Estudo. Afinal, também conseguimos cheirar com a língua

Uma investigação norte-americana provou a existência de recetores olfativos nas línguas dos seres humanos.

O investigador principal do estudo perseguiu esta ideia depois de o filho lhe perguntar se as cobras esticavam a língua para cheirar

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Sentimos o cheiro com o nariz e o gosto com a língua, certo? Esta premissa não foi negada até hoje mas, e de acordo com um novo estudo divulgado a 24 de abril, o nariz pode não ser a única parte do nosso corpo responsável por detetar odores — a língua também.

Tudo começou quando o filho de 12 anos de Mehmet Hakan Ozdener, o líder do estudo e investigador no Monell Chemical Senses Centre, em Filadélfia, Estados Unidos, perguntou ao pai se as cobras esticavam a língua para conseguirem cheirar. A dúvida ficou a pairar na cabeça do especialista, que reuniu uma equipa de investigação e começou a estudar a possibilidade de existirem recetores olfativos (que detetam os odores no nariz) na língua.

E foi exatamente isso que os especialistas descobriram no decorrer do estudo: recetores olfativos nas células humanas responsáveis por detetar o gosto dos alimentos, presentes na língua.

Na verdade, o gosto mais característico das bebidas e dos alimentos é distinguido através do cheiro mais do que pelo paladar, que deteta o doce, o salgado, o amargo e o azedo, e atua como uma espécie de “porteiro” para avaliar os valores nutricionais e o potencial tóxico de tudo aquilo que colocamos na nossa boca.

Já o cheiro fornece informação detalhada sobre a qualidade do gosto da comida, tal como o cheiro forte de alimentos como o chocolate ou o café. O nosso cérebro combina a informação do gosto, cheiro e outros sentidos para criar a sensação de sabor.

E se até à data se acreditava que o gosto e o cheiro eram sistemas completamente separados, que não interagiam até à informação ser combinada pelo cérebro, a equipa de investigação liderada por Mehmet Hakan Ozdener provou o contrário.

Os investigadores mantiveram células humanas vivas em cultura e, usando métodos genéticos e biomédicos para testar as células, perceberam que conseguiram conter moléculas chave conhecidas como recetores de cheiro.

Através de um método próprio, conhecido como imagem de cálcio, os especialistas mostraram que as células de gosto respondiam às moléculas de odor de uma maneira bastante semelhante aos recetores de cheiro, o que sugere que estes recetores desempenham um grande papel no sistema de gosto ao interagir com as células da língua.

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