Na Queima das Fitas do Porto uma jovem foi encontrada seminua e totalmente desorientada.

O que é que os super entendedores da internet acham? Que ela se pôs a jeito.

Ora bem, permitam-me discordar e esclarecer-vos: ninguém em momento algum se mete a jeito para ter sexo não consensual. Ninguém se mete a jeito para ser abusada, maltratada e violada em plena via pública. E pior! Ainda ouvir que foi culpada porque bebeu, ou porque se vestiu desta ou daquela maneira.

O corpo de uma mulher é para ser respeitado e mete-me nojo, mete-me repulsa ler todos esses comentários vindos ainda por cima, maioritariamente, de mulheres que parece que não têm um pingo de noção.

O álcool ingerido pela vitima nunca em momento algum pode desculpabilizar o comportamento animalesco de nenhum tarado, que se tem vontades descontroladas, tem mais é que se tratar. Ele sim. Se houve de facto uma violação, ele é que tem de ouvir que se meteu a jeito para ser castigado, e fortemente!

Mãe leoa. A história da mulher que lutou contra os homens que violaram a filha

Que merda de sociedade é esta que está feita para atacar as mulheres só porque sim? Se nos vestimos de determinada maneira é porque somos levianas, se nos vestimos de forma conservadora, somos pãezinhos sem sal e “nunca mais saímos do armário”, agora se bebemos uns canecos, metemo-nos a jeito para sermos sexualmente atacadas?!

Lamento, mas não foi para isto que os meus avós lutaram de punho erguido e cravos ao peito.

Quero andar pelas ruas de fato de treino exatamente com o mesmo conforto que o faço com uma saia mais curta ou uma camisola decotada. Porquê? Porque adivinhem só, é o meu corpo, sou eu que lhe dito as regras e aconteça o que acontecer, sou livre e quero sê-lo sem medo de o ser.

Não me estou a pôr a jeito e espero que as netas, as sobrinhas ou quiçá as filhas dessas senhoras jamais passem por nada desse género, porque depois de ver e conhecer certas e determinadas mentalidades, tenho, para além de vergonha alheia, um medo tremendo da falta de apoio que lhes será dada.

É tempo de agirmos, uma violação é um ato dantesco.

É à vítima que temos de dar o nosso apoio, de dar o nosso abraço, de estender as nossas mãos.