Joana Guerra Tadeu não se lembra onde, mas sabe que leu algures que a gestação do ser humano é demasiado curta. “É por isso que nascemos completamente inaptos a sobreviver sozinhos”. Leu também que, por isso, o ideal seria que o bebé ficasse com a mãe 18 meses, nove na barriga e outros nove ao colo.

Levou à letra o ensinamento e, mesmo com quase 2 anos, a filha continua a acompanhá-la para tudo, até porque continua a amamentar e isso é feito sempre que Aurora pedir. No Instagram há fotos de Aurora a mamar durante uma manifestação, num museu, a meio de uma caminhada nos Açores e até enquanto Joana dá uma das suas palestras sobre minimalismo. “Nessa altura, em vez de receber emails no final com dúvidas ou pedidos de esclarecimento, passei a receber mensagens de pessoas que faziam questão de dar feedback, sempre positivo, por me terem visto a dar de mamar enquanto falava para uma sala cheia”, conta à MAGG.

Mala de maternidade. O que precisa realmente de levar

Palestras sobre minimalismo e desperdício zero são apenas uma das pontas que segura a vida de Joana que, com 29 anos, há muito se dedica a causas. Por querer ver o mundo a girar de forma mais sustentável, dedica o seu trabalho a ensinar tudo o que sabe sobre o tema, seja nos tais workshops ou na consultoria a empresas que queiram adquirir práticas mais sustentáveis.

Mas como não há Joana sem Aurora, são muitas as questões que recebe através das redes sociais também sobre maternidade, seja sobre que fraldas reutilizáveis a filha usa até quais os desafios da amamentação livre.

Tudo isso fez com que avançasse agora com um projeto com o qual sonhava ainda antes de ter parido [com Joana não há dar à luz ou seios, há palavras cruas mais verdadeiras]. “Estava grávida da Aurora quando a Yoga Girl fez o seu primeiro podcast não sobre ioga, como era habitual, mas sobre a experiência do seu parto”, lembra. “Eu só queria ouvir mais e mais e pensei: ‘Um dia que seja mãe vou contar a minha história e a de quem mais a queira contar'”.

E é exatamente isso que vai fazer com o Puericooltura, um podcast sobre maternidade sem filtros. No primeiro episódio Joana descreve o seu parto ao pormenor e —spoiler alert — mete cocó.

Viciada em podcasts

“Sou ávida consumidora de podcasts”, admite Joana. Dos portugueses, prefere ouvir o Officinalis, da coach de nutrição holística Cláudia Fonseca, e, a nível internacional, é fã das Ted Talks. “Quando ouço uma Ted Talk, aquele fica a ser o assunto mais importante do meu dia”, brinca. “Ainda no outro dia ouvi um sobre abelhas e fiquei maluca, até tentei convencer o meu pai a ter uma colmeia”.

A série que todas as mães (e pais) deviam ver

No Puericooltura não haverá abelhas — certo Joana? — mas não faltará assunto, um vez que a base de tudo é o ser mãe. “Vamos falar das coisas com humor e leveza, chegando aos pormenores que mãe se sinta à vontade para partilhar. Prometo que nem todos chegam à parte do cocó”.

O primeiro episódio é mais curto, como todos os que vai fazer sozinha. Esses são intercalados com episódios nos quais uma convidada vem falar sobre determinado tema. Confirmadas estão já estão a Leonor Cício, do blogue “Na Cadeira da Papa“, que vai falar sobre alimentação, a Catarina Macedo Ferreira, fotógrafa e autora do site “Ties“, que vem partilhar a sua experiência com a abdominoplastia que teve que fazer no pós parto. A blogger Rita Ferro Alvim, a humorista e blogger Joana Gama e a especialista em sono de bebés Constança Cordeiro Ferreira também fazem parte da lista de convidadas desta primeira temporada que conta com 12 episódios, sempre a sair ao domingo e disponíveis no Soundcloud, no Spotify, no Apple Podcast e no site no qual Joana agrega o seu trabalho, o Minimalista.

Joana consegue assim, além de passar informação, também ela matar esta curiosidade por saber as histórias dos outros. “Lembro-me que, ainda grávida, perguntava a todas as mães com as quais me cruzava como tinha sido o parto”, conta, sem medo de ficar a conhecer as experiências mais negativas. “Eu acho que a constante surpresa que acontece na maternidade é o mais assustador. Prefiro ir o mais informada possível”, garante.

Além disso, acredita que ao partilhar histórias reais, as mulheres vão perceber que são mães, não super-heroínas. “Há meia dúzia de mulheres que são super poderosas e nem querem saber das histórias das outras mães, que bom para elas. Mas existem muitas que vivem em pânico e com medo de falhar. E isso começa logo no parto, altura em que achamos que somos fracas por aceitar a epidural ou que falhamos por termos que avançar para uma cesariana”, explica.

O minimalismo que rege a vida de Joana vai ser também a base do podcast, que é gravado em casa “mas também pode passar para uma esplanada ou um jardim”. A acompanhar o lançamento do podcast há também uma linha de sacos de pano (e mais tarde T-shirts) feitas em tecido de algodão e pintado com tintas de água com um estampado que Joana sabe que vende: mamas. “De um lado do saco estão as mamas antes do parto, do outro umas mamas de pós-parto, if you know what i mean”. Quem não sabe, pode ouvir a Joana todos os domingos. Depois de falar de cocó, é possível que salte para este assunto.