Ana pede que lhe contem histórias e transforma-as em peças de teatro

São encenadas por atores profissionais, duram entre 20 a 30 minutos, e podem celebrar casamentos, aniversários ou despedidas de solteiro.

Todas as histórias são válidas — das mais bonitas às mais trágicas

Eric Alves/Unsplash

Quando Ana Sousa, 24 anos, chegou ao 9.º ano e começou a pensar de que forma poderia construir o seu futuro, as certezas que tinha eram apenas duas: ou seria atriz ou médica. Apesar de serem duas áreas muito diferentes, a inspiração vinha de um elemento comum — a série “Anatomia de Grey” que mistura drama e medicina ao longo dos seus episódios.

“Adorava a série e pensei que queria ser cirurgiã, mas depois cheguei à conclusão que daquilo de que gostava mesmo era daquele drama todo. Fiz uma audição para a Escola Profissional de Teatro de Cascais e foi aí que me apercebi que queria representar para a vida”, revela Ana.

Depois de terminada a licenciatura em Teatro, era altura de arranjar forma de rentabilizar a sua paixão — o que nem sempre é fácil já que é uma área onde “não se ganha muito dinheiro”. Em conversa com a irmã, Andreia, 33, idealizou um projeto onde o objetivo era contar histórias de outras pessoas através de pequenas peças de teatro que durassem entre 20 a 30 minutos.

“Acredito que todos somos feitos de histórias e que se as contarmos acabamos por eternizá-las”, explica Ana que apresenta o serviço, que apelidou de Le Conte, como um “ato de amor”.

Todas as peças são encenadas por atores profissionais e podem custar entre 350 a 500€, consoante a sua complexidade, o número de adereços ou a existência ou não de uma componente musical para dar vida à história.

E todas elas são válidas, das mais bonitas às mais trágicas, para servir como animação para todo o tipo de eventos — como casamentos, pedidos de noivado, despedidas de solteiro, aniversários ou homenagens de vida.

Ana Sousa pede que lhe contem histórias e transforma-as em peças de teatro especiais

Ana Sousa

O único requisito para que a encenação seja feita com sucesso é que a história seja contada à equipa de Ana com o maior número de detalhes possíveis.

“Precisamos de uma história com o máximo de detalhes possíveis para que a possamos enriquecer em palco. À nossa responsabilidade fica a missão de preparar o guião e a encenação onde, neste caso, as personagens reais viram espectadores das suas próprias histórias”, continua.

Mas Ana diz que fazer isto só é possível por ela e a irmã serem duas românticas incuráveis. “Sentimos que há mesmo amor e beleza em todas as pessoas e que extrair isso através da arte é talvez a coisa mais bonita. Eu e a minha irmã gostamos de conversar com as pessoas, de fazer nascer algo bonito e carregado de emoção — que tanto pode levar às lágrimas como ao riso.”

Apesar de Ana ser uma das atrizes a fazer parte das peças que encena, e de gostar muito de todo o processo (desde a recolha de informação ao estudo dos protagonistas), diz que ainda há uma história que falta ser contada — a sua. E porque de boas histórias se fazem boas peças, a de Ana não fugiria à regra.

“Conheci o meu namorado durante os ensaios de um espetáculo sobre a violência no namoro. Somos os dois atores e, naquela peça, dávamos vida a um casal. Desde então que aquela ficção se tornou na nossa realidade. Gostaria muito que contassem a minha história de amor. Talvez um dia, quem sabe”, rematou.

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