Será que Portugal vai declarar estado de emergência climática?

O Bloco de Esquerda e o PAN pedem ao Governo que reconheça a urgência das medidas de proteção do ambiente.

A migração para as energias renováveis é uma das medidas propostas pelo Bloco de Esquerda

O Reino Unido declarou estado de emergência climática a 1 de maio e a Irlanda a 10 do mesmo mês. O Bloco de Esquerda e o PAN querem que Portugal vá pelo mesmo caminho, tanto que o Governo terá de responder à interpelação colocada pelo BE já na próxima quarta-feira, 15 de maio, na Assembleia da Republica, avança o jornal “Público”. O ato é simbólico e tem como objetivo chamar a atenção dos governos dos respetivos países para a urgência de tomar medidas no sentido de combater as alterações climáticas.

Ao mesmo jornal, Maria Manuel Rola, do BE, diz: “É com essa intenção [de declarar urgência climática] que chamamos o Governo. Dizendo que já temos algumas coisas feitas, que Portugal tem alguma dianteira nos princípios e na vontade, mas que é necessário começar a agir. Desde logo, reconhecer que estamos num estado de urgência e que, ao reconhecê-lo, o Governo tem de agir em conformidade com um plano mais exigente, rigoroso e ambicioso.

Um dos objetivos propostos pelo partido de esquerda é de que o Governo antecipe para 2030 a neutralidade carbónica do País, encurtando o limite que estava estabelecido para 2050. Para que possa ser cumprido, têm de se “encerrar as centrais electroprodutoras de carvão de Sines e do Pego até 2023”, acrescenta a deputada. Maria Manuel Rola sugere mais medidas essenciais, entre os quais,  o “diálogo com outros órgãos de soberania nacional e internacional”, a transferência para as energias renováveis, o melhoramento dos transportes públicos coletivos e ainda o desenvolvimento de uma economia mais solidária e sustentável.

Para o efeito, o BE já apresentou no Parlamento dois projetos: um de resolução, isto é, de recomendação ao Governo, e outro de deliberação à Assembleia da Republica. PAN agiu no mesmo sentido, entregando um projeto de resolução que aconselha o Governo a declarar o estado de emergência climática, sugerindo ainda que se “comprometa a fazer tudo ao seu alcance para tornar o país neutro em carbono até 2030”.

Greta Thungerb, a sueca na origem das greves estudantis que aconteceram em vários países em defesa do ambiente — e que juntou 1,4 milhões de jovens de todo o mundo — aplaudiu a decisão do Reino Unido e da Irlanda. A ambientalista deverá ser convidada a comparecer na Assembleia da Republica, depois de a Comissão Parlamentar do Ambiente ter aprovado, por unanimidade, um convite para a jovem de 16 anos vir discursar.

A 15 de março estudantes de todo o mundo saíram à rua a exigir mais ações na sustentabilidade e defesa do clima. Em Portugal, os protestos sentiram-se de norte a sul do País. Segundo o “Fridays for the Future”, os protestos decorreram em 2.233 cidades e vilas e num total de 128 países. A próxima greve já tem data: está marcada para 24 de maio.

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