Viveu 99 anos com os órgãos no lugar errado

A descoberta foi feita por alunos de medicina. A mulher nunca terá sabido que sofria desta condição.

Rose Marie Bentley trabalhava numa loja de ração para animais

Era mais um corpo doado à ciência que os estudantes de medicina iam dissecar. Mas rapidamente este caso deixou de ser apenas mais um.

Quando os estudantes começaram a abrir o corpo de Rose Marie Bentley, que morreu aos 99 anos de causas naturais, aperceberam-se que algo estava errado: havia órgãos e veias que não estavam no lugar certo. O coração estava no lugar correto, mas o fígado e outros órgãos abdominais estavam do lado esquerdo do corpo – quando num corpo “normal” estão do lado direito. Esta é uma condição chamada situs inversus.

Rose Marie Bentley

“Quando olhamos para os orgãos da cavidade abdominal eles estão todos à esquerda”, explicou o professor assistente de anatomia Cameron Walker que estava com os alunos aquando da descoberta. “Nunca vi nada assim e os meus alunos estavam muito fascinados”, contou à CNN.

Walker estima que apenas uma em cada 50 milhões de pessoas que nascem com esta doença vivem o suficiente para se tornarem adultos.

Esta é uma condição que ocorre uma vez em 22 mil nascimentos, e o prognóstico não dá muitos anos anos de vidar. Segundo o site “USA Today” estão apenas documentados dois pacientes com este diagnóstico que tenham vivido até aos 70 anos.

Os doentes com situsinversus tendem a ter alguns problemas de saúde relacionados com o coração, mas a família de Rose Marie explicou que a única condição que sofria era de artrite.

Durante a sua vida, Rose Marie Bentley, teve três órgãos removidos. Quando fez uma histerectomia — remoção do útero —, o médico tentou remover também o apêndice mas não o encontrou. Mais tarde, removeu a vesícula, mas o médico não informou a família que estaria numa posição pouco usual.

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