A existir uma comparação possível entre os filmes de “Harry Potter” e a série da HBO “A Guerra dos Tronos”, seria o facto de ambas as produções terem ficado cada vez mais negras com o passar dos anos. E não nos estamos a referir apenas ao conteúdo temático das histórias, mas sim à forma como é apresentado.

Se em “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, lançado em 2001, havia luz e cor em grande parte dos planos, o mesmo não aconteceu nos últimos filmes — à medida que as personagens foram crescendo e a história foi evoluindo, as cenas foram ficando cada vez mais escuras. A luz era pouca e as cores vivas ou não realçavam da mesma maneira, ou davam lugar a outras mais neutras.

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Tal como na adaptação para cinema dos livros de “Harry Potter”, também o mundo de Westeros foi ficando mais negro. Quando foi lançado o teaser da oitava e última temporada, foram vários os fãs que recorreram às redes sociais para se queixar sobre a falta de luz na imagem. É que, segundo eles, era difícil perceber o que estava a acontecer.

Mas segundo revelou Robert McLachlan (“Westworld”), um dos responsáveis de fotografia da HBO, à revista “Insider”, esta foi uma decisão consciente e intencional por parte do canal.

“Acho que estamos [toda a equipa de produção da série] em sintonia na medida em que tentámos ser o mais naturais e realistas possível. É que na primeira temporada a história passava-se entre o fim do verão e o início do outono, mas os cinematógrafos estavam a usar luz extra durante as gravações”, explica. 

McLachlan refere-se aos primeiros episódios da série onde havia muita luz e era possível vê-la refletida nas roupas e no rosto das personagens.

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Mas a abordagem mudou assim que toda a equipa chegou à conclusão que aquilo que queriam era cenas naturais onde a única luz viesse da natureza ou até de algumas velas, mas poucas.

É que há uma regra importante seguida pelas personagens que habitam o universo de Westeros. E dita que as velas têm de ser utilizadas poucas vezes. E quase nunca durante o dia, por serem muito caras.

“Queríamos que os locais onde gravássemos não parecessem iluminados por nós, mas sim pela natureza. Com a sétima temporada, o inverno finalmente chegou. Com ele, chegámos também ao consenso de que não faria muito sentido ter muita iluminação dentro dos castelos. Porque é que as personagens haveriam de ter as janelas abertas com o frio que está lá fora?”, defendeu.

Mas isso também trouxe os seus problemas, já que complicou o trabalho dos responsáveis pela fotografia da série. A existência de cenários mais escuros implicava um maior esforço na tentativa de encontrar um balanço entre a luz natural e a luz das velas — de maneira a não aumentar em demasia a exposição de ambas.

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À medida que o inverno foi chegando ao mundo criado por George R.R. Martin (“Nightflyers”) e adaptado pela HBO, também as cenas dentro de castelos e outros edifícios foram ficando cada vez mais escuros.

O objetivo foi tornar a história mais real e fiel ao contexto envolvente mesmo que, como consequência, tenha obrigado os espectadores a aumentar a luminosidade dos ecrãs onde veem a série.

Em Portugal, a última temporada de “A Guerra dos Tronos” é transmitida no canal SyFy e na plataforma de streaming da HBO.