Consumidora de marcas emergentes já há alguns anos, especialmente nacionais, Alexandra Neto, 31 anos, achou uma lacuna de mercado que a levou a criar a sua própria marca de vestuário e acessórios. “Eu estava sempre à procura de um certo tipo de peças, com boa qualidade mas sem ser no segmento de luxo, e nunca encontrava”, conta à MAGG a consultora de marketing digital e criadora do blogue “Xanalicious”, que mantém desde 2009.

Alexandra Neto diz que a ideia de criar a sua própria marca surgiu depois de três noites sem dormir, a pesquisar e a fazer contas à vida: “Na altura, trabalhava numa plataforma digital que comercializava marcas emergentes portuguesas e senti-me super inspirada a mergulhar na nossa incrível indústria têxtil. À semelhança do meu blogue, a decisão final surgiu de um momento de aborrecimento — estava a precisar de um projeto novo, que me entusiasmasse”.

E foi assim que nasceu a Campos, a marca da blogger, que lançou oficialmente a sua primeira coleção a 28 de abril. Inspirada pelo próprio gosto de Alexandra e naquilo que gosta e quer usar, a consultora de marketing assume que a linha tem várias semelhanças com a estética escandinava.

Alexandra Neto tem 31 anos e decidiu criar a sua própria marca depois de encontrar uma lacuna no mercado

Campos

A primeira coleção da Campos é composta por três vestidos e três acessórios: “Todas as coleções serão de três peças. A primeira tem três vestidos que, em comum, apenas têm a versatilidade. O MF, um vestido T-shirt preto que está a ser um furor, é simples mas, ao mesmo tempo, muito cool pelo efeito que o corte evasé confere à saia. Já o ME é o meu diamante em bruto, um vestido a direito num casca de ovo incrível, que é uma verdadeira tela em branco, não imagino nenhuma ocasião do nosso dia a dia em que esta peça não fique perfeita. Depois a estrela da coleção é o vestido camisa MH, que é, possivelmente, a peça mais bonita que já vesti. Sou absolutamente apaixonada pelas três, acho que representam muito bem o poder e a sofisticação da simplicidade. Temos também acessórios complementares — um conjunto de dois colares e duas pulseiras de tornozelo”.

Há uma nova e exclusiva marca portuguesa de calças de ganga

Segundo a criadora da marca, esta coleção é feita a pensar em quem procura “peças versáteis para usar” e explica que o conceito da Campos é claro: elevated utility, infinite wearability (algo como utilidade elevada, usabilidade infinita). Para além da versatilidade, a qualidade das peças é prioridade para Alexandra Neto, que valoriza a produção nacional.

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“Todas as peças são confecionadas em Portugal, em atelier. A génese do projeto é ser 100% português – um dos motivos que me entusiasmou foi poder explorar a indústria têxtil nacional. As peças têm outro tipo de design, de acabamentos, de personalidade”, salienta a consultora de marketing.

Alexandra Neto aborda também a questão de os preços das peças serem mais elevados do que os praticados nas lojas de fast-fashion: “É como tudo: para conseguir algo realmente bem feito, não podemos esperar o custo/preço de uma peça feita em fábricas com condições sociais duvidosas”.

A primeira coleção da Campos já está disponível para venda através do site oficial da marca, mas a segunda não tarda muito. “Vamos ter uma coleção muito em breve. Como esta chegou mais tarde do que o previsto, não vai estar muito espaçada da segunda. E não vão ser apenas vestidos”, adianta Alexandra Neto.