75 anos depois da sua morte, família recorda marinheiro do Titanic

Sobreviveu a dois naufrágios e só no último é que jurou nunca mais trabalhar em navios grandes. Conheça a história de George Beauchamp.

Na fotografia, George Beauchamp é o terceiro homem à esquerda

Se pesquisar George Beauchamp no Google, vão aparecer umas boas centenas de resultados referentes a um norte-americano que inventou instrumentos musicais e fundou empresas de guitarras. Não é desse que estamos a falar. Se acrescentar a palavra Titanic ao motor de busca, vai perceber que há outra pessoa com o mesmo nome que tem uma história incrível por contar.

“Já tive a minha dose de navios grandes — vou trabalhar para barcos mais pequenos”. Foram estas as palavras ditas por George à família quando escapou ao naufrágio do RMS Lusitania, em 1915. A história foi contada pela bisneta, Susan Norton, no aniversário dos 75 anos da sua morte. De acordo com a família, George Beauchamp foi a única pessoa a sobreviver a dois dos piores desastres marítimos do século XX: os naufrágios do Titanic e do RMS Lusitania, atingido por um torpedo durante a Primeira Guerra Mundial.

Na foto, George Beauchamp ao centro

George nasceu em Londres mas mudou-se para Hull, uma cidade no Reino Unido a cerca de 200 quilómetros de Liverpool. Durante dez anos trabalhou em pequenas embarcações de pesca e navios. Quando entrou para a White Star Line, a empresa que detinha o Titanic, viajou até Southampton para a viagem inaugural do navio que nem Deus conseguiria afundar, prometiam os seus donos.

A viagem inaugural do Titanic aconteceu a 10 de abril de 1912

Na altura Beauchamp tinha 42 anos, mas mentiu sobre a idade para conseguir o emprego como bombeiro — disse que tinha 32. Num inquérito britânico sobre o acidente, George viria a dizer que se apercebeu do momento em que o Titanic embateu no icebergue. “Eu apercebi-me do choque e depois de um rugido como um trovão. Fomos ordenados a fechar os amortecedores enquanto a água entrava”.

George Beauchamp foi um herói naquela noite: com muita dificuldade, ajudou mulheres e crianças a entrarem no barco salva-vidas número 13. “Tivemos muita dificuldade em manter o barco salva-vidas longe do navio e impedir a entrada de água”, contaria mais tarde. “Puxámos os remos para sair o mais rapidamente possível da zona de sucção do navio quando ele partiu. Vi o navio descer primeiro e ainda consegui ver a popa até que ela se afundou também. Foi como o rugido de um trovão quando desceu, e ouvi gritos”.

Às 9h30 da manhã seguinte, George e os restantes sobreviventes do barco salva-vidas número 13 foram resgatados pelo RMS Carpathia.

Três anos depois, a família acredita que George voltou a sobreviver ao impossível. A bordo do RMS Lusitania, conseguiu escapar com vida a um torpedo de um submarino alemão. Foi nesse momento que decidiu desistir das embarcações grandes.

O RMS Lusitania em 1906

© National Maritime Museum, Gree

O resto da vida de George foi passada em Southampton, onde morreu em 1944 com 72 anos. A maioria dos seus familiares ainda vive na cidade de Hull, e lamenta que a história de Beauchamp seja tão pouco conhecida. “Tenho muito orgulho no meu bisavô e no papel que ele desempenhou ao salvar a vida de alguns passageiros”, rematou Susan Norton ao “Hull Daily Mail“.

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