Enquanto de um lado do Atlântico umas miúdas que davam pelo nome de Spice Girls faziam sucesso com o seu “zigazig ha”, nos Estados Unidos um grupo de cinco rapazes, reunidos pelo empresário Lou Pearlman, preparavam-se para imortalizar uma série de temas, tais como “I Want it That Way”.

Os Backstreet Boys são a boys band com mais sucesso de sempre, e ainda que com alguns períodos mais complicados, já se passaram 25 anos desde a sua formação. Moviam uma legião de fãs, faziam as adolescentes perderem a cabeça. Cresceram juntos, como irmãos, mas enfrentaram uma série de problemas.

A 11 de maio o grupo está de volta a Portugal para, no Altice Arena, dar início a DNA, a tour mundial que celebra o trabalho lançado em janeiro de 2019, o 9.º álbum de estúdio, com o mesmo nome. A propósito do acontecimento, a MAGG reuniu 7 curiosidades da boys band com mais sucesso dos anos 90 — e posteriores, talvez.

1. Ryan Gosling podia ter sido membro da banda

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Em 1992, AJ McLean, membro da banda, era vizinho e amigo do ator, com quem frequentemente jogava basquetebol. Achou que Gosling seria um bom membro para a banda, mas este recusou, achando que seriam apenas mais uma versão dos New Kids on the Block.

Pouco tempo depois, Ryan Gosling voltou a ponderar, mas foi tarde demais: AJ não nunca lhe devolveu a chamada. Tanto que, numa entrevista ao “TMZ”, o músico deixou uma mensagem ao protagonista de “O Diário da Nossa Paixão”: “Ryan, desculpa nunca ter ligado de volta. Se quisermos um sexto membro para os Backstreet Boys vou-te ligar. Podes cantar”, disse. E acrescentou: “Ele canta imenso. Ele não é só um ótimo ator e um homem bonito.”

2. Não ganhavam nada no início da carreira — mas enchiam estádios

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Eles não tinham dinheiro, mas Lou Pearlman, agente e criador da banda, também conhecido por Big Poppa, enriqueceu muito às custas da banda. Os rapazes ganhavam apenas o suficiente para conseguirem cobrir os custos de vida, cerca de  90€ ou menos, apesar dos espetáculos que esgotavam estádios.

“Nós éramos muito novos. O Nick e eu estávamos na escola ainda, portanto qualquer quantia de dinheiro — até 100 dólares — era muito para miúdos de 14 ou 15 anos, naquela altura” disse McLean. “Eu não me lembro exatamente de quanto dinheiro é que era, mas vivíamos com uma mesada, só para comida durante os ensaios. Vivíamos numa dieta à base de McDonald’s durante cerca de seis ou sete anos da nossa carreira.”

Entretanto, a 21 de maio de 2008, o produtor, que também lançou os ’N Sync, foi condenado a 25 anos de prisão, acusado de lavagem de dinheiro e conspiração. Morreu a 19 de agosto de 2016, com uma paragem cardíaca.

3. Viam pornografia juntos em casa de Pearlman

A casa do produtor era uma espécie de Disney Land para rapazes adolescentes. Havia mesa de bilhar, uma máquina de Coca-Cola, iô-iô, a máscara de Darth Vader, os primeiros ténis de basquete de Shaquille O’Neal. “Ele tinha todos os brinquedos que possam imaginar”, disse, mais tarde, AJ McLean. “Sempre que um de nós fazia uma festa de anos era em casa do Lou”, contou Richardson.

Assistir, em conjunto, a pornografia também era uma das atividades principais que faziam em casa do produtor.

“Era o tipo de coisas que os miúdos daquela idade fariam”, disse AJ. “Numa noite estávamos lá só nós os cinco — o Lou devia estar num telefonema ou assim — e, enquanto vasculhávamos os discos dele encontrámos um filme pornográfico, que pusemos a dar e foi hilariante. Foi a primeira vez que o Howie viu uma mulher a beijar outra mulher. Era quase como estar numa fraternidade.”

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Em 2007, um artigo de investigação da “Vanity Fair” colocou a hipótese de Pearlman ter “uma paixão por rapazes”, expondo a forma como ele punha adolescentes em contacto com pornografia. Segundo a revista, a mãe de AJ revelou que houve um momento em casa do produtor que deixou Nick perturbado. O elemento mais novo da banda não foi interrogado sobre isto, mas McLean comentou.

“Ficar na casa de Lou era como estar num santuário. Depois dos ensaios, íamos todos até lá e encomendávamos Subway ou pizza e assistíamos a filmes. Por um curto período de tempo, o Kevin morou lá. O Kevin olhava para Lou como uma figura paterna. Ele perdeu o pai. Foi muito divertido o tempo que passámos lá. Eu não estou arrependido. Eu não tenho ressentimento. Eu acredito que não há erros neste mundo. Mesmo as coisas mais catastróficas que aconteceram em todo o lado, odeio dizer isso, mas tudo acontece por uma razão e às vezes nunca entenderemos essa razão.”

4. A primeira vez que AJ experimentou coca

A vida do músico, o mais rebelde da banda, sempre esteve envolta em polémica por causa da sua dependência de cocaína, mas o problema começou em contexto de trabalho. A primeira vez que McLean experimentou esta droga foi nas filmagens do videoclipe do tema “The Call”, o que talvez explique o facto de ser o único com óculos de sol.

