Mesmo quem tenha nascido com raízes humildes pode vir a tornar-se num adulto com mais posses económicas. Quer seja através dos estudos, do empenho profissional ou, para os mais sortudos, do Euromilhões, existem diferentes formas de enriquecer.

No entanto, e de acordo com um estudo divulgado a 4 de abril, por mais euros que alguém tenha na sua conta bancária, e se viveu na pobreza num determinado período da vida, essa fase nunca nos abandona completamente.

Aliás, segundo a mesma investigação, para além deste período ter um impacto duradouro na saúde e bem-estar dos indivíduos, crescer pobre pode mudar uma pessoa a nível genético.

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O estudo da Universidade de Northwestern demonstrou o impacto da pobreza no DNA de uma pessoa, revelando que quase 8% do nosso genoma pode ser afetado por edições químicos que se mantêm durante o resto da vida. Os investigadores chegaram a estas conclusões depois de conduzirem uma análise ao nível do genoma a cerca de 500 participantes.

Ao usarem dados recolhidos de mulheres que deram à luz no início dos anos 80, a equipa que conduziu o estudo conseguiu estabelecer uma ligação entre o contexto socioeconómico e a tendência para os genes serem modificados através de um processo chamado epigenética.

Thomas McDade, antropólogo da Universidade de Northwestern, afirmou que “há muito que se sabe que o contexto socioeconómico é um poderoso fator determinante na saúde, mas os mecanismos subjacentes pelos quais os nossos corpos ‘se lembram’ das experiências de pobreza não são conhecidos”.

Este fenómeno tem suscitado bastante curiosidade e interesse em diversos campos de estudo nos últimos anos, com várias pesquisas a sugerirem que muitos fatores podem alterar os genes, desde a quantidade de afeto recebido na infância ou passar por situações traumáticas no mesmo período.

Quanto a consequências, e de acordo com a investigação, estas mudanças nos genes podem afetar o desenvolvimento cognitivo ou mesmo desempenhar um efeito no espectro do autismo.

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No entanto, crescer num ambiente de pobreza já foi associado a um declínio na saúde de um indivíduo por uma grande variedade de razões. Apesar de muitas causas não serem totalmente compreendidas, existe um risco associado a diferenças na dieta alimentar, acesso à educação e serviços médicos à disposição em tenra idade.