Era a alegria das crianças com cancro mas foi vítima da doença que tratava

Em quatro horas foram recolhidas mais de 5 mil assinaturas para mudar o nome do hospital de Albacete, em Espanha, para o nome do pediatra.

O trabalho notável de Cepi, como era conhecido entre os amigos, não se ficou pela cidade espanhola de Albacete

Antonio Javier Cepillo Boluda não era um homem qualquer. O pediatra do Hospital Universitário de Albacete, em Espanha, liderava uma equipa de médicos, voluntários e familiares na Unidade de Oncologia Pediátrica. Ele não conseguia curar as crianças, mas sabia bem como fazê-las sorrir — com a ajuda da música e da prescrição de “altas doses de otimismo”, era impossível alguém sentir-se triste ao lado do homem de 36 anos.

O trabalho notável de Cepi, como era conhecido entre os amigos, não se ficou pela cidade de Albacete. Pelo contrário, a dedicação e sensibilidade com que tratava as crianças valeram-lhe o reconhecimento nacional. Só que a vida quis pregar-lhe uma partida e, no terceiro ano de formação no hospital, Antonio apercebeu-se que tinha um nódulo. Era um tumor maligno. A 2 de abril, morreu de cancro.

Antonio procurou acima de tudo humanizar o cancro. Foi por isso que criou uma banda na Unidade de Oncologia Pediátrica, os Los Guachis, onde ele próprio era flautista. O médico queria mudar o mundo, e fazia questão de contagiar todos com a sua alegria.

“Amigo, capitão, a tua luta, generosidade, bondade, altruísmo e dedicação foram e serão um exemplo para todos nós. Um beijo muito forte para a família e amigos, descansa em paz, Cepi”, escreveu o jogador de futebol Andrés Iniesta no Instagram na quarta-feira passada, 3 de abril. Antonio Boluda e Iniesta foram colegas de equipa no Albacete Balompié.

Primeiro otimista, depois capitão

Antonio estava no terceiro ano de pediatria quando a sua vida mudou. O jovem preparava-se para partir para os Estados Unidos para acabar a formação quando, uma noite, apercebeu-se de algo estranho no seu corpo. Era uma espécie de nódulo. Não doía mas, na sala de espera da oncologia, ele viu que era um tumor.

Foi naquele momento que Antonio tomou consciência que o seu tempo e vida acabavam de ficar interrompidos. As palavras foram ditas por ele próprio numa Aula Magna apinhada de colegas em 2016. A partir daquele fatídico dia, Antonio aprendeu na primeira pessoa como é que um médico deve lidar com os seus doentes.

Nos anos seguintes, Cepi deu o seu melhor para inspirar todos à sua volta. Um ano depois, em junho de 2017, foi galardoado com o prémio nacional “Capitão Otimista”. Até então, toda a gente o conhecia como sendo otimista. Com aquela distinção, ganhou o “capitão”.

Um dia depois da morte de Cepi, foi lançada uma petição no site change.org para mudar o nome do hospital para Hospital Universitário Antonio Cepillo Boluda. Em quatro horas reuniram mais de cinco mil assinaturas. Neste momento, ultrapassam as 30 mil.

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