“Abriu mais um restaurante vegan em Lisboa”. Aqui está uma das frases mais ditas nos últimos tempos, até porque, convenhamos, os restaurantes livres de produtos de origem animal brotam pela cidade à velocidade da luz.

Reinventam a forma de cozinhar os legumes, usam e abusam das leguminosas, conseguem fazer sobremesas incríveis sem recorrer a ovos e manteigas e, ainda que o açúcar, a farinha e os azeites não venham dos animais, a verdade é que a maioria destes espaços opta por oferecer uma carta mais saudável do que a dos restaurantes mais convencionais. Mas com a abertura do Vegan Junkies, tudo isto vai mudar.

Vegan Junkies

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Morada: Rua Luciano Cordeiro, 28, Lisboa
Horário: 18h-24h (a partir de dia 13 abre para almoços, entre as 12h e as 15h)

Vinicius Alkim é brasileiro mas já são tantos os anos cá que o sotaque disfarça-se com muitos “pá”, “bué” e “tipo”. Quando geria o Oasis Backpakers Hostel, percebeu que eram cada vez mais os hóspedes a procurar opções vegan e, por isso, pediu à chef do espaço, Mariana Cordeiro, para apostar no desenvolvimento de novas receitas.

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É importante dizer que nenhum dos dois é vegan, mas Mariana admite que nada lhe dá mais prazer do que cozinhar sem carne nem peixe. “É uma cozinha muito mais criativa”, diz à MAGG. E tanta criatividade não podia ficar confinada à cozinha de um hostel. Os dois juntaram-se para abrir um restaurante 100% vegetariano, mas sem saladas no menu.

“Os vegan também querem comer junk food de vez em quando e faltava um espaço onde pudessem fazer isso”, admite Vinicius. É por isso que o Vegan Junkies está associado ao hashtag #saladdaysaregone e por aqui tudo é frito, tem molhos e açúcar, como a junk food se quer.

O menu é curto e conta com três opções de entrada, todas elas inspiradas em pratos icónicos dos Estados Unidos. Há couve flor frita com molho barbeque picante, as BBQ not Wings (5€), mac and cheese (4,50€) e as Loaded Fries, batatas fritas com maionese de chipotle, guacamole, cebola frita, pico de gallo e “cheddar”. O cheddar vem entre aspas porque ainda que o queijo seja protagonista de grande parte dos pratos, é sempre vegetal, da marca Violife.

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Os pratos principais dividem-se entre quatro hambúrgueres e um bagel, este feito com tofu fumado e abacate (6,99€). Os hambúrgueres têm nome de música ou de músicos de hip hop, porque “no nosso imaginário, hip hop e junk food andam ligados, né?”. Vinicius, entusiasmado com esta fórmula mágica, aconselha-nos a provar o The Notorious BIG, Juicy feito em pão de cebola roxa, cebola caramelizada, maionese de sriracha, queijo cheddar, cebola frita e salada (8,99€). Vem acompanhado de batatas fritas caseiras, como todos os hambúrgueres da lista mas, se pedirem com jeitinho, podem quebrar os mandamentos da hashtag e trocá-las por uma salada.

O hambúrguer é sempre o mesmo e Mariana demorou meses a conseguir chegar à receita perfeita. Leva feijão, cogumelos, arroz integral, especiarias e alguns truques para que quase pareça que estamos a dar uma trinca num de carne.

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Mariana optou por criar um com um sabor mais neutro para que pudesse ganhar formas consoante os toppings que ajudam a compor o prato. O Mathematics (7,50€) é feito em pão de batata doce e leva guacamole, pico de gallo e pimentos vermelhos salteados, o Nuthing but a J Thang (7,50€) é feito com pão de figo, jaca desfiada, molho barbecue, salada de couve e maionese e, por fim, o So Fresh and So Clean (6,99€) é também em pão de batata doce, mas leva maionese de endro, pickles, tomate, cebola roxa e alface.

As sobremesas são igualmente pecaminosas. A Death by Chocolat (4€) é um bolo de chocolate e oreo e a This is Peanuts (3,50€) é uma tarte de manteiga de amendoim.

Tarte de manteiga de amendoim (3,50€)

O menu das bebidas tem o mítico Dude do “The Big Lebowski” estampado e, como tal, não podia faltar um White Russian na carta, a bebida preferida da personagem de Jeff Bridges. Aqui chama-se mesmo The Dude’s (7€) e ajuda a compor uma lista de onde constam também um Hendricks tonic (10€) um Bloody Patron on Ice, uma espécie de marguerita com beterraba  e um Sour (8€), um bourbon amargo com aquafaba, o substituto das claras de ovo, feito com a água da cozedura do grão de bico.

“E como temos que ter sempre muita aqufaba para os cocktails, temos grão de sobra”, conta Vinicius, enquanto nos põe na mesa uma espécie de amuse bouche, versão junk food. Grão de bico tostado no forno com especiarias e depois frito, claro.