Há mais crianças hospitalizadas a dormir melhor graças aos clientes Lidl e à Associação Nuvem Vitória

Em resultado do bolo-rei Favorina vendido na época natalícia, o Lidl entrega agora 146 mil euros à associação Nuvem Vitória.

Em resultado do bolo-rei Favorina vendido na época natalícia, o Lidl entrega agora 146 mil euros à associação Nuvem Vitória, para que esta possa contar mais histórias a mais crianças hospitalizadas, de Norte a Sul do país. Agora, para milhares delas, o Natal é todos os dias à hora de deitar.

Dados divulgados recentemente pela empresa de estudos de mercado GFK, em parceria com o LIDL, referem que apenas um terço das crianças até aos 7 anos dorme 10 horas por noite e que os seus pais dormem apenas 6h43, em média. Uma evidência de que a falta de sono afeta as famílias portuguesas. Este problema agrava-se, obviamente, em ambiente hospitalar, onde o serenar se torna difícil na agitação constante.

É aqui que entra a Nuvem Vitória, uma associação que conta histórias para adormecer a crianças hospitalizadas, garantindo-lhes uma melhor qualidade de sono, fundamental à sua recuperação, através da criação de um ambiente propício ao mesmo, sossegado e sem estímulos eletrónicos.

Consciente da importância desta temática, aliada à promoção de estilos de vida saudáveis que defende e promove há sete anos, o Lidl Portugal lançou, no Natal passado, a campanha solidária “Bolo Rei de Sonho”, a favor da Associação Nuvem Vitória, com o objetivo de sensibilizar as famílias para a importância do sono e das histórias para adormecer, fundamentais à união familiar e ao bem-estar de todos. Por cada bolo-rei Favorina vendido, 1 euro reverteu para esta associação, num total de 146 mil euros, entregues por parte do Lidl. Esta foi uma campanha que envolveu toda a comunidade, possibilitando que a Nuvem alargue a sua intervenção e leve mais histórias à cabeceira de mais crianças hospitalizadas de Norte a Sul do país.

O Lidl entrega agora 146 mil euros à associação Nuvem Vitória

RUI PEREIRA PHOTOGRAPHY

Horizonte carregado de boas nuvens

Para Fernanda Freitas, presidente da Nuvem Vitória, o apoio do Lidl permitirá concretizar diversos sonhos, entre os quais alargar a sua intervenção a mais 10 instituições, entre hospitais e IPSS, de todo o país. Até 2020, conseguirão formar 900 voluntários e chegar a 50 mil crianças.

Fernanda Freitas, presidente da Nuvem Vitória

Os resultados já começaram a surgir, com a chegada da Nuvem Vitória à pediatria do Hospital de Braga, a 15 de março, onde, neste primeiro ano, conta ajudar cerca de 5000 crianças e famílias, com o apoio de quase uma centena de voluntários, que darão mais de 3 000 horas de voluntariado e contarão cerca de 9 mil histórias para adormecer. O apoio financeiro assegurado pela campanha “Bolo Rei de Sonho” permitirá igualmente alargar a ação a mais uma ala pediátrica no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, chegando a mais 16 camas – que acrescem às cerca de 30 já existentes – impactando 3100 internamentos e contabilizando mais 1056 horas de voluntariado por ano.

Um sono descansado para todos

Embora o ambiente hospitalar seja o alvo principal do trabalho da Associação Nuvem Vitória, conseguir dormir uma boa noite de sono é fundamental para todos os portugueses. Assim, uma vez mais com o apoio do Lidl, a associação lançou uma plataforma digital inovadora sobre o sono – querodormir.pt – desenvolvida em parceria com a Associação Portuguesa do Sono e com um Conselho Consultivo, composto por médicos, psicólogos e outros especialistas. Lançada no passado dia 15 de março, em pleno Dia Mundial do Sono, a plataforma disponibiliza conteúdo nacional e internacional sobre esta temática, abordando questões tão diversas como os espaços onde dormimos, as patologias mais frequentes, os hábitos que não nos deixam dormir e rotinas para adormecer, a pensar em todas as idades, levando assim a casa de todos os portugueses a ajuda necessária para uma boa noite de sono.

Os voluntários da Nuvem Vitória contam histórias a crianças internadas

20 anos de responsabilidade social

Há mais de 20 anos em Portugal, o Lidl tem vindo a investir numa estratégia de Responsabilidade Social que tem como prioridade contribuir para um futuro mais respeitador do ambiente e das pessoas. A sua área de intervenção vai, assim, além do retalho alimentar, tendo já estado envolvido em projetos como o Arredonda, o Movimento Mais para Todos e a Promoção do Bem, projetos que, nos últimos seis anos, sensibilizaram a comunidade para a importância das escolhas socialmente responsáveis, angariando fundos para a implementação de projetos de IPSSs de norte a sul do país, nas áreas da educação, deficiência, acessibilidade e integração social.

Juntamente com outros parceiros, a empresa contribui para outras iniciativas como a Turma Imbatível, que visa consciencializar um público infanto-juvenil para a adoção de estilos de vida saudáveis, ou o TransforMAR, que sensibiliza a adoção de uma boa conduta em praia, tendo em conta os princípios da economia circular e de combate ao plástico. Esta atuação faz parte do seu ADN, assumindo o compromisso de partilhar valor com a sociedade, contribuindo para o bem-estar das pessoas, retribuindo pelo privilégio de poder participar na sociedade em que se insere.

