Da mesa de som sai jazz e bossa nova. Nas paredes, arte contemporânea e flores, tudo na dose certa. Cadeiras e sofás confortáveis, mesas largas. E nós, que só íamos para tomar um café, acabámos a almoçar e a abrir o computador para adiantar uns textos porque, com este ambiente, nem parece trabalho.

O Manifest abriu a 4 de maio na Rua da Sociedade Farmacêutica, mas a inauguração oficial acontece esta sexta-feira, dia 17, com cocktails, jantares e música, seja a bossa nova que serve de banda sonora à refeição ou à música eletrónica que já pede para que fique noite dentro.

Manifest.Lisbon

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Morada: Rua Sociedade Farmaceutica, 31, Lisboa

Horário: 9h-18h, a partir de dia 17 de maio abre até às 23h (fecha à segunda-feira)

Neste intervalo de duas semanas, Oksana e a Anton, os proprietários, afinaram a carta e os horários ainda que sintam que nada disto é estanque. Aliás, é ver Oksana a aproveitar o tempo morto da tarde para, de bloco e ementa na mão, riscar, escrever, voltar a riscar e voltar a escrever.

“Para criarmos o menu, basicamente perguntei a cada um dos membros do staff qual era a sua comida preferida”, explica à MAGG esta chef ucraniana que já foi jornalista da televisão nacional do seu país, mas que cedo percebeu que queria era ter espaços onde pudesse juntar duas das suas grandes paixões: a comida e a arte.

Em Kiev abriu o HumHum, um restaurante especializado em húmus, mas onde não faltam bowls, hambúrgueres, panquecas e cocktails. No Manifest, o conceito é diferente, ainda que tenha uma carta que permite juntar à mesa o mais peculiar dos grupos. “Quero que um grupo de amigos possa vir cá, independentemente de um ser vegetariano, de o outro só querer beber um café ou se há um que prefere um cocktail”, acrescenta.

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E o menu do Manifest reflete exatamente esse pluralismo, ao apresentar uma carta tão vasta de cafés — sempre de especialidade — como de cocktails, onde não faltam clássicos como a Mimosa, uma mistura de vinho espumante com sumo de laranja (7€), mas onde é dado espaço a bebidas mais arrojadas como o Margarita Paprika, com tequilla, coentros, laranja, lima e amargo de laranja (9€) e o Lemongrass Fizz com gin, kefir, erva-cidreira e lima (10€).

Nas opções de brunch, servidas o dia todo, a gulosa descrição dos pratos confirma-se assim que o pedido chega à mesa. O sucesso é garantido com a tosta de abacate com pão da Gleba e ovo escalfado (9€), a tosta de queijo e cogumelos derretidos com cebola caramelizada e salada (9€) ou os ovos benedict com muffins caseiros, salmão e molho de abacate (11€), o prato preferido da chef: “Ovos, salmão e um bom pão? Isso é perfeição para mim”.

Também existem opções doces, desde croissants a sobremesas vegan

Mas também há waffles de espinafres e chouriço (11€), tofu com salsicha de seitan e salada (13€) ou ovos mexidos com queijo, batata e legumes (11€). Nas opções doces há croissant francês com ricotta, chocolate branco e menta (6€), bolo de chocolate com menta (5€), cheesecake com limão e biscoitos (6€) e uma opção vegan com manga fresca e creme de castanha de caju (6,5€).

A partir de dia 17, vão estar também abertos para jantar e aí a carta vai ser diferente e está ainda em testes. Outra das novidades vai acontecer na cave do restaurante, que Oksana quer transformar num speakeasy, uma espécie de bar secreto, com um palco para concertos de jazz, espaço de exposição de arte e, acima de tudo, um sítio onde as pessoas possam conviver até mais tarde.

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As ideias fervilham na cabeça de Oksana à velocidade a que se movimenta no restaurante. Gere a cozinha, confirma se os pedidos estão a ir para as mesas certas, vai escolher a próxima música e ainda tem tempo para se sentar a conversar com quem decidiu experimentar aquele que é o seu mais recente projeto.

Lisboa caiu-lhe ao colo quando veio para umas férias de duas semanas e de cá nunca mais quis sair. “Vá lá, este sol, estas pessoas… este País é incrível”, salienta. Agora, aos 29 anos, é em Lisboa que quer estar ainda que prefira levar a vida sem certezas absolutas. “Já vivi nos Estados Unidos, Índia, Tailândia e aqui em Portugal, não sei, foi um feeling. É por cá que quero ficar. Pelo menos para já”.