“Nós sabíamos que a filmagem seria noturna. Eu tinha acabado de jantar, bebi alguns copos de vinho e voltei para o meu quarto para descansar. Não estava bêbado, só cansado porque sabia que a minha gravação a solo estava marcada para as 3h30 da manhã. Às 21h voltei a jantar, estava exausto e um amigo disse-me: ‘Tenho aqui uma coisa que te vai ajudar.”

Segundo o “Huffington Post”, da primeira vez que experimentou, AJ receou que a droga pudesse matá-lo instantaneamente, a propósito da história de um jogador da NBA que tinha morrido de overdose.

Eu experimentei e gostei. Criei batidas novas no meu quarto. Estava acordado, fui para a filmagem. Sentei-me na cadeira para a maquilhagem e estava muito tagarela. Confessei à maquilhadora: ‘Estou com uma moca de coca. Estou a enlouquecer. Não sei o que fazer.”

O músico diz que não o contou a ninguém da banda e que gravou o vídeo sem problema. “Infelizmente, depois daquela noite, o meu corpo tinha experimentado uma coisa nova e ficou viciado.”

5. A primeira discussão entre Nick Carter e AJ

Alguns membros da banda partilhavam casa. Costumavam ficar por lá a entreterem-se com jogos. Nick Carter e AJ chegaram a agredir-se por causa de um jogo de Mario Cart.

“Acho que o Nick ficou chateado e atirou o comando ao AJ e eles pegaram-se e começaram a rebolar no chão”, lembrou Richardson, citado pelo “Huffington Post”. “Foi muito engraçado porque eles eram os dois muito novos. Ninguém se magoou, talvez tenham ficado só com uns arranhões. Nós éramos como irmãos, portanto tínhamos muita paixão pelo que fazíamos. Às vezes o clima aquecia, mas, ao mesmo tempo, adorávamo-nos uns aos outros.”

6. Brian era uma espécie de pai para Nick

Nick Carter, tinha 13 anos, pela altura em que a banda se formou. Era quase dez anos mais novo do que o membro mais velho da banda, Kevin Richardson. De Brian Litrell, o membro que mais o protegeu, fazia cinco anos de diferença. McLean descreveu a relação entre os dois como sendo “paterna” ou de “irmão mais velho.”

“Aqueles dois eram duas ervilhas de uma vagem. Eram inseparáveis. Basquetebol, vídeojogos. Se não soubessem onde é que o Brian estava, bastava perguntarem ao Nick. Foi assim durante anos. Acho que foi assim muito por causa daquilo pelo qual o Nick estava a passar com o divórcio dos pais.”

No entanto, na tour de 2015, “Show ‘Em What You’re Made Of” Carter começou à luta com Littrel, dizendo que já não tinha medo dele. A disputa prolongou-se mais do que o concerto, mas mais tarde Carter admitiu que sempre pensou em Brian como sendo o Michael Jordan e nele como o Scottie Pippen.

McLean diz que a zanga poderá ter estado relacionada com o facto de a vida, naquela altura, já ser diferente. Já estavam mais crescidos e Literal já se tinha casado, o que pode ter causado algum transtorno ao amigo que o idolatrava.

“Brian estava a crescer como todos nós e a começar a sua própria vida. Acho mesmo que isso partiu o coração ao Nick. Passou a ser tudo sobre o Brian e a Leighanne [a mulher dele] e deixou de ser sobre o Brian e o Nick”, disse McLean. “Durante anos acho que o Nick se sentiu sempre um pouco intimidado pela Brian.”

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7. As fãs faziam coisas loucas — como pôr uma faca por baixo da porta do quarto de Nick

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A legião de fãs era enorme e seguia a boys band para todo o lado. “Havia alturas em que voltávamos do espetáculo e tínhamos de fazer uma saída rápida do local”, explicou Kevin Richardson.”Assim que saíamos do palco, corríamos e saltávamos para a carrinha, antes que a banda parasse de tocar. Ao último som da bateria e quando as luzes se apagavam, nós já estávamos fora dali. Íamos diretos para o hotel e muitas vezes tínhamos polícia a acompanhar-nos.”

Só que as fãs já conheciam o esquema. Aconteceu, até, chegarem ao hotel primeiro do que eles, conseguindo chegar aos quartos da banda.

“Senti alguém a bater à minha porta e achei que era a pessoa do guarda-roupa. Tinha uma toalha enrolada à minha volta e as roupas numa mala para entregar. Quando abro a porta estão cinco fãs. De alguma forma, elas conseguiram chegar ao nosso andar. Gritaram e eu pensei: ‘Ok, este não é o assistente de guarda-roupa.”

Mas isto vai mais longe. Numa entrevista à MTV Buzworthy a banda admitiu que o momento mais bizarro com as fãs aconteceu quando uma miúda pôs uma faca no quarto de Nick, por baixo da porta, só para saber se ele lá estava,

McLean também recordou uma história, na mesma entrevista: “Depois de atuamos em Hamburgo, na Alemanha, duas mulheres conseguiram entrar no nosso autocarro de digressão. O nosso manager estava à procura da mala dele e quando a encontrou sentiu uma coisa estranha, era o joelho de uma rapariga. Guiamos uns milhares de milhas com elas lá dentro.”

“Uma dessas raparigas deu-nos dois anéis de ouro que eram afinal as alianças de casamento dos pais.”