Nós acompanhámos os voluntários da Nuvem Vitória e trouxemos mais do que uma história para contar

Esta é uma associação única no mundo, cujos voluntários entram nos hospitais à noite, para adormecer crianças internadas.

“A primeira vez que fui contar uma história ia muito nervosa”, conta Patrícia Sievert. Patrícia é uma dos 300 voluntários (a caminho dos 400) da Nuvem Vitória. Conheceu a associação quando a sua filha mais nova, de três anos, esteve internada durante 12 dias no Hospital de Santa Maria. “Na altura, ela nem foi muito recetiva, mas eu descobri o projeto ao qual queria dar o meu tempo”, revela.

“Não é fácil entrar num hospital sem saber o que tem o nosso filho. E para a criança também não é”, diz. “Quando a Nuvem entrou pelo nosso quarto adentro trouxe uma verdadeira brisa, uma lufada de ar fresco. Para mim, foi muito importante. Sempre que vinham, aproveitava para desanuviar a cabeça, conversar um pouco. Era como se, por momentos, conseguisse sair daquela agonia”.

Nuvens na costa

É por “nuvens” que se tratam, e que são conhecidas, e é precisamente isso que parecem: pequenos pedaços de algodão que passam no céu, como se estivéssemos deitados na relva a vê-las passar. Estas “nuvens” têm entre 21 e 74 anos e trabalham de forma rotativa, umas horas por semana, a serenar os ânimos e a preparar o terreno em que o sono se vai instalar. Afinal, adormecer numa cama de hospital não é fácil: as luzes não estão sempre apagadas, há sempre alguém que chora ou um medicamento que precisa ser tomado. Mas é possível acalmar os sentidos e permitir que a imaginação ocupe o lugar da angustia.

Joana tem dois anos e recebe pela primeira vez, e um pouco desconfiada, a entrada das duas nuvens. Não demora muito tempo a acompanhar com atenção a história do balão vermelho ou do trator amarelo, que percorrem as páginas do livro. Se o seu sobrolho, que se levanta ocasionalmente, pede um esforço extra das voluntárias para manter a confiança, é o sorriso da mãe que as leva a não desistir. Na segunda história que, afinal, pode ser um pouco mais animada, pois Joana ainda espera pelo jantar para adormecer, já se ganhou mais uma ouvinte. Como o caso do Luís* que, aos três anos, já conhece bem as “nuvens” e faz uma pausa na sua natureza irrequieta para ouvir a história – enquanto o pai respira de alívio e agradece o descanso. Ou da Mariana* de 12 anos que, apesar de estar em isolamento, desliga o computador para poder ouvir a história através do vidro. Por alguns minutos, vai sair dali e recuperar a liberdade, mesmo que tudo se passe apenas na sua cabeça. Maria*, de três meses, também merece atenção. No seu caso, a caixinha de música que é colocada na sua cabeceira, conta uma história sem palavras, que faz com que o sono chegue devagar, mas descansado.

Os adolescentes são, na realidade, o público mais difícil. “Estamos sempre a trocar informação entre nós sobre livros mais adequados, ou sobre estudos acerca desta faixa etária mais desafiante”, conta Fernanda Freitas, presidente da associação Nuvem Vitória. Quebrar a barreira inicial é sempre o mais difícil, mas, uma vez conseguida, a viagem corre mais tranquila. Às vezes basta um poema”, garante Fernanda. Para o Pedro, de 13 anos, foi o interesse pela sua pintura que serviu de base à relação criada. Em breve, irão organizar uma exposição com as suas obras e é também disso que quer falar quando as voluntárias entram no quarto. De máscaras e sem se poderem aproximar – a sua situação clínica assim o exige – a história é contada e são acrescentados pormenores ao projeto que têm em comum.

Os contadores de histórias

Estas “nuvens”, sobretudo mulheres, têm os mais diversos perfis: há estudantes de medicina, reformadas, professoras e psicólogas, por exemplo. Mas não basta apenas gostar de crianças, ou de contar histórias. Antes de serem colocadas ao serviço da causa, têm uma formação de dois dias, para saberem com o que podem contar e o que é esperado de si.

Uma noção apurada de responsabilidade, bom senso e o saber honrar compromissos são características até mais valorizadas do que já saber contar histórias. Afinal, isso aprende-se. No contrato que assinam com a associação estão descritas todas as regras da casa, os direitos e os deveres que é indispensável saber e cumprir. Uma vez que funcionam em ambiente hospitalar, não podem ceder perante a segurança das crianças e dos pais, nem da capacidade de auxílio dos profissionais. Algumas regras como permanecerem de pé no quarto, não se aproximarem demasiado ou não tocarem nos pacientes, parecem exageradas, mas garantem a integridade deste projeto criado em 2016 e apresentado formalmente em 2017, que já conquistou o nível Prestígio no Selo de Qualidade em Voluntariado Join4Change® (um sistema de avaliação de programas de voluntariado) e o reconhecimento, pela “World Sleep Association”, de que é um projeto único no mundo.

A forma como estes pequenos grupos de “nuvens” são recebidos por todos os funcionários do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no Hospital de São João, Hospital de Vila Franca de Xira e no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão – do segurança do bloco ao médico de serviço – revela que o seu trabalho não só é bem-vindo como muito acarinhado. E deve viver feliz para sempre.

Conteúdo produzido pela Magg Lab e patrocinado por:

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