Presidente da Disney sobre Hitler: “Teria adorado as redes sociais”

Bob Iger teme que as redes sociais promovam o ódio e pede aos políticos norte-americanos discursos de tolerância.

O discurso de Bob Iger corta com um passado que liga a Disney a uma visão anti-semita

Getty Images

São “a ferramenta de marketing mais poderosa que um extremista pode desejar”. É assim que Bob Iger, presidente da Disney, se refere às redes sociais, num discurso feito no momento em que recebe um prémio humanitário das mãos da Simon Wiesenthal Center, uma organização judaica de defesa dos direitos humanos, e citadas pela revista “Variety“.

O CEO da principal empresa de entretenimento do mundo salientou que “as redes sociais refletem uma visão restrita do mundo ao filtrar qualquer coisa que desafie nossas crenças”, ao mesmo tempo que “criam um falso sentido de que toda a gente tem as mesmas opiniões”. Por isto tudo, considera que “Hitler teria adorado as redes sociais”.

“As redes sociais permitem que o mal chegue a mentes perturbadas e almas perdidas e todos nós sabemos que as notícias podem ter mais ficção do que factos, propagando ideologias más e que não têm lugar numa sociedade que valoriza a vida humana”, referiu.

Bob Iger aproveitou a ocasião para pedir aos políticos norte-americanos que “rejeitem o ódio de todas as formas”, uma vez que “são o ódio e a raiva que levam ao abismo”.

E continua. “Nos últimos anos, temos sido duramente lembrados de que o ódio pode tomar muitas formas, muitas vezes disfarçado de algo socialmente mais aceitável, como o medo, o ressentimento ou o desprezo. O ódio está a consumir o discurso público e a moldar o nosso país em algo que é totalmente irreconhecível para aqueles que ainda acreditam em civismo e direitos humanos”.

Este discurso de Bob Iger vem cortar com um passado que pôs várias vezes a empresa em causa no que diz respeito a questões de tolerância. Walt Disney estava ligado à organização anti-semítica Motion Picture Alliance para a Preservação dos Ideais Americanos e foram identificados vários estereótipos em filmes dos anos 30. A personagem do Lobo Mau foi criada para ser semelhante a um vendedor ambulante judeu e há uma cena em que o Mickey Mouse dança como um judeu chassídico, um movimento que surgiu inserido no judaísmo ortodoxo.

Em 2014, Meryl Streep afirmou, durante a gala do National Board of Review, que Walt Disney era uma pessoa machista e anti-semita.

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