Audrey Hepburn recusou interpretar Anne Frank. Sabe porquê?

A atriz de "Sabrina" e Anne Frank tinham muito em comum. Para além da idade, ambas viveram na Holanda durante os anos de ocupação nazi.

Audrey Hepburn morreu a 20 de janeiro de 1993, na Suíça

IMDB

Para além de ser um ícone de estilo até hoje, Audrey Hepburn interpretou papéis marcantes que continuam na memória, mesmo décadas depois dos seus lançamentos. De “Sabrina” a Holly Golightly, no famoso “Breakfast at Tiffany’s”, a atriz protagonizou vários filmes de sucesso, apesar de não ter uma carreira cinematográfica extensa — na verdade, Audrey Hepburn só participou em 20 filmes durante o seu percurso profissional enquanto atriz.

No entanto, e mesmo com insistências de peso, a atriz de naturalidade belga nunca conseguiu interpretar um papel de destaque: falamos de Anne Frank, a famosa adolescente judia que escreveu um diário durante os anos que esteve escondida num sótão em Amsterdão, Holanda, para tentar escapar ao regime nazi.

Apesar de Audrey Hepburn e Anne Frank nunca se terem conhecido, tinham bastante em comum. De acordo com o livro “Dutch Girl: Audrey Hepburn and World War II”, escrito por Robert Matzen, as duas tinham a mesma idade, viviam a cerca de 96 quilómetros de distância e passaram pelo drama da ocupação nazi na Holanda, país onde a atriz viveu durante os cinco anos em que esta nação esteve sob o domínio do regime de Adolf Hitler. A única diferença? Anne Frank era judia.

Audrey Hepburn nunca falou muito sobre esse período da sua vida, onde foi obrigada a viver num celeiro devido aos bombardeamentos e em que passou fome por causa do racionamento alimentar. A atriz perdeu também o seu tio, Otto van Limburg Stirum, que foi executado a 15 de agosto de 1942 por se opor ao regime nazi.

Segundo Robert Matzen, a atriz ficou devastada quando leu o famoso livro “O Diário de Anne Frank”. Anos depois, a protagonista de “Sabrina” confessou: “Marquei o momento em que ela escreve ‘foram executados cinco reféns hoje’. Esse foi o dia que o meu tio foi assassinado. E nas palavras desta criança, eu estava a ler o que estava dentro de mim na época, e ainda está. Esta criança, que estava trancada, escreveu um longo testemunho de tudo o que eu passei e senti”.

Quando começaram a surgir planos para transformar a história de Anne Frank num filme, o que aconteceu em 1959, o pai da rapariga, Otto Frank — o único sobrevivente da família —, pediu a Audrey Hepburn para interpretar a filha no grande ecrã. Mas a atriz continuava muito traumatizada e não conseguiu aceitar o convite.

Esta acabaria por referir-se ao sucedido mais tarde, e explicou a recusa: “Estava tão destruída que não consegui lidar. Quase que foi como se tudo aquilo tivesse acontecido à minha irmã. De uma certa forma, acho que ela [Anne Frank] era mesmo minha irmã de alma”. No entanto, a atriz viria a ler publicamente trechos do diário numa série de concertos para angariar dinheiro para a UNICEF.

Anne Frank acabou por ser capturada pelos nazis e morreu em fevereiro de 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen, vítima de febre tifoide.

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. [email protected]