Não basta pôr as mãos no guiador e dar impulso com o pé que fica fora da base. Andar de trotinete, principalmente se for elétrica, requer alguma perícia e talvez uma revisão ao livro do código da estrada, ao qual provavelmente nunca pensou voltar.

“As regras estão lá todas”, lembra à MAGG José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), “o problema é que, ainda que o código tenha normas para trotinetes, elas até aqui nunca tinham sido usadas enquanto meio de transporte”.

Por isso mesmo, a Prevenção Rodoviária Portuguesa decidiu associar-se ao lançamento da Bird, mais uma empresa de trotinetes elétricas em Lisboa — é já a nona — que quer dar um uso responsável dos seus aparelhos.

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As 250 trotinetes começam a circular a partir de segunda-feira, 1 de abril, mas antes a empresa organizou um workshop em modo de cábula para quem quer reavivar as regras do código da estrada. “Uma trotinete sem motor equivale a um peão, mas com motor são equiparadas a uma bicicleta ou uma mota, por exemplo, e, por isso, tem que se comportar como tal”, refere o presidente da PRP.

Pedimos ajuda a Paulo Fonseca, técnico de segurança rodoviária, para estabelecer uma lista de regras básicas para o uso correto de uma trotinete elétrica na cidade. Algumas podem parecer básicas, temos noção, mas desde que já se viu trotinetes “estacionadas” em ramos de árvores, nunca nada parece um exagero.

1. “O principal erro do utilizador é pensar que isto é um brinquedo. Isto não é um brinquedo, é um veículo e, como tal, tem que respeitar as regras”, lembra Paulo, apontando logo a número um: é proibido andar de trotinete elétrica nos passeios. Deve ser usada na estrada ou nas ciclovias, quando existem.

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2. Os capacetes, ainda que não obrigatórios, são recomendados. Uma das próximas ações da empresa é, precisamente, oferecer capacetes aos utilizadores.

3. Cumprir o código significa pensar na trotinete como se de uma mota se tratasse. “Isso significa parar no stop, parar nos semáforos, dar prioridade à direita e fazer as rotundas no sentido certo”, lembra o técnico.

4. Não que atinja grandes velocidades — o máximo é 24 km/hora — mas, ainda assim, existe uma distância de segurança a cumprir. “O melhor mesmo é, numa primeira utilização, tirar um bocadinho para perceber o método de travagem e aceleração para ver a que distância se deve colocar dos outros utilizadores”.

5. Ainda que a trotinete tenha que circular na estrada, Paulo Fonseca aconselha que se mantenham o mais à direita possível, mas não demasiado. “É um veículo pouco estável e, por isso, o melhor é não chegar perto do passeio onde estão as sarjetas e os buracos”, refere Paulo Fonseca.

6. Não abandonar as trotinetes em qualquer lado. Existe uma solução tecnológica nesta trotinete que vai impedir o bloqueamento dos veículos nas zonas vermelhas de estacionamento em Lisboa, como o Bairro Alto e Alfama. No resto da cidade, o melhor é estacioná-las no passeio, sem que perturbe a circulação. Haya Douidri, gestora de parcerias da marca, lembra também à MAGG que Lisboa se prepara para ser uma das primeiras cidades do mundo a ter lugares de estacionamento exclusivos para trotinetes. “Em breve, 2% do estacionamento de Lisboa vai ser para trotinetes”, garante.

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Fundada em setembro de 2017, e com sede em Santa Mónica na Califórnia, a Bird está presente em mais de 100 cidades nos EUA, Europa e Ásia. Ao entrar agora em Lisboa, vem fazer concorrência às oito que já circulam na cidade —  Lime, Hive, Voi, Bungo, Tier, Wind, Iomo e a Flash.

As trotinetes são desbloqueadas através de uma aplicação e custam 15 cêntimos por minuto (é pago 1€ pelo desbloqueamento do veículo). Podem ser utilizadas entre as 7 e as 21 horas de cada dia, por pessoas com mais de 18 anos.