10 de maio, Britney Spears esteve presente em tribunal e acusou o pai de a ter internado na clínica contra a sua vontade, além de a ter forçado a tomar medicamentos. O advogado da mãe está neste momento a ajudá-la nestas alegações.

No Domingo de Páscoa, Britney Spears e o namorado, Sam Asghari, foram fotografados a sair de um hotel

Britney quer ter mais liberdade e pediu ao juiz que fossem feitos alguns ajustes à sua tutela. O juiz ordenou que um perito avaliasse a cantora. E é aqui que estamos agora — fica tudo como estava até chegarem os resultados desta avaliação. Está marcada uma nova audiência para 18 de setembro.

Apesar de ser tutor da filha, Jamie Spears não poderia internar a filha contra a sua vontade, garante o site “TMZ“. E também não poderia obrigá-la a tomar medicamentos. Uma clínica psiquiátrica que aceitasse um adulto contra a sua vontade estaria a cometer um crime.

Além disso, Britney deixou ocasionalmente a clínica — para ir ao cabeleireiro, por exemplo, ou para passar o Domingo de Páscoa com o namorado, Sam Asghari. As saídas foram permitidas pela clínica e Britney cumpriu os horários estipulados.