Sabe o que está a comer quando come um folar da Páscoa? Uma nutricionista explica tudo

O doce tradicional de Páscoa varia consoante a região, mas todos têm traços comuns. Saiba a que nutrientes e ingredientes estar mais atento.

Mais do que as calorias, interessa a qualidade dos nutrientes, diz Ana Lúcia Silva

Rodrigo Azevedo

Não queremos ser uns desmancha-prazeres. Há dias que foram inventados, em parte, para comer e a Páscoa é um deles. O dia passa-se em família e junto de comida, portanto ninguém está a pensar em dietas e restrições. Mas saber nunca fez mal a ninguém: mesmo sem grandes fundamentalismos, a ideia fica a pairar na cabeça e entra em ação para prevenir os excessos desnecessários.

O folar é uma das tradições gastronómicas mais comuns na Páscoa, mas vai variando de região para região: em Trás-os-Montes é, por exemplo, salgado (também se dá o nome de bola) e no Algarve é doce. Ainda assim, há uma base comum feita em massa seca e doce, com um ovo inteiro no interior, coberto com uma cruz de massa.

Leva açúcar, leva farinha e leva gordura. E é nestes três ingredientes que se deve focar mais, quer compre, quer faça em casa — num caso pode controlar a escolha a partir do rótulo, e no outro através da escolha de ingredientes. A ideia é ter sempre as opções com maior qualidade nutricional.

Ana Lúcia Silva, nutricionista, começa, precisamente, por referir a importância de saber o que está a comprar, caso opte por escolher um de origem industrial. É de se evitar aqueles que incluem “gorduras trans”, porque são “altamente prejudiciais à saúde cardiovascular.” Segundo a nutricionista, este é o “ingrediente que mais acrescenta calorias”. Portanto, folar com menos gordura terá menos teor energético.

Se decidir fazer em casa, deverá ter isto em conta e optar — por esta ordem de preferência — por “azeite, óleos vegetais ou creme vegetal. As de origem animal são mais “prejudiciais, principalmente para o coração”, diz.

Depois, claro, há o açúcar. “100 gramas de açúcar correspondem a 400 kilocalorias”, alerta, numa alusão às receitas que têm este ingrediente em força, muitas vezes nesta quantidade. “É outro dos problemas. Aquilo que podemos fazer é reduzir a sua quantidade adicionada. A canela pode ser um bom substituto porque realça o sabor e apresentar propriedades muito mais saudáveis, nomeadamente ao nível da prevenção da diabetes”, sugere.

Mas há dois tipos de canela. “A canela cassia é um tipo de canela com origem no louro, ou seja, pode ser tóxica, pelo que não se deve ultrapassar uma colher de sopa — o que significa que não é bom para adicionar a doces de pastelaria, como o folar.” A canela melhor será a do ceilão — além de mais saudável, tem um “sabor muito mais forte, intenso, muito mais agradável.”

Vamos então às calorias e à quantidade de fatias: segundo o “Fat Secret“, 100 gramas de folar têm 293, dos quais 2,14 gramas são gordura, 57,07 gramas são de hidratos de carbono e 10 gramas de proteína, “de alto valor biológico”, pela presença do ovo, que é cozido e um alimento nutritivo, “sem riscos para a saúde.”

Como em todos os alimentos, as calorias não são o ponto principal a prestar atenção: “O problema não é tanto a quantidade de fatias, mas sim a qualidade do folar, o que passa pelos ingredientes que lá existem. O estilo de vida também interessa: se praticarmos mais exercício físico, também podemos, obviamente, comer mais”, ressalva a nutricionista.

Idealmente deverá fazer o seu folar em casa, controlando as quantidades, fazendo substituições inteligentes, como, por exemplo, a redução do açúcar substituindo-a pela canela. Mas, não tendo oportunidade, faça o que diz a nutricionista Bárbara Oliveira: “Não exagerar, equilibrar o prato da refeição principal, aproveitando para comer saladas e legumes, tentar controlar as quantidades, sem ter de prescindir o folar ou de outro doce qualquer.”

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