A história dramática dos miúdos que a imprensa russa apelidou de Moglis

As quatro crianças viviam em condições deploráveis. A mais velha, de 8 anos, não sabe o alfabeto, nem sequer identificar as cores.

Foram os vizinhos que alertaram as autoridades

Sofia tem 8 anos e não sabe as letras do alfabeto. Quando lhe pediram que identificasse algumas cores, também se mostrou incapaz de o fazer. “Parece que o seu desenvolvimento congelou algures nos 4 anos”, disse um dos oficiais da polícia que resgatou as crianças, conforme cita o “Daily Mail“. Apesar das suas limitações, era a Sofia que todos os irmãos recorriam quando precisavam de apoio ou simplesmente de um pouco de amor.

A história das quatro crianças descobertas num apartamento em Mytishchi, a norte de Moscovo, está a chocar a Rússia. Três rapazes e uma rapariga, todos com menos de nove anos, foram resgatados de um casa em condições desumanas.

A imprensa russa deu-lhes o nome de crianças Mogli, e talvez até faça algum sentido a comparação — as condições em que viviam eram verdadeiramente selvagens. Num pequeno apartamento cheio de lixo, não tinham camas, faziam as necessidades em bacios que ninguém limpava e mal comiam.

As crianças foram retiradas da mãe, Inessa Kuznetsova, 32 anos, e da avó, Galina Kuznetsova, de 66. “O cheiro no apartamento era terrível”, contou o polícia. “De comida só encontrámos pão com mofo e algumas maçãs podres”.

Só a criança mais velha, Sofia, foi registada quando nasceu. As restantes não têm documentos oficiais, portanto não é sequer possível confirmar a sua idade — suspeita-se que seja 6, 4 e 2 anos. Nunca foram vistas por um médico ou frequentaram a escola.

“As crianças estão muito negligenciadas”, disse Olga Fedoseeva, a responsável pelos miúdos neste momento. “De acordo com os psicólogos, têm atrasos de desenvolvimento. O discurso é muito pouco desenvolvido — a menina ‘faz’ sons e tem a fala arrastada, e ensinou isso às outras crianças”.

“A comida mais deliciosa para eles é pão sem nada”

Foram os vizinhos que alertaram as autoridades — e contaram que a avó revirava com regularidade o lixo à procura de comida. “Ela estava à procura de comida para toda a família”, disse Polina Obruchev.

As crianças foram enviadas para orfanatos, no entanto agora já estão novamente juntas com uma família adotiva. Não estão habituadas a procedimentos de higiene e têm medo de água. “Não sabem usar um garfo ou uma colher”, disse fonte da polícia. “A comida mais deliciosa para eles é pão sem nada”.

O processo encontra-se neste momento a ser investigado, no entanto a mãe nega que tenha havido qualquer tipo de negligência. Quanto ao facto de não ter registado as crianças, feito as devidas inscrições nas creches e escolas ou simplesmente procurado ajuda médica, respondeu que não tinha tido tempo. Inessa Kuznetsova pode ser condenada a três anos de prisão.

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