A maldição do número 15. Tragédias que atingiram monumentos históricos neste dia

A II Guerra Mundial foi responsável pela destruição de igrejas e mosteiros. Mas tal como se prevê para Notre-Dame, todos se voltaram erguer.

Um incêndio deflagrou na Catedral de Notre-Dame no dia 15 de abril

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Na segunda-feira, 15 de abril, o mundo parou a ver a emblemática Catedral de Notre-Dame, em Paris, França, a arder. O incêndio, que se considera acidental até à data, deflagrou pelas 18h50, hora local (17h50 em Portugal Continental), e durou quase 12 horas até ser extinto, destruindo grande parte do telhado da catedral.

Segundo o jornal “Le Figaro”, o fogo teve origem num andaime localizado junto ao pináculo da catedral. “O telhado inteiro está danificado, a estrutura toda ficou destruída, parte da abóbada caiu”, disse Gabriel Plus, porta-voz do corpo de bombeiros de Paris, ao início da manhã de terça-feira, 16. O representante parisiense acrescentou ainda que “os dois campanários foram salvos”, bem como “todas as obras de arte” e já deu o incêndio como “totalmente extinto”.

Mas depois da tempestade, vem sempre a bonança: através de uma publicação no Twitter, Audrey Azoulay, diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), já manifestou solidariedade com os franceses na sequência do incêndio e afirmou que a agência das Nações Unidas está “ao lado de França para salvaguardar e reabilitar esse património inestimável”.

Existe muita esperança acerca da recuperação da Catedral de Notre-Dame que, ao longo dos seus 856 anos de história, sobreviveu a invasões, guerras e até pragas. Durante a Revolução Francesa, a catedral foi danificada e saqueada, tendo passado por 20 anos de renovações a partir de 1800 para voltar a estar intacta. Permaneceu de pé durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial e sobreviveu à invasão nazi e a Hitler, que chegou a fazer planos para a incendiar, a par de outros locais emblemáticos de Paris.

Mas o desastre de Notre-Dame não é inédito — conheça outros marcos históricos que ficaram destruídos num fatídico dia 15, parcial ou totalmente, e que depois se voltarem a erguer.

Abadia de Monte Cassino, Itália

Esta abadia foi local de duras batalhas entre os aliados e os alemães durante a II Guerra Mundial

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Esta abadia italiana foi completamente destruída a 15 de fevereiro de 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, durante uma série de quatro batalhas entre os Aliados e a Alemanha, que ficaram conhecidas como a Batalha de Monte Cassino. A abadia, localizada no topo de um monte tomado pelas forças alemãs, caiu por terra na sequência de um ataque dos Aliados — foi destruída por 1.400 toneladas de bombas lançadas pelos bombardeiros norte-americanos.

Após a guerra, este monumento de estilo barroco foi completamente reconstruído, tendo ficado exatamente igual ao que era antes da guerra.

Igreja da Nossa Senhora de Dresden, Alemanha

A igreja conseguiu resistir durante dois dias aos bombardeamentos norte-americanos

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Esta igreja alemã, que partilha o nome com muitas outras igrejas espalhadas pela Europa, foi outra das vítimas da Segunda Guerra Mundial. A 13 de fevereiro de 1945, as forças anglo-americanas começaram um intensivo ataque aéreo à cidade de Dresden: a igreja conseguiu manter-se de pé durante dois dias e duas noites, chegando a servir de abrigo a cerca de 300 pessoas que se refugiaram no local. No entanto, a dia 15 do mesmo mês, a estrutura começou a não aguentar os ataques. As pessoas abandonaram a igreja e esta ruiu pelas 10 horas da manhã.

No final da guerra, dado que este monumento ficou no lado leste da Alemanha, administrado pelos russos, os restos da igreja permaneceram empilhados no centro da cidade por cerca de 45 anos. Foi apenas em 1993 que se deram início aos trabalhos de reconstrução, que ficaram concluídos em 2005. Esta reconstrução da igreja alemã é vista como um símbolo de reconciliação entre inimigos de guerra.

Escola de Artes de Glasgow, Escócia

A Escola de Artes de Glasgow passou por dois incêndios

Na fatídica sexta-feira de 15 de junho de 2018, por volta das 23h20, deflagrou um incêndio no edifício quase centenário do arquiteto Charles Rennie Mackintosh. Mais de metade da escola ficou destruída. “O edifício é o mais importante em termos de arquitetura de Glasgow, não podemos perder este edifício”, disse na altura o deputado Paul Sweeney no Twitter.

Em 2014, um incêndio já tinha destruído a Biblioteca da Escola de Arte de Glasgow, considerada um dos exemplos mais completos de art noveau em todo o mundo. Desde então, a escola foi alvo de uma profunda renovação.

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