Casamento vai terminar em divórcio? Fotógrafos identificam sinais de alerta

Há quem destaque as divergências no que diz respeito à banda sonora ou a influência dos pais na organização do evento.

A família pode ser uma red flag, assim como o álcool, a banda sonora e a linguagem não verbal

Anton Mislawsky/Unsplash

Hugo Neves é fotógrafo de casamentos há quase 20 anos. Das cerimónias mais felizes às mais problemáticas, já viu quase tudo — inclusivamente um padre já de idade avançada que desapareceu na altura da cerimónia. Quando a noiva e o noivo já estavam lado a lado no altar, ninguém conseguia encontrá-lo. Foi Hugo que o descobriu passado uma hora, confortavelmente sentado num café a tomar o pequeno-almoço.

Por detrás das câmaras, os fotógrafos de casamentos veem de tudo um pouco. Mas situações mirabolantes à parte, eles acabam por ser autênticos especialistas na altura de analisar se a relação vai resultar ou não. Afinal, são eles que convivem durante o dia todo com os noivos, família e amigos — e assistem discretamente ao desenrolar do evento, quase como se não estivessem presentes.

A 7 de abril, um utilizador lançou a pergunta no Reddit: fotógrafos e videógrafos, quais são para vocês os sinais num casamento de que a relação vai ou não resultar? A publicação conta com quase sete mil comentários, e há algumas respostas surpreendentes. Um fotógrafo jura a pé juntos que um casamento acaba em divórcio se os noivos decidirem fazer aquela brincadeira de espalhar bolo na cara. Outro garante que se um dos membros do casal for demasiado calado, está lançada a receita para o desastre.

Então e por cá? A MAGG pediu a fotógrafos de casamentos portugueses que identificassem os sinais de alerta num casamento. A família pode ser uma red flag, assim como o álcool, a banda sonora e a linguagem não verbal — afinal, às vezes uma imagem vale mesmo mais do que mil palavras.

A influência dos pais no casamento

“A minha primeira (e até agora, única red flag) surgiu quando eu tinha marcada uma reunião com os noivos e apareceram os pais da noiva. A conversa começou com o facto de os noivos terem perdido o avião e só chegarem a Portugal quatro dias depois do previsto. “Mas como o casamento foi planeado tão à pressa” (palavras da mãe da noiva), alguém tinha que estar presente na reunião.

Era claro (pelo menos para mim) que aquela reunião não tinha as mínimas condições necessárias para ter sequer começado. Havia toda uma série de informações que era necessário saber acerca do casamento que não nos estavam a ser passadas por desconhecimento. Contudo, havia outras questões que estavam claramente bem organizadas na cabeça e bloco de notas da mãe da noiva.

“O vestido já está tratado. Mandei vir da internet”;

“A minha filha vai ter cabeleireira e maquilhagem na vizinha ao lado da nossa casa. Ela ainda não sabe mas vai ter!”;

“O bolo de casamento já está tratado”.

(…)

Referi a importância de estar com os noivos presencialmente para os conhecer (primeiramente) e para saber mais informações sobre o casamento. Obtive uma resposta rápida. “Não é preciso estar com a minha Jessica. Ela só sabe que vai casar e batizar a filha. Faça de conta que eu sou a noiva!”. Deu uma gargalhada tal que tive de a acompanhar na doidice. Aquela reunião estava a revelar-se surreal.

Lá tive a tão desejada reunião presencial e foi, talvez, uma das mais longas e cansativas que tive. Os noivos estavam apenas de corpo presente. Todas as informações saiam do mesmo sítio: da mãe da noiva e futura sogra do noivo. O clima estava estranho.

No dia do casamento estava tudo no sítio, tal como foi idealizado pela mãe da noiva. No decorrer da cerimónia, e depois de fotografar várias vezes o noivo, reparei que a alma do mesmo não estava na paz de Cristo, tal como deveria ter sido a entrega naquela cerimónia católica. Fui reparando que havia algumas caras de mau gosto, de desconforto, de ódio. Pensei que pudessem ser dos nervos, que fosse mesmo da pessoa ou que eu estava simplesmente a exagerar.

O casamento lá decorreu conforme o planeado, mas eu estive o tempo todo com inúmeras dúvidas.

Vim a saber, um mês depois, que o divórcio já se tinha consumado.”

Ana Afonso, Santarém (30 anos)

O álcool pode ser um indício de problemas

“Embora não aconteça todos os dias, de vez em quando lá surgem os problemas do álcool. Uma das histórias que tenho para contar aconteceu há muitos anos numa quinta em Coimbra, em que o noivo bebeu, bebeu, bebeu. E bebeu, bebeu e brindou mais um pouco.

Quando estava a ser preparado o bolo, o noivo ficou KO. Esperámos para que ele se recompusesse enquanto era servido o bufett. As pessoas comeram, foram-se embora, e nada de noivo. Resultado: o corte do bolo foi feito quase de madrugada apenas com a noiva, o noivo (a ser segurado) e os padrinhos, além dos fotógrafos, claro”.

Hugo Neves, Porto (37 anos)

As expressões faciais e a linguagem não verbal dizem tudo

“Eu gostava só de partilhar duas historias que testemunhei sobre a capacidade que as fotografias têm de revelarem sentimentos escondidos.

Num casamento, o noivo estava sempre com um ar solene. Deixava-se abraçar pela noiva (mas nunca a abraçava de volta) e ficava estático em todos os momentos importantes, sendo a única fotografia com um sorriso a que está a dançar com o padrinho.

Outra fotografia de um outro casamento: a cara (de irritada) da sogra a ver a futura nora a chegar à cerimonia. Foi uma daquelas que caretas que diz tudo!”.

Joana (nome fictício), Torres Vedras

Está demasiado relaxado? Pode ser um problema

“Uma red flag que tenho notado tem que ver com a disposição para esse dia em si. De todos os casamentos que fotografei, notei que a grande maioria das noivas que estão completamente descansas nesse dia, dizendo até várias vezes que não estão minimamente nervosas, meses ou anos mais tarde separam-se.”

Ana Martelo, Aveiro (32 anos)

A banda sonora

“Relativamente à festa em si, noto também que a escolha das músicas para os momentos mais importantes são um alerta a ter em consideração, isto porque posteriormente um deles (o noivo ou a noiva, dependendo de quem fez a escolha) fica bastante relutante em seguir com a cerimónia devido à música. Ouço muitas vezes “eu com esta música não entro na sala” ou “eu não vou fazer a primeira dança com uma música tão má como esta”, o que acaba por estragar o momento em si.”

Ana Martelo, Aveiro (32 anos)

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